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“Os hotéis estão sem qualquer faturação”. Setor em crise e sem acesso a lay-off simplificado

Em época de confinamento uma das áreas mais afetadas é a hotelaria. Seja pela proibição de circular entre ou concelhos ou o simples dever de estar em casa, o setor sente que está a afundar semana após semana. Os poucos hóteis abertos estão agora fechar e as previsões para os próximos meses são negras.

“Estamos a fechar as pousadas e ponderamos fechar mais hotéis. As reservas estão a desaparecer. Não há condições para haver hotéis abertos com as novas medidas”, disse José Theotónio, presidente executivo do grupo Pestana, ao jornal Expresso. “Já sabíamos que esta fase iria ser bastante grave, mas está a ser pior do que estávamos à espera“.

Com as novas restrições, o principal grupo hoteleiro de Portugal já fechou a Pousada da Serra da Estrela esta semana, vai fechar a de Estói, no Algarve, até ao final do mês e está a pensar encerrar pelo menos mais dois dos seus outros hotéis em Lisboa e em Sintra. “No Porto, temos uns clientes da TAP, de tripulações aéreas, o que permite ter o hotel aberto, se não já estava fechado”, refere José Theotónio.

O cenário é mesmo para o grupo Vila Galé, que mantinha abertos seis dos seus 27 hotéis do país, começou esta semana o processo de encerramento e fechou mais dois, continuando a ter a funcionar unidades em Lisboa, no Porto, em Vilamoura e na Madeira, mas com a operação reduzida a mínimos.

“Os hotéis estão sem qualquer faturação, o novo confinamento e as medidas recentes vieram agravar ainda mais a situação, pois deixamos de poder ter serviços como restaurante, o que prejudica seria­mente a nossa oferta”, adianta Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do grupo.

O segundo confinamento trouxe o paradoxo de os hotéis poderem funcionar mas os clientes não poderem lá ir, seja porque estão impedidos de circular entre concelhos, em horário de recolher obrigatório, ou simplesmente pelo dever cívico de ficar em casa.

Os hotéis podem estar abertos, mas não podem servir refeições aos hóspedes, sendo que estes só estão autorizados a comer no quarto e, além de encerrarem restaurantes e bares, são ainda obrigados a fechar a maioria dos seus serviços, como Spa ou ginásios.

No atual confinamento, os hotéis não foram obrigados a fechar portas, tal como ocorreu no estado de emergência em março do ano passado. Contudo, acabou por ser um presente envenenado, já que o lay-off simplificado desta vez só se aplica às atividades que foram encerradas por decreto do Governo, deixando assim de fora os hotéis.

“Fecham-nos o mercado e não nos põem na lista de ­apoios. Tiraram ao sector da hotelaria a possibilidade de ir ao lay-off simplificado, o sistema de incentivos que mais ajudou as empresas no anterior confinamento”, constata José Theotónio.

Também o administrador do Vila Galé reitera que “os apoios do Estado são cada vez mais críticos para se conseguir sobreviver durante este período”, e frisa que, apesar das condições adversas, “o grupo mantém-se empenhado em manter postos de trabalho, em dar formação às suas equipas e em ter as suas unidades prontas para a reabertura ainda este ano”.

Na região do Algarve, a associação hoteleira apela à aplicação imedia­ta do lay-off simplificado ao alojamento turístico, para ajudar ao pagamento de salários.

Com o surto a atingir níveis bastante altos todos os e novas variantes do vírus a espalharem-se pelo mundo, para os hotéis a retoma é cada vez mais incerta.

No entanto, o CEO do grupo Pestana espera que “a partir da primeira semana de abril, com a Páscoa, esperamos, de forma muito gradual e lenta, ver o mercado começar a mexer e podermos ter uma atividade mais significativa no segundo semestre, com algum mercado externo”.

  Ana Moura, ZAP //

 

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