Em Gaza, o único espólio da guerra foi a paz que se seguiu

Abbas Momani / AFP

O cessar-fogo trouxe uma sensação de alívio à região de Gaza, mas, enquanto isso, fazem-se contas ao rasto de destruição deixado: quase 250 mortos e 1.900 feridos.

“Se há um inferno na terra, está na vida das crianças de Gaza”, disse António Guterres, na passada quinta-feira. O secretário-geral da ONU não podia estar mais certo: um em cada cinco mortos naquele território era menor de idade.

Entretanto veio o cessar-fogo, que poderá ter sido a única coisa benéfica a retirar de todo o conflito armado. O rasto de destruição é evidente e nem todos têm motivos para festejar.

Além dos 243 palestinianos mortos, a ONU conta 1.900 feridos, 260 edifícios arrasados ou danificados, entre os quais 33 escolas, seis hospitais e 11 centros de saúde, escreve o Expresso.

“A trégua armada não muda a ocupação ilegal e a negação dos direitos humanos a que os palestinianos estão sujeitos diariamente. Este status quo desumano tem de mudar”, disse o líder da Oxfam em Israel, Shane Stevenson.

Depois da entrada em vigor do cessar-fogo em Gaza, os pescadores estão de volta ao mar, escreve, por sua vez, a Euronews.

Combatentes do Hamas, de armas de assalto em punho, desfilaram este sábado em Gaza, com o líder do grupo a fazer a sua primeira aparição pública após 11 dias de guerra com Israel.

O desfile surgiu após o cessar-fogo que vigora desde sexta-feira e que interrompeu a quarta guerra entre Israel e os militantes islâmicos do Hamas (o movimento que governa a Faixa de Gaza) em pouco mais de uma década.

No domingo, dezenas de militantes do Hamas, vestidos com roupa de camuflagem militar, desfilaram na tenda de luto para Bassem Issa, um comandante morto nos combates, noticia a agência Associated Press (AP).

O principal líder do Hamas em Gaza, Yehiyeh Sinwar, prestou também homenagem ao comandante naquela que foi a sua primeira aparição pública desde o início da guerra.

A casa de Sinwar foi, tal como a de outras figuras do Hamas, bombardeada por Israel num ataque ao que se diz ter sido a infraestrutura militar do grupo.

O ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, afirmou que as figuras de topo do Hamas continuam a ser alvos.

O cessar-fogo em vigor desde sexta-feira colocou uma pausa na pior escalada de violência em Gaza desde 2014, tendo já provocado pelo menos 243 mortes, incluindo 66 crianças.

O Egito – com o apoio da Jordânia, dos Estados Unidos e da ONU – foi o principal mediador nas negociações de paz, sendo o único país que mantém canais diplomáticos abertos com ambas as partes.

Citado pela AP, um diplomata egípcio disse esta segunda-feira que duas equipas de mediadores estão em Israel e nos territórios palestinianos para continuar as conversações sobre o estabelecimento de um acordo de cessar-fogo a longo prazo.

As hostilidades tinham começado em 10 de maio com disparos de ‘rockets’ do Hamas contra Israel em “solidariedade” com as centenas de palestinianos feridos em confrontos com a polícia israelita na Esplanada das Mesquitas, terceiro local santo do islão junto ao lugar mais sagrado do judaísmo, em Jerusalém Oriental.

Após aqueles primeiros tiros de ‘rockets’, Israel lançou uma operação para “reduzir” as capacidades militares do Hamas, multiplicando os ataques aéreos na Faixa de Gaza, território sob bloqueio israelita há quase 15 anos.

Nos 11 dias de confronto, foram disparados mais de 4.400 foguetes desde Gaza contra Israel, que respondeu com mais de 1.600 ataques aéreos, tendo por alvo posições do Hamas.

A Faixa de Gaza é um território exíguo com dois milhões de habitantes, sob bloqueio israelita há quase 15 anos.

Daniel Costa, ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. O Hamas é quem tem as mãos manchadas de sangue das vítimas civis, ao instalar-se, esconder-se e atacar a partir de escolas, hospitais e outros edifícios civis. Vítimas civis só os ajudam na sua agenda mediática internacional como se tem visto e com terroristas na Europa a saírem também à rua. E que tal uma notícia também sobre os ataques e violência actual contra judeus na Europa e EUA? Pois, só se fosse por homens brancos…

  2. Israel pode não responder aos todos os desejos de um país aberto e democrático, mas está rodeada por gente que querem arrasar com ela.
    Em vez de trabalhar para uma vida melhor para as suas crianças, os palestinianos escondem a sua incapacidade em tudo menos gritar atras desta odio religioso ridículo.
    Francamente mete nojo ver estes oportunistas religiofanatas de terem familias enormes, suportadas totalmente por fundos europeias e depois de utilizar as próprias crianças como escudo. Selvagens

  3. “O CHORO DO GUTERRES” – Agora, não adianta chorar “pelo leite derramado”. É um ditado antigo e bastante atual. Seus amigos de Gaza estão a espera dos milhões de dólares para a reconstrução e ,obviamente, o Digno Secretário estenderá as mãos dando o sinal positivo, GUTERRES, mais uma vez escorrerão as “lágrimas de crocodilo”, do Nilo; os palestianos aguardam a benevolência da ONU e as rezas do Sumo Pontífice Francisco I , Primeiro e Único. É o que pensa joaoluizgondimaguiargondim — [email protected]….

  4. Aquela gente que vive amontoada em Gaza vive à custa de auxílio internacional e são todos instrumentalizados pela organização terrorista Hamas, alguém está a dar continuidade a esta organização à custa dos nossos impostos, irão repor de novo mais armamento e refúgios, e mais tarde provocarão uma vez mais Israel fazendo-se de vítimas como sempre.

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