Governo reconhece que subir salário mínimo prejudica emprego

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O primeiro-ministro, António Costa, com o ministro das Finanças, Mário Centeno

O aumento do salário mínimo poderá ter um ligeiro impacto negativo no mercado de trabalho, sendo provável que possa afectar a taxa de desemprego, reconhece ao Económico uma fonte do novo Governo.

Fonte governativa citada pelo Económico reconhece que há a convicção no seio do executivo de que o aumento do Salário Mínimo Nacional poderá ter um impacto negativo, ainda que ligeiro, nas perspectivas de criação de emprego.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, terá já tirado ele próprio conclusões sobre esse efeito, em estudos que desenvolveu sobre a matéria antes de chegar ao Governo.

De acordo com o Económico, uma subida do Salário Mínimo Nacional de 5%, que corresponde ao aumento de 505 para 530 euros que está em discussão, “provoca uma redução de 3% na probabilidade de manter emprego”.

A previsão faz parte das conclusões de Mário Centeno no livro “Trabalho, uma visão de mercado“, que o agora ministro das Finanças escreveu para a Fundação Francisco Manuel dos Santos.

No livro em causa, Mário Centeno defende ainda que o aumento do Salário Mínimo tem também um impacto negativo nos salários imediatamente acima da retribuição mínima mensal.

“Depois daqueles que perdem o emprego em consequência do aumento do salário mínimo, estes são os trabalhadores mais prejudicados pelo seu aumento”, consta no estudo de Centeno.

Por cada 1% de aumento do SMN, haverá uma redução de 0,1% no crescimento dos salários imediatamente acima.

“Será muito arriscado fazer subidas significativas no salário mínimo”,  diz João Cerejeira, economista especializado em assuntos do mercado de trabalho, ao Económico.

“Os estudos que fizemos não indicam que a subida do SMN provoque mais despedimentos, mas implicam menos contratações”, explica o economista.

O primeiro-ministro António Costa levou esta quarta-feira à concertação social uma proposta de aumento do SMN de 505 para 530 euros já em 2016.

A proposta do governo prevê uma subida do SMN para 530 euros em 2016 e aumentos progressivos nos anos seguintes, de forma a chegar 600 euros em 2019.

Segundo o DN, os sindicatos consideram a proposta insuficiente, enquanto as confederações empresariais pedem sobretudo prudência e contrapartidas do estado que compensem o aumento de custos que a medida provoca.

ZAP

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25 COMENTÁRIOS

  1. Ah ah ah! Eu que não tenho nenhum canudo nem estudos já tinha chegado a essa conclusão! Aliás todos caíram em cima do anterior governo quando ele sugeriu que para criar emprego era preciso descer aos ordenados. Agora vem estes senhores que senhores que prometeram subida do ordenado mínimo dizer que afinal a coisa é negativa e coisa e tal! Enfim…

    • Para ter emprego com baixos salários que apenas dão para “as sopas” e empregos de bandeja na mão e cabeça baixa a servir turistas, a amiga pode ir trabalhar para o Bangladesh onde, infelizmente, isso é a norma. Não quero isso para Portugal nem para os meus filhos.

      • Ela que vá mesmo, BLADE, e que seja lá muito feliz! Talvez o salário dela dê para pagar muitos ordenados mínimos e se diminua assim o desemprego por cá.

      • Pois será muito provavelmente isso mesmo que irá ter para os seus filhos ou melhor dizendo nem isso tão pouco, ficando-se mesmo por falta de trabalho como já existe para largas centenas de milhares de portugueses, olhe aconselho-a a emigrar com os seus filhos para a Coreia do Norte onde lá tudo é obrigatório e certamente lá encontrará trabalho mesmo que fique com ar de enjoada porque senão o camarada Kim-jong-un dá tau-tau e de que maneira aos desobedientes.

      • Pois eu também não, o problema é que com todo o tipo de medidas que aumentam a despesa publica vamos ter que pagar a curto prazo, este aumento será certamente negativo assim como outros, tipo feriados, é bom mas os trabalhadores contentes pagarão por isso a dobrar, e neste cenário económico o melhor era ter calma, mas como temos um governo cheio de pressa para causar mais problemas do que os que existem, siga para bingo.

    • Afecta uma ova!
      Não é por mais 25 € + 6,18 € para a Segurança Social que alguém deixa de admitir um trabalhador precisando dele…
      Vão-se catar!…
      Sou empresária e digo isto com conhecimento de causa…

  2. Queres ver que afinal são os alemães que ao contrário dos génios cá do estaminé repleto de sucessos nos seus quase 900 anos de história, afinal não percebem nada de macroeconomia ao instituirem o salário mínimo nacional e conseguiram criar cerca de 350000 postos de trabalho só e apenas proque os Deuses da fortuna estão com eles… eles têm que vir para cá aprender com os nossos sábios… sabem aqueles mais capazes de entre nós…

  3. e não subir o salário mínimo com os aumentos que houve neste ultimos 4 anos, prejudicou quem? e beneficiou quem? prejudicou quem trabalha e beneficiou quem administra o capital. Está visto e daqui se deduz que deverá ser actualizado e já..

