Israel declara guerra ao Irão (ou mais um caso de má tradução)

Abir Sultan / EPA

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel

Por vezes, as traduções podem ser traiçoeiras. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, foi apanhado no meio delas, tendo acidentalmente declarado guerra ao Irão.

O tweet fazia parte de uma tradução dos comentários feitos por Netanyahu após uma reunião com o ministro das Relações Exteriores de Omã. Ambos estavam em Varsóvia, na Polónia, para uma cimeira do Médio Oriente, organizada pelos Estados Unidos e Polónia, o país anfitrião.

De acordo com o tweet, o primeiro-ministro israelita teria dito que a cimeira – “que não era segredo” – “era uma reunião aberta com os representantes dos países líderes da Arábia, que se sentaram à mesa com Israel para avançar com o interesse comum de guerra com o Irão”.

Porém, segundo Michael Koplow, analista do Médio Oriente, “guerra com o Irão” é um erro de tradução de uma frase que poderia significar “combater o Irão”. O tweet foi excluído e substituído por um comunicado usando essa mesma expressão, mas a versão “guerra” chegou a algumas manchetes, tendo já sido atualizadas.

Quer tenha sido uma simples trapalhada ou uma gafe, a confusão sobre as intenções da observação é característica de toda esta conferência. Quando foi anunciado pela primeira vez no mês passado, a cimeira ia ter foco na “influência desestabilizadora” do Irão, como disse o secretário de Estado Mike Pompeo. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, descartou-o como um “circo desesperado anti-Irão”.

Mais tarde, o foco foi ampliado para o Médio Oriente em geral, incluindo questões como o conflito israelo-palestino, a luta contra o Estado Islâmico e os conflitos na Síria e no Iémen. Algumas autoridades negaram que o Irão seja o foco, provavelmente numa tentativa de atrair a participação de mais países, muitos dos quais são críticos das políticas do Irão no governo Trump.

Estiveram cerca de 60 países estão presentes, mas houve ausências notáveis – a maioria dos signatários do acordo nuclear de 2015 do qual Trump retirou dos EUA. Rússia e China não estavam lá, nem França, Alemanha ou o alto representante da UE para assuntos externos. O secretário de Relações Exteriores britânico, Jeremy Hunt, participou, mas diz que prefere falar sobre o Iémen.

Esses chamados países E3 anunciaram planos no mês passado para estabelecer um sistema de pagamento para continuar a conduzir o comércio com o Irão, desafiando as novas sanções dos EUA.

A Autoridade Palestina também boicotou a reunião, já que tem mais contacto com as autoridades dos EUA desde a decisão de Trump de transferir a embaixada dos EUA em Israel para Jerusalém.

A conferência apresenta uma oportunidade para alguns dos países envolvidos. Para o anfitrião, a Polónia, que normalmente não é conhecida pelo seu interesse na política do Médio Oriente, o evento pode ter mais a ver com preocupações sobre a Rússia do que com o Irão.

O governo da Polónia tem tentado convencer Trump a manter as tropas dos EUA na Polónia. O presidente Andrzej Duda chegou ao ponto de dizer, numa reunião em setembro, que uma nova base para as tropas americanas poderia ser chamada de Fort Trump.

Para Netanyahu, como sugeriu, o encontro é uma rara oportunidade de ter reuniões públicas com líderes árabes. Após anos de isolamento regional, Israel está a construir discretamente contactos e a aumentar a cooperação com governos contra o Irão. Os contactos ainda são delicados, contudo, uma vez que a maioria desses países ainda não tem relações diplomáticas formais com Israel.

ZAP // Slate

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2 COMENTÁRIOS

  1. Irónico como nos enfiaram mil e uma histórias na cabeça acerca dos Nazis… e agora todos acham bem o que Israel faz, quando está ao mesmo nível, senão pior que a Alemanha Nazi. Hipócritas.

    • “…e agora todos acham bem o que Israel faz…”
      Todos quem?
      Não falta quem critique e até há muitos judeus moderados que são contra estas politicas radicais de Israel!

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