Imprensa oficial chinesa ignora resultado das eleições em Hong Kong

Jerome Favre / EPA

A ampla vitória dos candidatos da oposição nas eleições do conselho distrital de Hong Kong foi na segunda-feira ignorada pela imprensa chinesa, com apenas as edições em inglês a referirem uma votação “distorcida” a favor do campo pró-democracia.

A imprensa controlada pelo regime chinês, que no fim de semana apelou aos cidadãos de Hong Kong que fossem às urnas “dizer não à violência” com o voto nos candidatos pró-Pequim, absteve-se hoje de publicar os resultados eleitorais.

Na segunda-feira à noite, o jornal da noite na televisão estatal CCTV absteve-se de falar sobre as eleições em Hong Kong, enquanto o jornal oficial do Partido Comunista, o Diário do Povo, observou que as manifestações que assolam o território “perturbaram seriamente o processo eleitoral”, mas também sem detalhar os resultados.

A imprensa oficial de Pequim em inglês, que é voltada para leitores estrangeiros, preferiu desvalorizar o resultado. Num editorial, o jornal oficial China Daily considerou que as eleições foram “distorcidas por manobras intimidadoras” e “golpes”.

No seu serviço em inglês, a agência noticiosa China News Agency afirmou que a eleição para os conselheiros distritais foi “sabotada” por “manifestantes”. “A campanha de alguns candidatos patriotas foi gravemente interrompida”, garantiu a agência. “Um candidato foi ferido durante um ataque e o assédio aos candidatos patriotas continuou no dia da eleição”, acusou.

O jornal Global Times reconheceu que o resultado da pesquisa vai incentivar à “reflexão”, mas que não é necessário “interpretar demais a vitória” do campo pró-democracia. O jornal observou que, segundo o método de votação, este venceu “80% dos assentos com apenas 60% dos votos”.

Os partidos pró-democracia venceram pelo menos 388 dos 452 assentos, depois de não terem conseguido um único conselho nas últimas eleições locais, realizadas há quatro anos, enquanto os candidatos pró-Pequim caíram para 59.

Cerca de três milhões de pessoas votaram, quase o dobro do que em 2015, representando mais de 70% dos eleitores registados. Os resultados destas eleições são um indicador do amplo apoio aos protestos antigovernamentais que há seis meses atingem Hong Kong, apesar dos contornos cada vez mais violentos, com frequentes atos de vandalismo e confrontos com a polícia.

As manifestações iniciaram-se devido a um projeto de lei que permitiria extraditar criminosos para países sem acordos prévios, como é o caso da China continental. Apesar de, entretanto, retirado, o projeto de lei deu origem a um movimento que exige reformas democráticas e se opõe à crescente interferência de Pequim no território.

Os protestos em Hong Kong têm sido marcados por violentos confrontos entre manifestantes e a polícia, que tem usado balas de borracha, gás pimenta e gás lacrimogéneo. A 1 de julho, alguns manifestantes chegaram a invadir o Parlamento.

O dia em que se assinalaram os 70 anos da fundação da República Popular da China, foi um dos dias mais violentos desde o início das manifestações. Nesse dia, um estudante de 18 anos foi alvejado com balas reais. Dois dias antes, uma jornalista indonésia foi alvejada com uma bala de borracha no olho.

À semelhança de Macau, para a antiga colónia britânica foi acordado um período de 50 anos após a transferência da soberania para a China, mantendo um elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judicial, de acordo com a fórmula ‘um país, dois sistemas’.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Que grande bofetada levou o regime nojento da China! Agora, como bons trafulhas, estão desesperados em busca se desculpas para entrarem a matar! Continuem a cantar loas e financiar a este regime nojento, que teremos problemas maiores e não apenas em Hobg Kong, pois já anda a mostrar as garras a todos.

  2. Como qualquer país a sair de uma ditadura, a China está a criar uma classe média forte, para além do facto que ainda procura vingança pela época das guerras do ópio, onde os estados do oeste humilharam, colonizaram e escravizaram os chineses. Do ponto de vista deles, entendo embora me parece um passo atrás na evolução humana. Assim os chineses se auto-classificam de racistas

  3. Um regime comunista aceitar eleições livres, seria engraçado! E neste caso numa parte de território que pouco a pouco acabará por ficar dominado a 100% pela China, assim terminem os acordos que levaram à anexação do território por parte da China, o mesmo acontecerá a Macau.

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