“Sim, claro que vamos” interferir nas eleições americanas, troça Putin

(cv) NBC News / Youtube

O presidente da Rússia, Vladimir Putin

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, troçou na quarta-feira com a eventual interferência estrangeira em eleições norte-americanas. Questionado sobre as preocupações com a possibilidade de o Kremlin interferir nas presidenciais nos Estados Unidos (EUA), sussurrou: “Vou contar-vos um segredo: sim, claro que vamos fazer isso para finalmente vos fazermos felizes. Só não digam a ninguém”.

“Sabem, já temos problemas que cheguem. Estamos empenhados em resolver problemas internos, é principalmente nisso que estamos focados”, acrescentou, falando num painel de uma conferência sobre energia em que também participava o secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Mohammed Barkindo.

O líder russo também comentou o escândalo motivado pela conversa telefónica entre o Presidente dos EUA, Donald Trump, e o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, e que levou o Partido Democrata a abrir um procedimento de ‘impeachment’, como noticiou o Expresso esta sexta-feira.

“Não fui Presidente a minha vida toda. A minha vida anterior ensinou-me que qualquer conversa pode tornar-se pública”, disse. “Por isso, quando tentaram lançar um escândalo relativamente à minha reunião com Trump em Helsínquia [no ano passado], dissemos diretamente à Administração [americana] que tornasse a conversa pública. Se alguém quer saber alguma coisa, publiquem-na. Não nos importamos”, juntou.

Após a cimeira entre os dois países na capital finlandesa, a Casa Branca foi questionada ao constatar-se que a transcrição oficial omitia uma parte de uma pergunta. Donald Trump também foi criticado depois de ter confiscado as notas de tradutor de uma outra conversa com Vladimir Putin.

“Garanto-vos que não havia ali nada que pudesse comprometer o Presidente Trump. Tanto quanto percebi, não fizeram aquilo por princípio. Simplesmente há coisas que não devem ser públicas”, referiu.

 

Sobre o ‘impeachment’ nos EUA, Vladimir Putin comentou ainda: “Recordam sempre Nixon. A equipa de Nixon pôs escutas, estava a escutar os seus rivais. Mas esta é uma situação completamente diferente. Trump foi escutado! E com base no que sabemos da chamada, não houve ali nada de errado. Trump pediu ao seu homólogo para investigar possíveis esquemas de corrupção de administrações anteriores”.

O caso de Richard Nixon é frequentemente citado quando se fala de ‘impeachment’ nos EUA para se recordar que o Presidente renunciou, ele próprio, ao cargo em 1974, antes de o processo poder avançar.

Assim, o ‘impeachment’ propriamente dito só aconteceu duas vezes na história americana, com Andrew Johnson, no século XIX, e com Bill Clinton, no final dos anos 1990. Em nenhum dos dois casos, o processo resultou na deposição do Presidente.

A polémica conversa telefónica entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky desencadeou uma queixa formal de um denunciante que, por sua vez, conduziu à abertura do processo de destituição presidencial.

Uma transcrição da conversa, publicada na semana passada, indica que o Presidente americano instou o homólogo ucraniano a investigar alegações contra o ex-vice-Presidente Joe Biden, candidato à nomeação democrata para as eleições do próximo ano, e o seu filho Hunter Biden.

“Não partilho do entusiasmo sobre Greta”

Vladimir Putin não está muito impressionado com a luta ambientalista da adolescente sueca Greta Thunberg: “Posso estar a desiludir-vos mas não partilho o entusiasmo comum”, disse, durante uma conferência sobre energia realizada quinta-feira em Moscovo, como informou o Expresso na quinta-feira.

O Presidente russo considera que Greta Thunberg não tem do mundo um entendimento que lhe permita defender políticas tão extremas para o controlo das alterações climáticas: “Ninguém explicou a Greta que o mundo é um local complexo e muito diverso e que as pessoas em África e em muitos países asiáticos querem também viver com o mesmo nível de riqueza que existe na Suécia”, referiu.

Defendeu assim que os países em desenvolvimento possam continuar a apostar nas suas indústrias como forma de fomentar o emprego e retirar as pessoas da pobreza. Os mais jovens, disse ainda, “devem ser apoiados na sua luta pelo clima” mas criticou aqueles que utilizam crianças e adolescentes em interesse próprio, não especificando a que pessoas ou entidades se referia.

Justin Lane / EPA

Greta Thunberg

Greta Thunberg, de 16 anos, há muito que luta pelo clima mas quando começou a faltar às aulas à sexta-feira para ir entregar panfletos sobre as alterações climáticas para a frente do parlamento sueco desencadeou uma ação global de greves de estudantes à sexta-feira, que também já aconteceram em Portugal.

Na ONU, Greta Thunberg tornou-se ainda mais conhecida por ter feito um discurso emocionado, que muitos consideraram demasiado exagerado. Condenando os que defendem “o conto de fadas do crescimento económico perpétuo”, perguntou aos políticos do mundo, várias vezes, e visivelmente afetada: “Como se atrevem” a roubar a infância das crianças e a permitir que os ecossistemas entrem em colapso?

Vladimir Putin não é o único a oferecer outra perspetiva. Vários economistas defendem que a transição energética tem de ser feita com cuidado porque todo o sistema económico em que assenta a maioria dos países depende da produção industrial e perder-se-iam milhões de empregos se essa transformação fosse feita de forma demasiado radical.

Taísa Pagno ZAP // //

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