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Instagram pode fazer mossa. E-mails de Zuckerberg revelam plano para neutralizar concorrentes

Mandel Ngan / EPA

Mark Zuckerberg

No final de fevereiro de 2012, Mark Zuckerberg enviou um e-mail ao seu diretor financeiro, David Ebersman, no qual admitia a possibilidade de comprar concorrentes mais pequenos, como o Instagram e o Path.

Em 2012, o Facebook fez uma das aquisições mais importantes da sua história: comprou o Instagram por mil milhões de dólares, num investimento que acabou por se revelar extremamente barato.

Agora, oito anos depois, foram revelados e-mails que indicam que o CEO da rede social, Mark Zuckerberg, queria, mais do que agregar valor à sua empresa, eliminar um potencial adversário do mercado.

O The Verge tornou públicos os e-mails trocados entre Mark Zuckerberg e David Ebersman, diretor financeiro do Facebook na altura, nos quais o CEO dizia que redes sociais como o Instagram e o Path são “negócios nascentes que podem tornar-se disruptivos para nós”.

Ebersman mostrou-se receoso e indicou três motivos para realizar uma aquisição: neutralizar um competidor, o que seria desaconselhável porque poderia surgir outro para ocupar o seu lugar; adquirir talento para a empresa, o que parecia muito caro; ou integrar os produtos, a razão mais atraente se houvesse uma visão clara de como os serviços das duas redes se podiam complementar.

Zuckerberg respondeu que o interesse do negócio residia na primeira e terceira razões, o que põe a descoberto o plano para neutralizar um potencial rival. Na sua ótica, existe um efeito de rede nos produtos sociais e um “número limitado de mecânicas para inventar”, razões que fazem com que seja muito difícil destronar um serviço com um grande número de utilizadores.

Para o responsável do Facebook, o negócio servia para comprar tempo, permitindo a integração da aplicação no Facebook antes de um novo adversário surgir no ramo. Mais tarde, Zuckerberg enviou outro e-mail para tentar clarificar que “não queria dar a entender que queria comprar o Instagram para os impedir de competir”.

Esta quarta-feira, no Congresso dos Estados Unidos, Jerry Nadler, representante de Nova York do partido democrata, questionou diretamente o executivo sobre a compra do Instagram, entendida como uma ação monopolista. O fundador do Facebook defendeu-se, apontando que a aquisição foi uma aposta, já que havia outras aplicações semelhantes e promissores que acabaram por não se tornar a potência que o Instagram se tornou.

Um outro e-mail demonstra que Zuckerberg tinha consciência de que a compra de startups promissoras seriam uma mais-valia para o Facebook.

No mesmo ano, um engenheiro enviou-lhe um e-mail no qual garantia que Zuckerberg não teria de se preocupar com o Google+, descrito como um “clone de m****”. Já o Instagram e o Pinterest eram apontados como criadores de novos mercados.

Depois da compra do Instagram, Zuckerberg respondeu a este funcionário reforçando a sua opinião: “Lembro-me do teu e-mail sobre como o Instagram era a nossa ameaça, em vez do Google+. Estavas certo.”

  ZAP //

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