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Japonesa morreu por excesso de trabalho após 159 horas extraordinárias

shibuya246 / Flickr

O karoshi, ou morte por excesso de trabalho, é um problema tão grave no Japão, que tem um nome próprio

Uma funcionária da emissora pública do Japão, NHK, morreu de ataque cardíaco depois de fazer 159 horas extraordinárias de trabalho. É a mais recente das muitas vítimas de karoshi.

A morte de Miwa Sado, jornalista da emissora pública japonesa, ocorreu há 4 anos, mas só agora foi tornada pública. Sado, de 31 anos, morreu de falência cardíaca em julho de 2013. O caso foi agora tornado público pela própria emissora, a pedido da família da jornalista, que procura evitar que casos semelhantes se repitam.

“Ainda hoje, quatro anos mais tarde, não conseguimos aceitar como real a morte da nossa filha. Esperamos que a dor de uma família desolada não seja desperdiçado“, declararam os pais de Sado em comunicado emitido pela NHK.

A jornalista, de acordo com a NHK, morreu três dias depois de ter estado a cobrir as eleições para a Assembleia Metropolitana de Tóquio e para a Câmara Alta do parlamento japonês, que se realizaram em junho e julho de 2013. No espaço de um mês, Sado teve apenas dois dias de folga, e fez 159 horas extraordinárias.

Segundo o Japan Times, os inspectores do trabalho que investigaram o caso atribuíram a morte da jornalista a karoshi, ou morte por excesso de trabalho – um problema tão grave no Japão, que tem um nome próprio.

A morte de Miwa Sado, mais uma a juntar-se aos inúmeros casos de mortes por excesso de trabalho que ocorreram no Japão nos últimos anos, coloca ainda mais pressão sobre as autoridades japonesas, num país onde a noção de “equilíbrio entre vida pessoal e laboral” é praticamente inexistente.

O ano passado, a inspecção do trabalho japonesa concluiu também que a morte da jovem Matsuri Takahashi, de 24 anos, se ficou a dever a esgotamento laboral. A jovem, funcionária da Dentsu, agência publicitária de Tóquio, suicidou-se devido a “stress após demasiadas horas a trabalhar”.

Nas semanas anteriores à sua morte, que aconteceu pouco antes do Natal de 2015, Takahashi tinha feito mais de 100 horas extraordinárias. Entretanto, a Dentsu está agora a ser julgada por violação de normas laborais, sendo esperada uma sentença judicial para esta sexta-feira.

Mais de dois mil japoneses suicidaram-se em 2016 devido a questões relacionadas com stress laboral e excesso de trabalho, e dezenas de trabalhadores morreram de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral ou outras condições provocadas por karoshi.

  ZAP // Japan Times

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