“Governo nunca baixou os braços”, mas houve “falhas” nos lares. Duas ministras a uma só voz

António Pedro Santos, António Cotrim / Lusa

As ministras Marta Temido e Ana Mendes Godinho foram ao Parlamento deixar a mensagem de que houve “planeamento” e colaboração entre ministérios e entidades públicas nos surtos de covid-19 em lares de idosos que mataram várias pessoas. “Em cada uma destas mortes sentimos que falhávamos um pouco”, reconheceu, contudo, a ministra da Saúde.

Marta Temido e Ana Mendes Godinho, respectivamente ministra da Saúde e ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, foram chamadas ao Parlamento para dar explicações nas Comissões de Saúde e de Trabalho e Segurança Social no âmbito das mortes num lar de Reguengos de Monsaraz.

Uma iniciativa de PSD, CDS e PAN que levou as duas ministras a alinharem num discurso que reforça a ideia de que houve coordenação governamental para “planear, programar, antecipar e identificar problemas, e encontrar medidas de reforço para prevenir surtos” perante uma pandemia para a qual “ninguém estava preparado” e “os lares também não”, como vincou Ana Mendes Godinho.

“Temos 2.527 lares que têm 99.500 pessoas, 60% têm mais de 80 anos e, neste momento, temos 35 surtos activos em todos os lares em Portugal”, revelou ainda Ana Mendes Godinho que, por três vezes, quis garantir que “o Governo não baixou os braços”.

A ministra da Segurança Social também frisou que se realizaram 117 mil testes de covid-19 a trabalhadores “num programa percursor a nível mundial” e que foram distribuídos 1,3 milhões de equipamentos de protecção individual, além de terem sido canalizados para as instituições financiamentos extraordinários de 10 milhões de euros.

Ana Mendes Godinho também apontou a contratação de “oito mil recursos humanos” com a colaboração da Cruz Vermelha Portuguesa e de voluntários através do Instituto do Emprego e Formação Profissional.

Logo a partir de Março houve “a preocupação de criar uma task force para acompanhar a situação e para a implementação de programas integrados de prevenção”, frisou também Ana Mendes Godinho.

“Aprendeu-se muito e de uma forma pesada”

No decurso da audição, Marta Temido chegou a reconhecer falhas nos lares. “Em cada uma destas mortes sentimos que falhávamos um pouco“, realçou a ministra da Saúde, considerando que “aprendeu-se muito e de uma forma pesada”.

Temos de ser melhores para a próxima e é isso que estamos a fazer”, prometeu também Marta Temido.

A ministra da Saúde considerou ainda que houve uma acção governamental “bastante assertiva e de articulação” na resposta aos surtos nos lares. “Nunca deixámos de planear e de articular respostas”, vincou.

Perante os deputados, Marta Temido realçou medidas como a suspensão das visitas aos lares logo em Março, ainda antes da declaração do Estado de Emergência.

“Como é possível que continuemos a ter lares ilegais?”

Antes das intervenções das ministras, a deputada do PSD Clara Marques Mendes sublinhou que “é fundamental que os portugueses conheçam a verdade” sobre o que aconteceu no lar de Reguengos depois do “alarme social” gerado.

“Como é possível que continuemos a ter lares ilegais, sem condições para acolher idosos, e o Estado nada faça”, perguntou ainda Clara Marques Mendes.

O deputado do CDS João Almeida considerou, por seu turno, que o que se passou em Reguengos “gerou a maior perplexidade”, exigindo o apuramento de responsabilidades.

“Sabemos que têm a confiança política do primeiro-ministro, mas isso não chega para os portugueses. Precisamos de saber se têm a confiança do país”, acrescentou João Almeida.

Em nome do PCP, o deputado João Oliveira apontou que o caso de Reguengos é a “demonstração extrema dos problemas estruturais, das dificuldades concretas, da desadequação do modelo e do insuficiente controlo por parte do Estado” nos lares.

“A combinação da escassez de oferta apoiado pelo Estado e o preço da resposta dos privados faz com que se multipliquem os lares ilegais”, atirou o deputado José Soeiro do Bloco de Esquerda, queixando-se da falta de escrutínio à qualidade dos serviços prestados pelas instituições particulares de solidariedade social.

Bebiana Cunha, deputada do PAN que interveio na sessão por video-conferência, questionou que tipo de medidas “estão a ser tomadas para impedir que estes episódios se venham a repetir”, concluindo que “os nossos idosos continuam a não ser devidamente protegidos” e que há “um empurrar de responsabilidades entre as diversas entidades”.

Linha telefónica disponível 24 horas para apoio a lares

Durante a sessão no Parlamento, ficou também a saber-se que o Governo vai criar uma linha telefónica de apoio aos lares a funcionar 24 horas por dia e avançar com testagem a covid-19 de trabalhadores por níveis de risco.

O anúncio foi feito pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Na sua intervenção, Ana Mendes Godinho apontou ainda que está previsto um reforço das 18 brigadas de prevenção espalhadas por todos os distritos do país.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Pela primeira vez assumem que houve falhas nos Lares. Antes tarde que nunca.
    Houve falhas e não foram pequenas.
    As medidas que agora dizem estar a tomar, já deveriam existir desde Março.
    40% das mortes Covid são de idosos dos Lares.
    Um dia vão também assumir que não tomaram as medidas necessárias para evitar a propagação da pandemia nos transportes públicos.

  2. Estudos recentes indicam que as mulheres líderes nesses assuntos são melhores do que os homens. No entanto, temos três senhoras na área da saúde que estão sempre a falhar. Por que não nos concentramos e julgamos homens e mulheres por suas qualificações em vez de gênero?

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