Jejum de dopamina é a nova moda de Silicon Valley para aumentar a produtividade

Quando James Sinka faz jejum de dopamina, desconecta-se de qualquer estímulo externo; pára de comer ou de beber (ingere apenas água) e ignora o seu telemóvel ou computador.

Além de evitar tecnologia e parar de comer ou de beber líquidos que não água, James Sinka também evita interagir com outras pessoas, chegando até a evitar qualquer tipo de contacto visual.

Com 24 anos, Sinka faz parte de um grupo que tem crescido no pólo tecnológico norte-americano – o dos adeptos do jejum de dopamina. Esta é a mais recente moda de Silicon Valley, uma região que adota constantemente novas estratégias para aumentar a produtividade e o bem-estar.

A dopamina, conhecida como a hormona do prazer, é um neurotransmissor cuja atividade está ligada à motivação que temos para fazer as coisas. Segundo Joshua Berke, professor de Neurologia e Psicologia na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, “a libertação de dopamina pode ser acionada por uma série de estímulos externos, especialmente eventos inesperados”.

Segundo a BBC, os adeptos do jejum de dopamina acreditam que os habitantes das grandes cidades são superestimulados por pequenas mas constantes doses de dopamina no cérebro. Para estes adeptos, evitar de forma deliberada os estímulos reduz os níveis de dopamina no cérebro.

Desta forma, defendem que, depois de um período de privação, são capazes de aproveitar melhor as atividades e que se sentem melhor ao fazê-lo. O jejum de dopamina “permite-me refletir e analisar a situação a partir de uma perspetiva mais ampla”, considera James Sinka.

O psicólogo norte-americano Cameron Sepah explica que o jejum de dopamina é baseado numa técnica de terapia comportamental conhecida como “controlo de estímulo”, usada para tentar ajudar dependentes químicos, removendo comportamentos que sejam o gatilho para o uso de drogas.

Sepah defende que a prática deste tipo de jejum já revelou melhorias no humor, na produtividade e na concentração. No entanto, nem todos estão convencidos com as vantagens desta prática.

Berke salienta que o jejum de dopamina é uma prática e não um estudo controlado, sublinhando que não existe qualquer evidência científica que comprove que evitar comida e tecnologia possa diminuir os níveis de dopamina no cérebro.

“O argumento de que descansar o cérebro do uso obsessivo das redes sociais ou de festas é algo positivo soa plausível. Mas é pouco provável que isso tenha alguma relação com a dopamina”, aponta o professor.

“Por definição, dar uma pausa em atividades stressantes é algo relaxante, mas isso não é o mesmo que recusar uma conversa com um amigo”, remata.

  ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Experimentem também deixar de respirar durante um dia ou dois. Vão ver que se voltarem a respirar (o que será pouco provável) saberá muito melhor!
    O mesmo é válido para defecar durante um mês 😉

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