Expressões neutras e imagens de homens e mulheres. Governo quer militares a usar linguagem inclusiva

Mário Cruz / Lusa

O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho

O Ministério da Defesa quer que os militares comecem a usar uma linguagem mais inclusiva e menos discriminatória nos documentos e comunicações oficiais, de acordo com uma diretiva enviada Estado-Maior-General das Forças Armadas e aos três ramos militares.

De acordo com a TSF, o documento de 16 páginas explica que, “na língua portuguesa, é comum o recurso à utilização do género masculino para designar as pessoas de ambos os sexos, o que gera indefinições quanto às pessoas, homens e mulheres a que se refere, e torna as mulheres praticamente invisíveis na linguagem”.

Por essa razão, nos documentos oficiais, aconselha-se estratégias de “neutralização ou abstração” e da “especificação” – ou seja, que se optem por expressões neutras.

A TSF exemplifica, escrevendo que “o coordenador” deverá transformar-se em “a coordenação” e “os participantes” em “quem participa”. A expressão “sejam bem-vindos” deverá ser substituída por “boas vindas a todas as pessoas” e “nascido em” por “data de nascimento”.

Além disso, em vez de “não recrutará um candidato que…” deverá utilizar-se “não recrutará alguém que…” e um “obrigado pela sua colaboração” pode ser substituído por “agradecemos a sua colaboração”.

Já a especificação do género deve ser privilegiada nomeadamente nos textos relativos a recrutamento de pessoal, formulários administrativos ou alocuções em textos em que o orador pretende vincar que se dirige a homens e mulheres. Aqui devem ser utilizadas ou as formas duplas (“Estas instalações destinam-se a alunos e alunas…”), a menção “m/f” ou o uso de barras (“O/A”).

A diretiva diz respeito a todos os documentos de cariz oficial, como “decisões de dirigentes e chefes militares e respetivas comunicações internas e externas, incluindo ofícios” ou “documentos relativos ao recrutamento e à gestão de pessoal”.

A comunicação e relações públicas deverá também ser neutra, incluindo na escolha das imagens a usar: devem refletir a diversidade e mostrar homens e mulheres a trabalhar em conjunto.

O objetivo é, segundo a TSF, “salientar a importância para a utilização de linguagem sensível ao género, dar a conhecer exemplos práticos que previnam a utilização de linguagem discriminatória e contribuir para a eliminação dos estereótipos existentes”.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Já agora quero deixar algumas sugestões para a inclusão nas Forças Armadas. Refere o artigo que “O Ministério da Defesa quer que os militares comecem a utilizar uma linguagem mais inclusiva…” Então e as militares também não devem utilizar linguagem mais inclusiva? Não percebo como se quer ser tão neutro e depois logo na primeira frase se utiliza uma expressão onde apenas cabem pessoas do sexo masculino! OS MILITARES? E AS MILITARES, NÃO? Então sugiro que em vez de “o exército” se diga “a exércita” em vez de “o pelotão” se diga “a pelotona” em vez de “o regimento” se diga “a regimenta” em vez de “o cabo” se diga “a caba”, em vez de “o soldado” se diga “a soldada”… etc, etc, etc. Vamos todos (desculpem), vamos todas contribuir para a inclusão.

    • em alguns aspectos concordo consigo
      mas ha termos militares que têm o masculino e o feminino. qual vamos usar?
      se vamos usar o masculino nao estaremos a menosprezar o feminino?
      pelo que sei, na questao dos postos o exercito so usa o masculino havendo tambem o feminino (capitao/capitã, general/generala)
      é complicado nao se usar os dois termos

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