    • És um génio, volta já para a lamparina porque, depois deste desejo, não realizas mais nenhum. Ou, se não quiseres voltar, candidata-te já à vaga que vai haver no Min. das Finanças.

  4. Pois… isto é tudo muito bonito, mas aumentar salários tendo em conta os níveis de produtividade nacionais… vai provocar o aumento do desemprego. As empresas não suportam aumentos salariais. Vão rebentar… E por outro lado, quando aumentarem os salários estão à espera de quê? Que aumente o consumo? Certo… de bens importados… e lá se vai a balança comercial. Quanto ao défice orçamental, deverá ser fácil mantê-lo abaixo dos 3% não desagravando muito os impostos e contando que a trajetória positiva da economia se mantenha (mais crescimento, mais receita fiscal para o mesmo nível de taxas). Quando a economia voltar a desacelerar… volta a troika. Vamos andar sempre nisto enquanto ninguém perceber que em Portugal as reformas e os salários que temos são insustentáveis. A nossa economia não produz para aquilo que todos auferimos. Está provado. Só não vê quem não quer.

  5. Pois é, os iluminados de esquerda, quiseram o poder a força e agora aos poucos vão dizendo ao zé povinho que afinal as coisas não são bem como pensaram ou seja BLÀ BLÀ BLÀ, o mesmo que o PS fez em anos anteriores…deitar as culpas ao anterior governo, enfim…quanto a alguns comentadores, gostava que abrissem uma empresa, criassem 100 postos de trabalho, para saberem quanto custa o aumento de 25€ por trabalhador e depois pensarem, em empresas que têm mais de 500 trabalhadores…!!! A Srª Empresária “EU MESMA”, deve trabalhar em nome individual, porque se tivesse mais de 100 funcionários não falaria dessa forma!!!
    Sónia Cunha, gostei do teu comentário e assino por baixo…

    • Pois sim uma empresa com mais de 100 empregados, e quantos milhares tem de lucro por ano uma empresa dessas ?
      Amiga para se ter 100 empregados só uma grande empresa e para os ter é porque tem muito lucro e sim para essas então é que não faz diferença alguma pois são apenas mais algumas saídas a menos para o golf.
      Agora para o simples trabalhador que ganhe o ordenado mínimo faz muita diferença.
      Até posso dizer mais uma empresa dessas normalmente até paga o ordenado mínimo e por fora o resto dos ordenados a quem recebe mais alguma coisa, sim ainda existem muitos assim e ai já não reclamam que estão a meter dinheiro ao bolso.
      Diferença faz sim talvez a quem tenha negócios com 3 ou 10 empregados e que andam sempre no limite das contas mensais agora empresas com mais de 100 empregados, poupe-me mas isso considero falta de respeito aos trabalhadores que ganham o ordenado mínimo ouvir dizer que empresas tipo continentes ou nos ou outros lhes vai fazer diferença .

  6. A rigidez no mercado laboral não é positiva para o emprego muito embora os partidários da esquerda queiram passar essa mensagem. Com dificuldade em despedir, dificulta-se a contratação de novos trabalhadores. Por que razão a maioria dos países com menores taxas de desemprego possuem flexibilidade laboral? Simplesmente porque qualquer empresário contrata um trabalhador, sabendo que com isso não estará a hipotecar toda a sua vida. Se encarecermos o custo do despedimento então preparemo-nos para ter empresas mais avessas à contratação. Tenho uma colega no Canadá há mais de 10 anos. Nunca esteve desempregada e nunca teve um contrato superior a 1 ano. E ganha bem. E escusado será dizer que não pretende voltar. É a precaridade… neste caso parece que é boa…e que funciona… Será que nunca ninguém parou para pensar que não podemos ter os trabalhadores com todas as garantias deste mundo quando as próprias empresas e os seus empresários não as têm!
    O discurso da esquerda já deveria ter evoluído, porque o mundo esse evoluiu, e muito, desde Karl Marx, Engels, e até Keynes. Hoje mais do que discutir a relação empresário vs trabalhador, a esquerda deveria centrar-se na relação das grandes multinacionais com os estados e com as pequenas empresas. É aqui que tem de se encontrar um novo equilíbrio de forças. De nada vale exigir tudo das empresas (e refiro-me aqui àquelas que não gozam do estatuto de multinacionais, mas que representam praticamente 99,99% do tecido empresarial nacional) porque ao fazê-lo apenas contribuirão ainda mais para o seu definhamento e para o aumento do desemprego.

    • Sim aqui concordo com algumas coisas pois se um empregado é bom terá sempre o seu lugar garantido mesmo com contratos de 1 ano mas sou contra por exemplo uma empresa passar a vida a empregar e desempregar só para ter benesses do estado indo ao fundo de desemprego como tenho visto muito por ai.

