Joana Amaral Dias vai recorrer ao medo (claro que sim)

José Goulão / Wikimedia

Joana Amaral Dias

Joana Amaral Dias

A líder da coligação Agir, Joana Amaral Dias, assegurou que nunca vai fazer coligações com o partido (PS) que levou o país “ao abismo”, e que vai recorrer ao medo para apelar ao voto nas legislativas.

“O Agir nunca vai fazer coligações com quem nos trouxe até ao abismo, com quem nos empurrou pela ribanceira abaixo”, afirmou Joana Amaral Dias em entrevista à Antena Um, manifestando uma posição contrária à de Rui Tavares, um dos fundadores do movimento Livre/Tempo de Avançar.

Para a cabeça de lista da coligação Agir pelo círculo de Lisboa, “Rui Tavares tem tido uma postura que entende que tem capacidade para mudar o Partido Socialista”, que o vai influenciar num “caminho mais à esquerda”.

“Eu entendo que isso não é possível fazer, é mais ou menos como uma formiga querer alterar o percurso de um elefante. Acho que não é assim que se faz”, comentou a ex-deputada do Bloco de Esquerda.

Joana Amaral Dias diz não estar preocupada “com a convergência”, comentando que nem sabe “se o PS é de esquerda”.

Para a líder do movimento é “absolutamente fundamental, neste momento, unir todas as pessoas que foram lesadas pela austeridade, venham da esquerda, venham da direita”.

Questionada sobre se o Agir vai recorrer ao medo para apelar ao voto, Joana Amaral Dias afirmou peremptoriamente “claro que sim“.

“Estou a apelar ao medo não só para mobilizar o voto mas porque é aquilo em que acreditamos. Estou convencida que em Outubro, Novembro, no pós-eleitoral, caso o PS vença eleições e forme governo vai exactamente seguir a mesma linha de ataque aos salários, de ataque às pensões”, sustentou.

Na entrevista, Joana Amaral Dias avançou que o Agir pretende ser governo, mas o objectivo imediato é eleger um ou dois deputados.

“Temos noção que chegámos tarde a este combate, mas também não estamos preocupados só com eleger, estamos muito mais preocupados em colocar estas ideias, como o combate à corrupção, a possibilidade da democracia participativa, etc. Se o conseguirmos fazer já ganhámos uma vitória”, sublinhou.

Explicou que a coligação não pretende “ser só um partido de indignados“. “Nós queremos também ir à luta pela mudança, nós queremos chegar a ser governo, vamos fazer esse caminho para lá chegar”.

Sobre a coligação com o Partido Trabalhista Português (PTP) e com o Partido Democrático do Atlântico (PDA), para concorrer às eleições legislativas, Joana Amaral Dias disse que “são parceiros fiáveis para fazer alianças”.

“O PDA vai assinar agora e o PTP já assinou um compromisso público onde temos um programa que é mínimo, mas que achamos que é a resposta urgente para o país, que é o combate à corrupção”, a “defesa das funções sociais do Estado” e o “aprofundamento da democracia”.

Considerou ainda que esta não é a altura para discutir o perfil do Presidente da República, mas coloca a hipótese de o Agir vir a patrocinar uma campanha presidencial.

Há um ano, Joana Amaral Dias saiu do BE e participou, a uma semana das eleições Europeias, na convenção do PS a convite de António José Seguro.

Sobre esta intervenção explicou que participará sempre que a convidarem para “subir a uma tribuna” e “falar livremente aos portugueses”, seja a convite de António José Seguro, Paulo Portas, Passos Coelho “sejam de que partido for”.

/Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Não sei o que move a Joana Amaral Dias mas tenho muita pena que esteja a enveredar por este caminho e que utilize o Partido Trabalhista (quem?… ah, já sei… era aquele partido do Coelho da Madeira…) como barriga de aluguer. Pelo menos o voto dela terá…

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