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Empresa de vestuário Dielmar sucumbiu à covid-19 e pediu insolvência

A empresa de vestuário Dielmar, com sede em Alcains, Castelo Branco, e cerca de 300 trabalhadores, pediu a insolvência ao fim de 56 anos de atividade, uma decisão que a administração atribui aos efeitos da pandemia de covid-19.

Fundada em 1966 por quatro alfaiates da vila de Alcains, a histórica empresa apostava na alfaiataria masculina e chegou a ser conhecida como a “Hugo Boss” portuguesa, escreve o jornal Público.

Em comunicado, a administração diz que, “após ter ultrapassado várias crises durante 56 anos”, a empresa sucumbiu à pandemia da covid-19, “contaminada por um conjunto de situações que foram letais”.

“Esta crise atacou, globalmente, o que de melhor sustentava a sua atividade: o convívio social, os eventos e casamentos, com a elegância, o glamour da alfaiataria por medida e a personalização em que nos especializamos, e o trabalho profissional no escritório, que eram a base fundamental do negócio da Dielmar”, sublinha a empresa.

No comunicado, a empresa sublinha que os últimos 16 meses foram “longos e duros” e que fez “um esforço imenso e solitário” para conseguir sobreviver e manter os atuais cerca de 300 postos de trabalho.

“Por isso, não podemos deixar de dar uma palavra de gratidão os nossos trabalhadores, que estiveram sempre ao lado da empresa e do nosso lado, a lutar diariamente connosco pela sobrevivência da empresa, com um imenso empenho e dedicação”, afirma o conselho de administração.

Sublinha igualmente que a indústria criada pelos fundadores da Dielmar há 56 anos “criou milhares de empregos, formou milhares de pessoas, gerou uma imensa riqueza para a região e para o país e levou o nome de Portugal pelo mundo”.

Honramos a história da Dielmar e a memória dos seus fundadores, porque a Dielmar pagou pontualmente até à data os salários aos seu trabalhadores e manteve, durante mais de cinco décadas, a prosperidade e a tranquilidade de muitas famílias em Alcains e nas terras em redor”, lembra.

A empresa lamenta a decisão, frisando que tem ainda “maior preocupação” pois sabe “o quanto a desertificação” afeta a região (Castelo Branco), “que se vê a braços com uma nova e forte redução populacional, conforme o demonstram os recentes censos”.

“Talvez a insolvência da Dielmar seja o alerta e o farol para que possam repensar com caráter de urgência o interior e apoiar as indústrias que ainda aqui existem e que suportam, há décadas, a fixação das pessoas e a economia e equilíbrio social da região. E que proporcionam, sobretudo, oportunidades de trabalho para as mulheres”, sublinha o conselho de administração da empresa.

Pede ainda que sejam tomadas “verdadeiras medidas e iniciativas a favor do interior”, para que todos estes trabalhadores “voltem a poder ter o seu emprego aqui e não tenham que sair da sua terra para trabalhar”.

“Ficam a marca e o know-how da Dielmar, as instalações e os equipamentos fabris e a vontade de trabalhar destas gentes que – porventura com a “bazuca” que um dia certamente chegará à economia do interior para promover a retoma – possam ainda ter uma segunda oportunidade e dar mais 50 anos a este projeto empresarial”, realça.

“A insolvência abrirá novas oportunidades que, terão certamente a mobilização e apoio do próprio estado e da autarquia e, poderão proporcionar o ressurgimento da empresa e a manutenção dos seus atuais postos de trabalho”, acrescenta.

Em reação, o Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil da Beira Baixa pediu esta segunda-feira medidas para evitar a paragem da laboração na Dielmar, que garantam a continuidade da empresa e dos postos de trabalho.

“Não basta falar do interior, têm de ser tomadas medidas concretas para o interior, neste caso a continuidade da empresa e dos postos de trabalho”, salientou Marisa Tavares, dirigente daquele sindicato, alertando que a insolvência da Dielmar “coloca em causa não apenas a vida destes trabalhadores, mas também das respetivas famílias e de toda a comunidade”.

Esta segunda-feira decorre um plenário junto à porta da empresa para decidir eventuais ações para a manutenção dos postos de trabalho e o sindicato têxtil já fez uma comunicação à Câmara de Castelo Branco, presidida por José Augusto Alves, “para que faça junto das entidades competentes todos os esforços para a empresa continuar a laborar”.

Ouvido pela Lusa, o autarca fala de uma “situação trágica para o concelho”. “É, obviamente, lamentável chegarmos a este ponto. A Câmara Municipal tem estado sempre a acompanhar esta situação, no entanto, aquilo que não queríamos que acontecesse, aconteceu”, afirmou José Augusto Alves.

Concentração de trabalhadores

Entretanto, os trabalhadores da empresa anunciaram, através de uma dirigente sindical, que se vão concentrar na próxima segunda-feira junto aos Paços do Concelho de Castelo Branco.

“Os trabalhadores decidiram esta tarde em plenário fazer na segunda-feira uma concentração em frente à Câmara de Castelo Branco, às 15h00“, afirmou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Setor Têxtil da Beira Baixa, Marisa Tavares.

A dirigente adiantou ter sido informada de que esta semana o presidente da Câmara de Castelo Branco, José Augusto Alves, “vai ter uma reunião com o Ministério da Economia”, uma reunião também pedida pelo sindicato.

“Na segunda-feira, tentaremos perceber como decorreu a reunião com o presidente da câmara e reavaliaremos a situação, para tomar as medidas que forem necessárias na salvaguarda dos postos de trabalho“, acrescentou Marisa Tavares.

  ZAP // Lusa

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