Greves na Saúde em maio adiam 18 mil cirurgias

Os trabalhadores do setor público da saúde iniciaram, esta quarta-feira, uma greve nacional de dois dias, paralisação convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (Sintap).

A greve abrange todos os trabalhadores da saúde, exceto médicos e enfermeiros, dos serviços tutelados pelo Ministério da Saúde, como hospitais ou centros de saúde.

O protesto pretende exigir a aplicação do regime de 35 horas de trabalho semanais para todos os trabalhadores, progressões na carreira e o pagamento de horas extraordinárias vencidas e não liquidadas.

O Sintap reivindica ainda a aplicação do subsistema de saúde ADSE a todos os trabalhadores e um acordo coletivo de trabalho para os trabalhadores com contrato individual de trabalho.

A paralisação começou hoje às 00h00 e prolonga-se até às 24h00 de quinta-feira. Segundo o secretário-geral do Sintap, José Abraão, a adesão à greve no turno da noite era, até as 07h30 de hoje, superior a 70%.

As pessoas estão cansadas da forma injusta como o Estado gere os trabalhadores que têm uns 35 horas de trabalho outros 40 horas. Por outro lado, descongelaram as progressões nas carreiras faseadamente para os contratos de trabalho em funções públicas, mas os que estão a coberto do código do trabalho, contrato individual de trabalho, foram completamente abandonados”, disse.

“Alguns trabalhadores têm centenas de horas a crédito que provavelmente nunca mais vão gozar nem receber. Há um conjunto de questões que levou os trabalhadores a dizer ‘basta'”, disse.

Segundo José Abraão, hoje a greve será “muito expressiva, mas na quinta-feira será ainda maior”. “O Ministério da Saúde vai ter de ouvir e, ainda esta semana, reunir com os sindicatos para encontrar uma solução para este conflito”, sublinhou.

No dia 25 deste mês, os trabalhadores do setor da saúde voltam a cumprir um dia de greve, desta vez numa paralisação marcada pelos sindicatos afetos à CGTP. Na próxima semana, são os sindicatos médicos com uma greve de três dias 8, 9 e 10 de maio.

De acordo com o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), Alexandre Lourenço, em declarações ao Diário de Notícias, estes seis dias de greve vão provocar o adiamento de 18 mil cirurgias, ou seja, cerca de três mil operações que terão de ser reagendadas por cada dia de paralisação.

“E no primeiro trimestre já tivemos outros dois dias de greve”, recorda o dirigente da APAH ao jornal, acrescentando que com paralisações sucessivas será mais difícil compensar a atividade perdida. “Estamos num período de maiores dificuldades nos hospitais, com muitos feriados a meio da semana, com pontes, a que se juntam restrições na contratação de profissionais. Não sendo realizada agora, alguma desta atividade programada não será recuperada este ano”, explica.

Tal como o DN noticiou recentemente, em 2017, as paralisações no setor da saúde levaram à perda de 116 mil dias de trabalho, quando no ano anterior já tinham sido 68 mil.

ZAP // Lusa

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