“Não tem salvação”. Governo culpa gestão da Dielmar (e garante que não vai investir mais na empresa)

António Cotrim / Lusa

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira

O Ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, disse que a Dielmar “não tem salvação” e indicou que o Estado não tenciona investir mais dinheiro na empresa de vestuário, culpando a equipa de gestão.

“Mais de 8 milhões de euros públicos já estão a apoiar a empresa e, portanto, não vale a pena meter dinheiro bom, dinheiro fresco, em cima de uma empresa que, neste momento, não tem salvação”, declarou o governante, em conferência de imprensa no Aeroporto da Madeira, pouco antes de deixar a região.

Pedro Siza Vieira realçou que o Executivo está empenhado em assegurar “novos destinos” para os ativos da empresa, nomeadamente para os cerca de 300 trabalhadores.

“É isso em que o Governo vai trabalhar”, disse, reforçando: “Já procurámos, ao longo deste último ano, encontrar investidores que estivessem interessados na empresa, mas dado o elevado endividamento e dada também a situação da gestão muito pouco clara não foi possível encontrar isso”.

O ministro da Economia vincou que o Estado está empenhado em “encontrar um novo destino” para a Dielmar em “mãos mais capazes“.

“Neste momento, os trabalhadores têm os contratos em dia, declarada a insolvência, mantêm-se os contratos de trabalho, e, portanto, nós precisamos é agora de trabalhar muito depressa com todos os credores no sentido de encontrarmos a melhor solução para a empresa”, disse.

E reforçou: “Os dinheiros públicos servem para apoiar empresas, para salvaguardar os ativos das empresas, não servem para salvar empresários”.

O governante sublinhou que a empresa apresenta resultados negativos há mais de dez anos, inclusive em 2019, antes da pandemia, pelo que “muito provavelmente o tribunal vai declarar a insolvência”. O pedido de insolvência será decidido pelo Tribunal do Fundão.

“Agora, vamos gerir esta situação de insolvência, no sentido de encontrarmos eventualmente novas entidades que sejam capazes de dar um destino útil à empresa, de assegurar uma gestão operacional capaz”, disse, salientando que o Governo está “absolutamente disponível” para assegurar uma “melhor gestão” e a salvaguarda dos postos de trabalho.

Pedro Siza Vieira esclareceu que o Estado acompanha a situação da Dielmar há mais de uma década, tendo assegurado a sua capitalização, primeiro com 30% do capital social e, depois, em 2017, adquirindo os imóveis por 2,5 milhões de euros.

“O Estado garante também uma parte muito substancial da dívida da Dielmar, mais de 3,2 milhões de euros”, disse.

De acordo com o Público, o Fundo Autónomo de Apoio à Concentração e Consolidação Empresarial (FACCE) e o Fundo Imobiliário Especial de Apoio às Empresas (FIEAE), dois fundos públicos, entregaram à Dielmar, sob a forma de capital, suprimentos e leasing imobiliário, 2,7 milhões através do FACCE, entre 2011 e 2013 e 2,5 milhões através do FIEAE, em 2017, numa operação de venda do imobiliário, de que a empresa continuou a usufruir através do leaseback.

Em 2020, segundo o Governo, “foram consideradas esgotadas todas as possibilidades de reestruturar a empresa – ou até mesmo assegurar a sua transição, total ou parcial”.

Por isso, “o FACCE exerceu, em abril de 2020, a opção de venda tendente ao desinvestimento na Dielmar, ao abrigo do Acordo Parassocial, pelo montante de 3,28 milhões de euros”.

“Desde a entrada do FACCE no capital, a empresa nunca apresentou resultados líquidos positivos”, referiu o ministério da Economia.

Fundada em 1966 por quatro alfaiates da vila de Alcains, a empresa apostava na alfaiataria masculina, e chegou a ser conhecida como a “Hugo Boss” portuguesa.

A empresa de vestuário tinha cerca de 300 trabalhadores e anunciou na segunda-feira ter pedido a insolvência ao fim de 56 anos de atividade – uma decisão que a administração atribui aos efeitos da pandemia da covid-19.

Em comunicado, a administração diz que a empresa “após ter ultrapassado várias crises durante 56 anos”, sucumbiu à pandemia da covid-19, “contaminada por um conjunto de situações que foram letais”.

“Esta crise atacou, globalmente, o que de melhor sustentava a sua atividade: o convívio social, os eventos e casamentos, com a elegância, o glamour da alfaiataria por medida e a personalização em que nos especializamos, e o trabalho profissional no escritório, que eram a base fundamental do negócio da Dielmar”, sublinha a empresa.

ZAP // Lusa

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9 COMENTÁRIOS

  1. Empresas destas têm mesmo é que fechar!…
    O Estado já ajudou demais e o resultado da gestão está à vista.
    Espero que haja outros empresários mais competentes a aproveitar os activos onde o Estado já investiu muitos milhões.

  2. Ver na televisão uma senhora a gritar, possivelmente do sindicato, possivelmente da Intersindical, dizendo que a empresa é viável e tem de manter todos os postos de trabalho, depois de saber que a empresa vive á dez anos com os dinheiros Públicos e de credores, é caso para ajuizar da qualidade dos sindicatos, e das pessoas que defendem os Trabalhadores (ao serviço de um qualquer partido politico), Os trabalhadores deviam de aconselhar a senhora a guardar os gritos e reunir com o governo apoiando e ajudando a encontrar investidor, e consequente garantia dos postos de trabalho tão necessário para aquelas famílias locais, ao invés de estar a assustar e dar maus sinais a qualquer investidor que possa estar interessada.

      • Não os posso deixar em Paz enquanto que com o comunismo e seus sindicatos satélites não nos deixarem em Paz também, que com o apoio do PCP e BE pedem muito, exigem que o Estado fique com as empresas para logo de seguida, depois dos portugueses porem lá o dinheirinho começam a entrar em greves a brincar com o zé povo, como está acontecer com os transportes públicos, a TAP, a CP etc.

  3. Este filme já cansa de tão repetitivo. Quando dão lucros, fogem com o ku á seringa, no que respeita o pagamento de impostos, eventualmente mudando a sede da empresa para países onde pagam menos. Quando dão prejuizo, mesmo resultante de gestões incompetentes ou desonestas, exigem ajuda do estado (todos nós).

  4. É pena que esta atitude (que é certa e competente… mesmo para este governo de treta!) não seja igual perante outras empresas em situação semelhante (TAP, EFACEC, etc.)

  5. Gestores destes existem aos magotes. Quando da reestruturação de qualquer empresa só sabem reduzir despesas com a eliminação de postos de trabalho na área da produção, as batas brancas, ou seja, os quadros superior, que é a que mais despesa dá ás empresas e não produzem nada, esses são mantidos com todas as mordomias.

  6. Só não percebo porque o mesmo critério não é aplicado em bancos e TAP e outros sorvedouros de dinheiro público. Mal gerido privado, falência. Mal f«gerido público, punição aos gestores. E não bónus de milhões…

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