Governo já pagou o arranjo dos Kamov, mas estes não vão voar

Nuno André Ferreira / Lusa

Aos Kamov falta uma peça importante para a segurança da aeronave, que pode custar cerca de “75 mil euros”. O contrato manda que seja a Everjets a pagar esta fatura.

O Público avança hoje que os três Kamov do Estado estão parados há três meses no hangar de Ponte de Sor e não deverão voltar às pistas a tempo da época de incêndios, apesar de já terem sido inscritos, pelo ministro da Administração Interna, na lista das aeronaves que vão combater os incêndios este verão pelo Governo.

Em janeiro, o Estado terá pago à Everjets o valor das peças em falta para a reparação, mas agora surge um novo problema, para o qual nem a Proteção Civil conseguiu arranjar solução.

Aos três helicópteros pesados do Estado falta uma peça que compromete a segurança da aeronave, o System Control PC-60, que custa, de acordo com a Everjets, “cerca de 75 mil euros”, mas que pode chegar aos 300 mil euros.

O contrato assinado entre a Everjets, empresa responsável pela manutenção dos helicópteros, e o Estado dita que a fatura destas peças fique toda do lado da empresa. No entanto, sobre a Everjets, os concorrentes dizem que está em dificuldades financeiras e que vendeu, no último mês, alguns helicópteros para fazer face aos problemas.

O presidente da empresa, Ricardo Dias, nega as dificuldades.

De acordo com o Público, desde a assinatura do contrato entre o Estado e a Everjets, em 2015, a empresa é responsável por todas as fases da cadeia, ou seja: é responsável por operar os aparelhos, por assegurar a sua manutenção e ainda tem de garantir as condições totais de aeronavegabilidade, sem as quais a ANAC não atribui licenças de voo.

“Ao contrário do anterior contrato, em que o Estado pagava mais por hora de voo do que paga agora pela operação e manutenção, neste contrato as peças também estão incluídas”, admite a empresa.

A peça que está no centro da discórdia é, para o regulador da aviação civil, uma peça importante em termos de segurança e o facto de o seu prazo de validade ter expirado não dá garantias aos técnicos nem à administração do regulador de que os riscos de segurança/acidentes estejam completamente afastados.

A Autoridade Nacional de Aviação Civil confirma que, para dar a licença de voo aos três helicópteros pesados do Estado, precisa de uma de duas soluções. Ou os helicópteros recebem as peças novas, ou a sua congénere russa assume responsabilidade pela utilização das peças atuais e fora do prazo de validade

Em relação a este ponto, a Everjets justifica que a “autoridade russa já esclareceu há alguns meses que a autorização para o prolongamento de vida das peças é da responsabilidade da KAMOV JSC”, ou seja, do fabricante.

De acordo com a Everjets, os representantes da KAMOV estiveram em Portugal para validar a manutenção dos helicópteros, mas foram expulsos no dia 28 de março, quando a ANPC decidiu selar as instalações de Ponte de Sor alegando que estavam a ser desviadas peças.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Quanto a mim o melhor caminho a dar-lhes é um museu com a devida informação ao público do melhor negócio feito pelo Estado Português em que toca a helicópteros.

  2. nao sei porquê mas ja vi que no fim disto tudo as empresas de manutençao tiram o “cavalinho” da chuva e vao ser os contribuintes a pagar a factura
    sendo assim, devemos ter os helicopteros la para o invermo do ano que vem (quando nao fazem falta). mas o melhor é manda-los para a sucata.
    será que nao ficaria mais barato equipar os c130 com os kit e po-los a apagar os fogos?
    pelo que ja ouvi, sao os pilotos da força aerea com formaçao em fogos que andam a pilotar os avioes civis.
    porque nao juntam o utl ao agradavel e assim poupava-se algum dinheiro, a nao ser que haja interesses monetarios por tras destes negocios

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