João Leão confirma que não haverá mais dinheiro para o Novobanco

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Rodrigo Antunes / Lusa

O presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho

João Leão considera que a injeção não será necessária, partindo dos resultados alcançados pela instituição bancária.

O aviso já tinha surgido a partir do Fundo de Resolução, mas agora João Leão vem confirmá-lo, ao dizer que o Governo não prevê que sejam concretizados mais pagamentos ao Novobanco este ano, no âmbito do Mecanismo de Capital Contingente. “Não vai ser necessária a injeção. Partilhamos a perspetiva do Fundo de Resolução”.

Esta reação chega também na sequência de uma notícia do Jornal Económico, na última sexta-feira, segundo a qual a instituição liderada por António Ramalho se prepara para pedir mais dinheiro ao mecanismo, apesar de ter fechado o ano de 2021 com lucros de cerca de 200 milhões de euros.

O Fundo de Resolução não terá recebido com agrado a notícia, tendo afirmado, em comunicado, que tem a “forte convicção de que não seja devido qualquer pagamento” ao banco.

O organismo fez saber que, apesar de as contas da instituição relativas ao último ano ainda não estarem fechadas ou auditadas, já teve acesso a versões preliminares, daí avançar que não vai ser necessário qualquer pagamento.

“As contas preliminares estão em análise, pelo que é prematuro fazer comentários. Ainda assim, é possível reafirmar-se, com base nos dados disponíveis, a forte convicção de que não seja devido qualquer pagamento pelo Fundo de Resolução relativamente às contas de 2021″, avançou a instituição liderada por Máximo dos Santos.

Tal como lembra o Eco, o mecanismo de capital contingente foi criado em 2012, a propósito da venda do Novobanco pelo Fundo de Resolução ao fundo norte-americano Lone Star. O mecanismo tem como objetivo proteger o Novobanco das perdas registadas num conjunto determinado de ativos problemáticos herdados do Banco Espírito do Santo, estando prevista a sua existência até 2026.

O Novobanco tem recorrido ao mecanismo, financiado com dinheiro dos contribuintes e com contribuições dos outros bancos, anualmente, tendo já usufruído de 3,4 mil milhões de euros.

António Ramalho já tinha dado a conhecer a intenção de solicitar mais uma injeção em maio do ano passado, quando da sua audição na comissão de inquérito. Na altura, anteviu um pedido de 100 milhões de euros para repor os rácios, uma hipótese caso recebesse apenas 430 milhões de euros em 2021, quando tinha solicitado 598 milhões. A injeção acabou por se fixar nos 430 milhões.

João Leão, a propósito desta declaração, já antecipava uma recusa.

  ZAP //

3 Comments

  1. O dinheiro que já foi injectado no Novo banco já não dava para pagar aos lesados do BES? Milhões e milhões que já sairam do tal fundo de resolução para o Bes……. Não entendo porque é que o Bes está sempre a pedir dinheiro ao governo .

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