John McCain prepara o seu funeral (e não quer que Trump apareça)

Harald Dettenborn / Wikimedia

O senador republicano John McCain

O senador republicano John McCain, que luta contra um agressivo cancro no cérebro, não quer que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vá ao seu funeral, preferindo que em seu lugar esteja o vice-presidente Mike Pence.

Segundo revelam este sábado o jornal The New York Times e a NBC News, que  citam pessoas próximas do senador, John McCain não quer que Donald Trump esteja presente no seu funeral. O jornal acrescenta que a família quer que a cerimónia aconteça na Catedral Nacional de Washington.

Actualmente com 81 anos, McCain foi diagnosticado com um tipo grave de cancro cerebral em 2017 e está em tratamento no estado do Arizona. Mesmo após a descoberta, McCain manteve durante os últimos meses as suas obrigações políticas e acompanhou o trabalho da sua equipa em Washington.

Apesar dos esforços médicos, a situação do carismático senador, concorrente do ex-presidente Barack Obama na eleição presidencial de 2008, parece não melhorar, e familiares e amigos estão a preparar-se para o fim.

McCain, membro do Senado americano desde 1987, é um dos mais duros críticos de seu colega de partido Donald Trump. O senador contribuiu, entre outras coisas, para que fracassassem todas as tentativas do presidente de revogar o sistema de saúde de Obama.

A relação entre os dois republicanos é tensa há bastante tempo. Durante a campanha eleitoral, Trump minimizou o papel de McCain como soldado na Guerra do Vietname, em que foi preso e torturado pelos vietnamitas. O bilionário diz que, para ele, McCain não é um herói. “Gosto de gente que não foi presa, okay?”, afirmou Trump.

De acordo com o New York Times, McCain pediu para ser substituído no Senado por alguém da sua total confiança, e poderá vir a ser substituído pela mulher, Cindy, que ocuparia o cargo até às eleições de novembro.

Herói americano

John Sidney McCain III, nascido a 29 de agosto de 1936, é senador pelo estado do Arizona desde 1987. Foi candidato a presidente nas primárias do Partido Republicano na corrida presidencial de 2000, mas perdeu a nomeação para George W. Bush.

É considerado um político de linha conservadora, mas tido como um pensador livre e uma voz independente dentro do partido, assumindo frequentemente posições incómodas e contrárias à orientação do Grand Old Party.

Nascido numa família de militares, lutou na guerra do Vietname. Em outubro de 1967, durante a sua missão número 23, o seu avião foi abatido sobre Hanói, aterrando de emergência no lago Truc Bach. Devido ao impacto McCain ficou ferido nas duas pernas e com um braço em muito mau estado.

Inconsciente, foi capturado por uma patrulha norte-vietnamita, que o torturou de imediato. O seu pé esquerdo foi ferido com uma baioneta e o ombro deslocado com a culatra de uma espingarda. Foi levado para a prisão de Hoa Lo, também conhecida como “Hanoi Hilton“. colocado numa cela, interrogado e torturado, tendo resistido a dar informações.

O facto de o pai ser almirante e comandante-chefe das forças dos EUA no Pacífico, fez com que o governo do Vietname do Norte lhe tivesse oferecido a libertação ao fim de um curto cativeiro, se reconhecesse ter cometido crimes de guerra.

McCain, no entanto, recusou qualquer tratamento de favor, alegando que o código militar estabelece que os prisioneiros são libertados pela ordem em que foram capturados. Isto significou para o agora senador mais cinco anos de prisão e tortura no “Hanoi Hilton”.

Ao voltar, John McCain foi recebido na Casa Branca pelo presidente Richard Nixon, e manteve até hoje a aura de “American Hero” – apesar da opinião de Trump.

Ciberia // Deutsche Welle / NBC News

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