“Joões” seguram leme do PCP na ausência de Jerónimo – e a sucessão volta a ser tema

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Mário Cruz / Lusa

Jerónimo de Sousa

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, vai ser submetido a uma cirurgia de urgência, que precipita a discussão sobre o futuro da liderança. João Oliveira e João Ferreira, os favoritos, assumem o leme em período de campanha.

A escolha de João Oliveira – líder parlamentar e cabeça de lista pelo distrito de Évora – e de João Ferreira – ex-eurodeputado, ex-candidato à Presidência, vereador lisboeta e décimo da lista da CDU no distrito de Lisboa – para assumirem o leme comunista na campanha eleitoral é uma tentativa da direção do partido de afastar qualquer especulação sobre a sucessão de Jerónimo de Sousa.

Ainda assim, as perguntas sobre a saída do atual secretário-geral comunista da liderança serão incontornáveis, como, aliás, têm sido já há vários anos.

Além dos “Joões”, também é apontado o nome de Bernardino Soares, ex-presidente de Loures e antigo líder parlamentar, e de João Frazão, um dirigente sem muita projeção mediática.

Segundo o Público, a escolha recaiu em Oliveira e Ferreira porque, por serem as duas opções mais óbvias (já que ambos são apontados como favoritos à sucessão), evitava-se, assim, trazer os holofotes para este tema.

João Oliveira vai substituir Jerónimo de Sousa no frente-a-frente desta quarta-feira, com Rui Rio, e no dia 17 no debate com todos os partidos, transmitido nas televisões e rádios.

Tanto João Ferreira como João Oliveira terão que se dividir entre a campanha nos seus distritos e a nacional, numa tentativa de combater a tendência de descida de votação que o partido tem registado nos últimos anos em todas as eleições.

António Costa Pinto, politólogo do ICS, entende que, “embora o PCP tenha uma personalização da direção, aposta numa direção colctiva, com um grupo significativo de funcionários políticos e numa estrutura organizativa importante”. Na sua ótica, esta mudança “não deverá ter impacto muito significativo na campanha“.

Já André Freire, politólogo do do ISCTE, admite que apesar de “os substitutos serem bastante qualificados, Jerónimo é o rosto do PCP e um líder carismático e a sua ausência irá ter consequências”.

O facto de o PCP ser dos partidos do sistema menos assente na personalização “leva-me a pensar que os efeitos não sejam de curto mas sim de médio prazo: precipita a substituição do líder“.

O secretário-geral do PCP vai ser submetido a uma operação urgente esta quarta-feira e vai falhar a campanha das eleições legislativas enquanto estiver a recuperar.

O PCP prevê que “retome no final da próxima semana a sua intervenção política, nomeadamente na campanha eleitoral em curso para a Assembleia da República”.

De acordo com um comunicado divulgado pelo partido, o dirigente comunista vai ser submetido “uma intervenção cirúrgica urgente da estenose carotídea (à carótida interna esquerda), que não pode ser adiada para depois das eleições”.

  ZAP //

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