Grécia nos limites joga com a saída do Euro

matthew_tsimitak / Flickr

Alexis Tsipras, primeiro-ministro da Grécia

O relógio corre contra a Grécia, mas o impasse nas negociações com a União Europeia prossegue e há rumores contraditórios. Se por um lado se diz que os gregos podem ceder, avalizando até um mau acordo para o país, para evitarem a bancarrota, há por outro a ideia de que o primeiro-ministro Alexis Tsipras está irredutível.

Crescem assim os receios de uma saída da Grécia da Zona Euro, sem que se possam prever as consequências efectivas de tal cenário. Mas se parece haver uma ampla maioria que defende que a saída será muito negativa, há vozes crescentes que vão defendendo esse cenário, particularmente na Alemanha.

O presidente francês, François Hollande, é dos que defende que “tudo tem que ser feito de modo a que a Grécia permaneça na Zona Euro”. E o governante deixa um alerta aos gregos, notando que há “pouco tempo” para alcançar  um acordo, desafiando o governo de Alexis Tsipras a apresentar “alternativas”, uma vez que não quer impor mais cortes ao povo grego.

O principal ponto de conflito é a reestruturação da dívida com os credores internacionais que exigem reformas e mais cortes na despesa ao governo grego, para libertarem mais ajuda financeira.

Alexis Tsipras já anunciou que o seu governo está a tentar alcançar um “acordo viável” de longo termo para pôr fim à crise.

“É crucial pôr fim a este ciclo vicioso e não ser forçado a um acordo que, daqui a seis meses, nos coloque na mesma situação”, frisou o primeiro-ministro grego, o que indicia a sua posição de irredutibilidade.

Em entrevista ao jornal alemão Bild, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, já garantiu também que não vai apresentar novas propostas no Eurogrupo, na próxima quinta-feira.

Os lideres dos partidos gregos To Potami e Pasok associam-se à pressão internacional e apelam ao governo para que chegue a um acordo rápido.

O líder do To Potami, Stavros Theodorakis, alerta que “a economia grega está desesperadamente perto dos seus limites“, considerando que os gregos estão “a sofrer com o adiamento constante de um acordo”.

Para o líder do Pasok, Fofi Gennimata, “será um desastre” se a Grécia não chegar a um entendimento com os credores.

Aquilo que parece certo, conforme deu conta o jornal The Guardian, é que o governo grego não vai pagar ao FMI os 1,6 mil milhões de euros devidos, até ao fim deste mês de Junho, se não chegar a esse acordo. E aí chegados, a saída da Zona Euro poderá ser o único caminho.

SV, ZAP

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8 COMENTÁRIOS

  1. Antes dos gregos, o comportamento dos representantes daquele povo não ficam a dever nada ao berço da democracia que apregoam. Arrogância de certa imaturidade e presunção de “esqª” levaram ao engano o próprio povo… Se não tens, se gastaste mais do que podias ou devias… Se tens quem de empreste, põe ordem na casa e antes de poderes pagar, pelo menos dá mostras que queres pagar… Os credores não adiantarão dinheiros para alimentar o ‘régabofe’ anterior!

    • O sistema está podre. Aliás, sempre o foi.
      A Humanidade está a chegar a um ponto sem retorno. Ou se começa do zero, ou perpetua-se a dívida para sempre.

  2. Apercebam-se de uma vez por todas: a Grécia é que a sabe toda!
    Acham que a Europa, FMI e companhia vão deixar a Grécia sair do Euro e acabar com a usura?! Nunca! Eles querem é perpetuar este sistema económico decadente!
    A Grécia sabe disso claro! Porque acham que jogam assim?!

    • Qualquer nova “ordem mundial” não evitará que se continue a ‘empurrar com a barriga’ – gastar mais do que produz – e acredite que os financiadores ou os da “usura” como lhes chama – já nos cobraram 11% e agora cobram próximo dos 0% ou 3% conforme maturidades – não se disponibilizam para emprestar e alimentar o régabofe daquelas contas públicas! Obviamente impõem regras, reformas que qualquer endividado bem intencionado reconhece ! Jogar com “berço da democracia” só mesmo de irresponsáveis chantagistas que se esquecem que na penúria até o povo português lá meteu dinheiros!
      Não se deixe guiar pela demagogia do “bom aluno”! Antes de poder pagar ao menos dêem sinais de o quererem fazer – Os do FMI Já foram convidados a “socorrerem-nos” por 3 vezes só depois daquele abril – E só agem por convite!
      NB.- FMI organização criada em 1944 homologada pela pela ONU, inicialmente com 45 países, Portugal incluído, integra hoje 188 países membros – pagam quota – não fazem parte a Coreia do Norte, Cuba e alguns ‘paraísos fiscais’.
      A sua criação surgiu pela necessidade de evitar “desvarios” de políticas económicas e o poder executivo integra 24 membros.

  3. pois é, para uns o mau é a Grécia para outros serão os ditos parceiros que emprestam dinheiro aos estados, mas então se o mundo esta a caminhar rapidamente para a centralização da riqueza, prespectiva-se que já no próximo ano 1% da população tenha mais de 50% da riqueza no globo terrestre como ficam os outros 99%, pois o jogo do monopólio já se joga em poucas mesas neste planeta e assim a caminha acabará numa só onde meia dúzia de ricaços joguem a vida de biliões de seres humanos, dá que pensar este capitalismo selvagem.

  4. O único problema é que quem está a ganhar com tudo isto é a Alemanha, que até hoje não cumpriu o maximo de 3% de deficite.
    Pelo que os que tem que sair do euro são a ALEMENHA e os que estão com ela.
    Ninguem poderá obrigar a Grécia a sair do Euro, é com isso que eles estão fincando pé e FAZEM MUITO BEM.

  5. Eu penso que a saída do Euro é a única alternativa que têm, onde nunca deviam ter entrado, dado que a zona euro sabia bem que eles não tinham condição para tal, penso que foi uma canalhice que lhes fizeram.
    Com a introdução de moeda própria, ficam limitados quanto às importações, que ficaram practicamente inacessíveis, o poderá ser bom, foi irá impulsionar a produção e industria interna.
    Convenhamos que pertencer a um clube onde o dinheiro mal chega para pagar as cotas quanto mais para usufruir, só porque é in, dá destes resultados, equivalente como ter um topo de gama mas estar parado por falta de dinheiro para combustível e a família a passar fome para pagar mensalidade.
    Bom Grexit

  6. Uns dos melhores oradores de Portugal vai “debitar” a convite do parlamento grego… É o Bloco radical a “advogar” em causa própria… Os tais que antes de lá terem um deputado defendiam a saída de Portugal (agora da Grécia também?) da União Europeia e do Euro.

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