Governo comprou software para controlar o SIRESP em 2015 mas nunca o usou

Nuno André Ferreira / Lusa

Helicóptero Kamov Ka-32A-11BC da frota da Protecção Civil no combate a um incêndio

“Software” que permitia monitorização em tempo real da cobertura da rede pela Proteção Civil por estar nas mãos do Ministério da Administração Interna.

A 11 de agosto, a Autoridade Nacional de Proteção Civi (ANPC) dirigia um ofício ao então secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, no qual pedia que as licenças de cliente Traces fossem “entregues de imediato ao seu proprietário, a Autoridade Nacional de Proteção Civil, para melhor monitorização e resposta do SIRESP”.

Segundo o Público, apesar de o software Traces ter sido adquirido pelo Governo em 2015, este nunca chegou a ser utilizado pelo principal cliente e comprador, a ANPC, por não lhe ter sido entregue pela Secretaria-geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI) a licença de utilização.

O uso deste software “habilitaria o comandante das operações de socorro de qualquer teatro de operações a ter informação fidedigna acerca da cobertura da rede SIRESP e de outra redes convencionais na zona”, permitindo, por exemplo, a escolha do local do posto de comando”, informa Joaquim Leitão, à data presidente da ANPC.

Em resposta ao jornal, a ANPC confirma que o Traces “nunca foi utilizado” e que “até à presente data, as referidas licenças não se encontram na ANPC”.

De acordo com Joaquim Leitão, terão sido as críticas feitas à Proteção Civil, aquando do incêndio de Pedrógão Grande, que motivaram o pedido feito em Agosto para que as licenças devidas fossem entregues àquela autoridade, já que há “decisões operacionais nos teatros de operações” que “têm de ser em cada um dos momentos sustentadas tecnicamente”.

Foi essa valência que levou a ANPC a comprar a aplicação, que consiste em “mapas de cobertura e é destinada a reforçar o serviço da rede SIRESP em situações de emergência”, como se pode ler no contrato de compra do sistema, em maio de 2015.

O software custou 200 mil euros e sete meses depois da sua compra (em maio de 2015), já com o atual Governo em funções, foi assinado o ato de entrega do produto, que viria acompanhado de duas licenças de utilização: uma para a ANPC, outra para a SGMAI. Mas as duas licenças terão ficado nesta última entidade.

ZAP //

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11 COMENTÁRIOS

  1. Para quê? Como era p/ vigiar o funcionamento dos “amigos” do Costa do Siresp não interessava. Assim ardeu o país, morreram pessoas, destruíram a zona Norte e CEntro e fica tudo como dantes, nesta terra e INERCIOS e de LORPAS.

    • O senhor (ou senhora) tem a noção que a trapalhada acima descrita, foi ainda na altura do Governo Passos/Portas, não tem? Gostava de sabewr então o que raio é que tem o Costa a ver com isto…

  2. Não pode ter sido por intenção, terá sido um desleixo, um processo deixado para acção em “melhores dias”. CULPADO (s) ???
    Já agora, seria interessante saber em que medida este “software” poderia ter contribuído para evitr ou minimizar os ENORMES danos de 2017,

  3. Com tanta noticia para comentar, como o caso da Legionella , em que já morreram duas pessoas, não há comentários fala-se no Siresp já temos comentários. Tenho lido os comentários que aqui são feitos e lamento que em pleno século XXI ainda haja pessoas com mentalidade da pré história são piores que os burros que usam umas pálas nos olhos para só olharem numa direção.
    Desde já aviso que não respondo a provocações, não percam tempo a responder. Tenho direito á minha opinião
    Tenho dito

  4. Como a compra deve ter sido feita pelo anterior governo o actual assim que o recebeu meteu-o na gaveta não viesse ele contaminado com alguma ideia mais avançada!.

    • Boa vaca voadora! Que maneira tão inteligente de ver (?) as coisas. O governo anterior faz merd… Pois, claro; está visto! Foi tudo culpa do governo… seguinte! Uma filosofia muito à frente “senhor” (ou “senhora”) vaca voadora.

      • Pois neste caso a sua filosofia é que é muito mais avançada, se se compra software para melhorar as condições de um serviço que já existe e se decide metê-lo na gaveta é muito mais proveitoso para o país quer em dinheiro atirado ao vento quer em melhoramento das condições de comunicação, bem visto da sua parte!.

        • Metê-lo na gaveta? tem toda a razão! O PS terá metido na gaveta, mas… o PSD/CDS também!!! Mal visto da visto pela sua parte.

  5. Eh pá… Afinal não é só o PS que faz merd… Não é só o PS que tem as mãos sujas de sangue com as mortes nos incêndios… Não é só o PS que desperdiça os dinheiro dos contribuintes… Ao menos o PS não se pôs a vender ao desbarato empresas a interesses estrangeiros…

    • Deixem-se de partidarismos…
      Não tem a ver com PS, PSD, CDS, PCP, BE ou quem quer que lá esteja.
      O que interessa é espremer o mais possível a teta do estado para os próprios bolsos, como aquele que em poucos anos “enviou” para a própria empresa contratos de consultoria por ajuste directo num total de 8 milhões…

      A culpa é nossa que votamos neles.

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