Temido quer “ganhar tempo” para conter variante Delta. Em julho, serão administradas 130 mil doses por dia

Tiago Petinga / Lusa

A ministra da Saúde admitiu esta segunda-feira que a variante Delta do coronavírus SARS-Cov-2 se tornará dominante em Portugal e disse que a estratégia é acelerar a vacinação contra a covid-19.

“O que estamos a assistir é a uma predominância da variante (Delta, inicialmente detetada na Índia) na região de Lisboa e estamos a tentar que entre nas outras regiões do país numa fase em que as pessoas estão já mais protegidas pela vacinação. O objetivo neste momento é ganhar tempo para mais pessoas estarem vacinadas”, afirmou Marta Temido em declarações à margem da tomada de posse da nova direção da Associação Nacional de Farmácias (ANF), agora presidida por Ema Paulino.

“Estamos a fazer um caminho e precisamos de ganhar tempo para que novas variantes possam ser mais controladas”, disse Marta Temido, reconhecendo o contexto de “contraciclo” de Portugal em relação ao resto da Europa ao nível da incidência de novos casos de covid-19 e do risco de transmissibilidade (Rt), justificando-o com o tempo já decorrido desde o início do desconfinamento, em março, e a “prevalência bastante elevada” da variante Delta do SARS-CoV-2.

Marta Temido reforçou que “não basta a vacina estar administrada”, ao lembrar a necessidade de toma das duas doses nas vacinas com esse esquema vacinal e ainda o prazo de sete dias após a segunda toma para que a proteção seja efetiva. Nesse sentido, realçou a importância da manutenção das medidas de proteção.

“É importante referir que temos hoje vacinas, uma capacidade de testagem e conhecimento sobre a forma de transmissão de que não dispúnhamos há um ano. Contudo, as medidas não farmacológicas nesta fase de transição podem ainda ser necessárias”, indicou, apelando para a “paciência” dos portugueses para “uma batalha que ainda vai ser longa”.

Marta Temido lembrou também o impacto que o recrudescimento da pandemia nesta fase tem na imagem de Portugal a nível europeu.

“É um problema ainda não conhecermos todos os efeitos que a doença tem no médio e longo prazo – e temos de prevenir infeções – e é também um problema da imagem do país, que tem repercussões económicas e na nossa forma de vida social, num contexto em que a maioria dos países europeus estão com números de decréscimo de infeções. Evidentemente que esta situação de contraciclo em que o país está nos é desfavorável”, disse a ministra.

130 mil vacinas por dia em julho

A vacinação contra a covid-19 vai, então, acelerar o ritmo nas próximas semanas e deve atingir a fasquia das 130 mil inoculações por dia em julho, revelou ainda Marta Temido.

“O nosso objetivo é garantir que no mês de julho consigamos atingir mais de 130 mil vacinas administradas por dia. A task force tem estado a trabalhar intensamente no sentido de maximizar todas as oportunidades de vacinação, em termos de disponibilidade de vacinas, de aproveitamento dos agendamentos e dos recursos afetos a este processo”, disse a ministra da Saúde.

Perante a nova presidente da ANF para o mandato entre 2021 e 2023, Ema Paulino, Marta Temido reiterou que, apesar da disponibilidade de cooperação manifestada, a opção de vacinação contra a covid-19 nas farmácias continua a ser “uma possibilidade”.

Paralelamente, explicou as razões para o autoagendamento não ficar imediatamente acessível aos utentes com mais de 35 anos, mas apenas para quem tem pelo menos 37 anos.

“Terá sido uma questão de gestão do próprio processo. Quando abre a vacinação para uma determinada faixa etária, automaticamente as pessoas acorrem e gera-se um fenómeno de espera. Se abrirmos em duas fases ao longo da mesma semana, conseguimos gerir melhor as respostas e estamos convencidos de que isso será uma melhor solução para aqueles que pretendem auto-agendar-se”, salientou.

Por outro lado, a governante admitiu que a vacinação sem discriminação de faixas etárias tem sido um tema alvo de “bastantes discussões”, face à maior incidência de novos casos nas últimas semanas entre os mais jovens (20-29 anos) que não estão ainda incluídos no processo, mas reiterou a prioridade dada à proteção de faixas etárias mais suscetíveis de recurso a cuidados de saúde.

“Neste momento, o nosso objetivo continua a ser vacinar o mais possível, mas privilegiar ainda as faixas etárias com maior risco. Quem mais se está a infetar é o grupo etário dos 20 aos 29 anos, mas quem mais está a precisar de cuidados hospitalares é o grupo entre os 40 e os 50 anos. Portanto, a lógica de se proteger aqueles que são mais vulneráveis, apesar de provavelmente outros terem um maior número de casos, mantém-se”, notou.

Contudo, Marta Temido fez questão de sublinhar a expectativa de que a inclusão do grupo etário das pessoas com mais de 20 anos de idade ocorra “em meados de julho” e vincou que as equipas centrais estão a ser reforçadas no âmbito do plano de vacinação.

Em Portugal, morreram 17.068 pessoas em 865.806 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

// Lusa

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