Quatro GNR arguidos no caso Tancos tinham processos disciplinares pendentes

Paulo Novais / Lusa

Militares à entrada dos Paióis Nacionais do Polígono Militar de Tancos

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) revelou, esta sexta-feira, que quatro militares da GNR envolvidos no caso de Tancos foram constituídos arguidos no âmbito de processos disciplinares.

“Encontram-se pendentes na IGAI quatro processos disciplinares nos quais foram constituídos arguidos militares da GNR agora acusados no processo crime” de Tancos, refere o organismo que fiscaliza a atividade das polícias, numa resposta enviada à Lusa.

A Inspeção-Geral da Administração Interna adianta que está “também pendente um processo de inquérito”. A IGAI indica ainda que no âmbito dos processos em curso “não foram aplicadas quaisquer medidas disciplinares”.

Seis militares da Guarda Nacional República foram acusados pelo Ministério Público de envolvimento no caso do furto e recuperação das armas do paiol da base militar de Tancos e entre os crimes estão a associação criminosa, tráfico e mediação de armas, falsificação ou contrafação de documentos, denegação de justiça e prevaricação e de favorecimento pessoal praticado por funcionário.

O MP requer como penas acessórias para estes seis arguidos da GNR a suspensão de funções e a interdição de uso e porte de arma. Entre os arguidos da GNR acusados no caso de Tancos estão um sargento, dois guardas, um tenente-coronel e dois coronéis.

O furto de material de guerra foi divulgado pelo Exército a 29 de junho de 2017. Quatro meses depois, a PJM revelou o aparecimento do material furtado, na região da Chamusca, a 20 quilómetros de Tancos, em colaboração de elementos do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé.

O MP acusou hoje 23 pessoas, entre elas o ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, no caso do furto e da recuperação das armas. Os arguidos são acusados de terrorismo, associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, abuso de poder, recetação e detenção de arma proibida.

O caso abalou as forças armadas, levou à demissão de Azeredo Lopes em 2018 e a polémica em torno do furto, tornado público pelo Exército em 29 de junho de 2017 com a indicação de que ocorrera no dia anterior, subiu de tom depois da, aparente, recuperação do material na região da Chamusca, no distrito de Santarém, em outubro de 2017, numa operação da Polícia Judiciária Militar (PJM).

Nove dos 23 arguidos são acusados de planear e executar o furto e os restantes 14, entre eles Azeredo Lopes, da encenação que esteve na base da recuperação do equipamento.

// Lusa

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