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Governo de Hong Kong adia eleições devido ao “agravamento da pandemia”

Jerome Favre / EPA

A chefe do Governo de Hong Kong, Carrie Lam

A chefe do Governo de Hong Kong anunciou, esta sexta-feira, que as eleições legislativas, marcadas para o dia 6 de setembro, vão ser adiadas devido ao “agravamento da pandemia” de covid-19 na região.

É a decisão mais difícil que tomei nos últimos sete meses, mas temos de garantir a segurança das pessoas e que as eleições decorram de forma livre e justa”, afirmou Carrie Lam, em conferência de imprensa na região administrativa especial de Hong Kong.

Hong Kong tem vindo a registar um aumento de casos. Mais de metade do total de 3272 infetados foram registados desde o início de julho. Lam acrescentou que Pequim apoiou a iniciativa de adiar as eleições.

A decisão alimentou a revolta do movimento pró-democracia, que acusou a chefe do Executivo de usar a pandemia de covid-19 para se proteger de uma derrota nas urnas.

O adiamento das eleições para o Conselho Legislativo é anunciado um dia depois de as autoridades terem vetado 12 candidatos da oposição, entre os quais o dirigente do Partido Cívico, Alvin Yeung, e o líder estudantil Joshua Wong.

As desqualificações foram justificadas num comunicado em que o Executivo elaborou uma longa lista de motivos, incluindo o facto de alguns candidatos criticarem a lei de segurança ou recusarem reconhecer a soberania chinesa em Hong Kong.

Surpreendentemente, o Governo alegou mesmo que aqueles candidatos tinham de ser desqualificados porque queriam ganhar a maioria no LegCo (o Parlamento de Hong Kong).

Hoje, em conferência de imprensa, Wong disse que se trata de “uma caça às bruxas”, referindo-se à desqualificação das candidaturas dos membros da oposição democrática.

“Podem vetar-nos, deter-nos e meter-nos na prisão. Até podem desmarcar as eleições e criar outro Parlamento fantoche. Mesmo assim, a nossa voz vai continuar a ser forte. Impedir-me de me apresentar às eleições não vai fazer cair o nosso ideal democrático”, disse Joshua Wong, acrescentando que “este é, sem dúvida, o período mais escandaloso de fraude eleitoral na história de Hong Kong”.

  ZAP // Lusa

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