Isabel dos Santos acusa a secreta angolana de lhe invadir computadores em Portugal (e de ter forjado provas)

Tiago Petinga / Lusa

A empresária angolana Isabel dos Santos

A empresária Isabel dos Santos acusou os serviços secretos angolanos de terem acedido indevidamente aos servidores das empresas que detém em Portugal e de terem “forjado e falsificado” provas contra si.

Em entrevista por telefone ao The Financial Times, a partir de um país africano não identificado para onde se terá deslocado por recear pela sua segurança, a empresária angolana acusou os serviços secretos de Angola de terem invadido os seus computadores em Portugal e de terem forjado provas contra si.

A empresária voltou a recusar uma relação entre a sua fortuna – avaliada pela Forbes em 2,2 mil milhões de dólares – e a governação do pai, José Eduardo dos Santos. “Trabalho no setor privado. É importante compreender que trabalho nisto há mais de duas décadas. Não me tornei na primeira empresária de Angola de um dia para o outro.”

Ao mesmo jornal, Isabel dos Santos voltou a acusar o Governo de João Lourenço de levar a cabo uma “caça às bruxas politicamente motivada”, depois de o Tribunal Provincial de Luanda ter determinado o arresto de contas bancárias da empresária e de empresas angolanas nas quais detém participações sociais.

Ao Financial Times, Isabel dos Santos garantiu ainda que, embora tenha pouca confiança no sistema de justiça angolano, está a preparar uma resposta legal ao que diz ser uma tentativa de “apagar o legado” de 38 anos de presidência do seu pai.

Numa outra entrevista ao jornal Voz da América, Isabel dos Santos acusou o presidente angolano, João Lourenço, de fechar mais de 50 contratos, no valor de mais de três mil milhões de euros, sem licitação.

Isabel dos Santos disse ainda que o presidente “fez uma escolha seletiva para a sua luta contra a corrupção. Eu apoio o combate à corrupção, mas o que eu condeno é a forma seletiva que escolheu apenas para suportar a sua campanha”.

Sindicatos afastam riscos para trabalhadores

Os sindicatos angolanos desvalorizaram esta segunda-feira o impacto da decisão judicial de arrestar as participações de Isabel dos Santos em nove empresas de Angola sobre os trabalhadores, defendendo que as empresas continuarão a funcionar e que os empregos estão salvaguardados.

Os sindicatos estão a acompanhar o caso, que envolve uma das maiores empregadoras em Angola, mas afastam para já qualquer impacto sobre os postos de trabalho das empresas visadas: Banco BIC, Unitel (telecomunicações), Banco BFA, Finstar, Sociedade de Investimentos e Participações, ZAP Media (operadora de televisão), Cimangola II (cimenteira), Condis (empresa de distribuição que detém a marca de hipermercados Candando), Continente Angola e Sodiba (indústria de bebidas).

“O tribunal acautelou a questão dos empregos” e indicou como fiéis depositários os próprios conselhos de administração e o Banco Nacional de Angola, o que significa “que não são previsíveis perturbações” no funcionamento das empresas, disse à Lusa o secretário geral da União Nacional de Trabalhadores Angolanos (UNTA), uma das três centrais sindicais angolanas.

A guerra começou quando o Tribunal Provincial de Luanda, em Angola, decretou o arresto preventivo de contas bancárias pessoais de Isabel dos Santos, do marido, Sindika Dokolo, e do português Mário da Silva, além de nove empresas nas quais a empresária detém participações sociais. Isabel dos Santos detém participações em Portugal em setores como a energia (Galp e Efacec), telecomunicações (Nos) ou banca (EuroBic).

Luanda acusa os três de “ocultar património obtido às custas do Estado” e afirma que a filha do antigo Presidente de Angola, “por intermédio do seu sócio Leopoldino Fragoso do Nascimento, está a tentar transferir alguns dos seus negócios para a Rússia, tendo a Polícia Judiciária portuguesa interceptado uma transferência de dez milhões de euros que se destinava à Rússia”.

Numa sessão de esclarecimento no Instagram, a empresária respondeu também a perguntas sobre o arresto dos seus bens, indicando que esta ação pode levar ao fecho de algumas das empresas que fundou e que lidera. Isabel dos Santos poderá ficar com os bens arrestados durante dez anos.

Este fim-de-semana soube-se ainda que Isabel dos Santos se mudou com o marido para o Dubai, um dos mais conhecidos paraísos fiscais. Além disso, estará a usar nacionalidade russa, da parte da sua mãe, estando cada vez mais afastada de Angola, onde diz estar a ser alvo de uma “perseguição política”.

ZAP // Lusa

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