  7. Caro João. Refere no seu último comentário:”…Pois sim uma empresa com mais de 100 empregados, e quantos milhares tem de lucro por ano uma empresa dessas ?”… Pessoalmente conheço muitas, até com bem mais de 100 trabalhadores, que não dão lucro nenhum, apenas prejuízo. E outras esforçam-se, consideravelmente, para poder apresentar um resultado líquido positivo… ainda que muito envergonhador. Se conhecesse efetivamente a realidade que discute surpreender-se-ia… e muito. Lanço-lhe um primeiro desafio. Aceda às contas das empresas que refere (na casa dos 100, 200, 300 trabalhadores) e veja com os seus próprios olhos a imensa riqueza que diz que geram. Não fique depois traumatizado com o que vir. Baixe as expetativas que assim a desilusão será menor. Segundo desafio: crie uma empresa sua, empregue trabalhadores, pague as contas todos os meses (embora não receba dos seus clientes), pague ao estado o IVA que ainda não recebeu (muito embora o estado depois fique a dever-lhe o seu IVA por vários e meses), pague ao estado o pagamento por conta do IRC do ano seguinte (que em muitos casos é indevido)… e depois regresse à discussão.

    • Pois sim mas esses empresários tem casas de milhões e carros de milhares de euros e vão várias vezes ao ano fazer viagens de família bem caras, amigo posso lhe dizer que já passei por ter de me baixarem o ordenado enquanto empregado em 100 euros porque estava muito mau e depois no mês a seguir o patrão mudar de um a4 para um Mercedes de topo e um mês a seguir fazer uma viagem de 30 mil euros para toda a família, estamos a falar de baixar ordenado de apenas três trabalhadores faça a conta e veja quanto dava num ano, menos que os 30 mil que gastou na viagem, portanto lições de moral não são bem assim.
      Na maior parte das vezes o mal é que é muito mal gerido pois querem grandes vidas só porque são patrões, e antes de mais lhe digo que também sou actualmente empresário mas tenho um carro de 1600 euros e que prefiro pagar ao meu empregado do que ter um carro de 50 mil euros.
      Antigamente um empresário demorava muitos anos até ter algo de bom e hoje em dia querem logo ficar ou fazer vida de ricos no começo e é por isso que muitas morrem logo a nascença.
      Mais se tivesse uma empresa com mais de 100 trabalhadores que desse prejuízo duvido que estivesse aberta assim como duvido muito que algumas que tenham prejuízo seja esse prejuízo assim tão verdadeiro.
      Para finalizar não sou do ps nem do psd nem de qualquer outro apenas digo pela minha vivência que já passei e isto é o que eu acho, opiniões a muitas e respeito tanto umas como outras.

  8. ANDA TUDO DOIDO. Obrigado pelos seus comentários lógicos e discernidos. Subscrevo tudo o que disse porque é assim exactamente como eu penso. Infelizmente há ainda muito português pouco esclarecido. Tem de ser as filas de espera para o supermercado (como vimos na Venezuela) a mudar a opinião estas pessoas.

  9. Mas só para acabar em relação aos empresários que hoje se queixam tanto, quem não se lembre da mudança do escudo para o euro pois nessa altura os ordenados foram convertidos sem qualquer aumento mas os preços de tudo subiram para o dobro e nessa altura não vi nenhum empresário se queixar, ora podiam ter amealhado para estas alturas difíceis mas não o fizeram porque quiseram viver a grande, mas pronto é como tudo na vida, de qualquer maneira como já disse hoje em dia sou empresário e vejo com preocupação a situação actual nas também sei como já fui empregado muitos e muitos anos que já vai para bastante tempo que estes não são aumentados e por isso deixo aqui umas perguntas aos empresários ?
    Quantos anos mais acham que seria ideal para se poder aumentar o ordenado mínimo?
    1,3,10,20,30 ou nunca

  10. Ora aqui está já uma previsão totalmente contrária às certezas que ainda há bem pouco tempo tinham e serviram de bandeira entre outras para fazer propaganda politica e atacar constantemente o governo anterior, agora sobretudo o senhor Centeno tido como o cérebro infalível de toda esta manobra como se de um super-sábio vindo de algum planeta de super-homens “mais ou menos assim tem sido considerado por alguns analistas da nossa praça”, começa a reconhecer aquilo que qualquer analfabeto compreende e por este andar em breve vai perder o seu sorrisozinho angélico que tanto o caracteriza; o que revolta mais no meio de tudo isto é vermos como há políticos capazes de dizerem tanta mentira mais do que evidentes para ganharem votos e haver tanto parolo a acreditar religiosamente.

  11. Tudo bem, e em que medidas se reduz a despesa publica?, querem aumentar os ordenados mínimos, sem duvida que é merecido, agora um governo responsável sabe que tem uma despesa publica exagerada, mas quer mostrar ao povo que não votou nele que são heróis, eu já sabia que este governo faria o país voltar para trás, pois sem milagres lá se vão os heróis.

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