O gelo da Lua pode estar a ser protegido por “escudos magnéticos”

NASA's Goddard Space Flight Center/Scientific Visualization Studio

A sonda LRO encontrou crateras brilhantes na zona do pólo sul da Lua – que correspondem a jazidas de gelo

Uma recente investigação sugere que as anomalias magnéticas da Lua podem servir como pequenos “escudos” magnéticos, protegendo a água congelada nas crateras lunares contra a ação do vento solar. 

Em 2018, os cientistas encontraram a primeira evidência de gelo na Lua, nomeadamente no interior das crateras dos pólos sul e norte. Segundo o Live Science, o gelo parecia ficar sempre nas sombras, tendo sobrevivido à ação da luz solar durante milhões de anos.

No entanto, apesar de ficarem protegidas da luz do Sol, as crateras não ficam livres de partículas eletricamente carregadas presentes, nomeadamente, no vento solar.

Como era expectável que o vento tivesse destruído o gelo já há muito tempo, os cientistas da Universidade do Arizona, nos Estado Unidos, produziram um mapa das anomalias magnéticas, formadas por campos magnéticos estranhamente fortes espalhados pelo polo sul lunar.

Estas anomalias, detetadas pela primeira vez durante as missões Apollo 15 e 16 na década de 1970, são consideradas vestígios do antigo escudo magnético da Lua, que terá desaparecido há milhares de milhões de anos.

As anomalias magnéticas sobrepõem-se a grandes crateras polares que se encontram na sombra permanente e podem conter antigos depósitos de gelo. De acordo com os investigadores, as anomalias podem estar a servir como pequenos escudos magnéticos que protegem o gelo de água lunar do constante bombardeamento do vento solar.

Estas anomalias podem desviar o vento solar“, disse Lon Hood, um cientista planetário da Universidade do Arizona, à Science. “Pensamos que podem ser bastante significativas para proteger as regiões permanentemente sombreadas.”

O segredo por trás da existência de gelo na Lua pode mesmo ser este. E, a confirmar-se, poderá transformar as crateras com anomalias em alvos interessantes para investigações e explorações futuras.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado no site da conferência Lunar and Planetary Science Conference.

  ZAP //

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