G7 começa hoje. Amazónia, Brexit e Irão discutidos por lideres mundiais

(h) Jesco Denze / Bundesregierung

Angela Merkel, Shinzo Abe, Emmanuel Macron, Theresa May et al enfrentam Donald Trump durante cimeira do G7 de 2018.

As divergências em relação ao Irão, ao Brexit, aos fogos na Amazónia e ao comércio mundial deverão marcar a cimeira das grandes potências industriais (G7) que se inicia hoje em Biarritz, França.

O presidente de França, Emmanuel Macron, recebe naquela estância balnear do sudoeste do país, os dirigentes dos Estados Unidos, Donald Trump, Reino Unido, Boris Johnson, Alemanha, Angela Merkel, Itália, Giuseppe Conte, Canadá, Justin Trudeau, e Japão, Shinzo Abe.

Em Biarritz vão também estar o presidente do Conselho da União Europeia (UE), Donald Tusk, e vários chefes de Estado e de Governo convidados pela Presidência francesa, entre os quais o indiano Narendra Modi, o egípcio Abdel Fattah al-Sisi, o chileno Sebastian Piñera, o ruandês Paul Kagame ou o senegalês Macky Sall.

O programa inicia-se com um jantar, hoje, e termina com uma conferência de imprensa final, na segunda-feira à tarde.

Os fogos florestais que estão a devastar a Amazónia impuseram-se à última hora na agenda, já de si ampla, com Macron a evocar uma “crise internacional” e a pedir aos países industrializados do G7 “para falarem desta emergência” na cimeira.

A sugestão foi de imediato criticada pelo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que acusou Macron de “mentalidade colonialista” ao “instrumentalizar” o assunto propondo que “assuntos amazónicos sejam discutidos […] sem a participação dos países da região”, o que deu origem a escalada de tensão que levou o chefe de Estado francês a acusar o brasileiro de “mentir” quando afirmou que iria respeitar os compromissos ambientais e a anunciar que, nestas condições, França opõe-se ao acordo de comércio livre UE-Mercosul.

Segundo fontes diplomáticas francesas, os conselheiros políticos dos líderes do G7 estavam na sexta-feira a discutir e a preparar “medidas concretas” em relação à Amazónia, as quais “podem materializar-se no G7″.

Os fogos na maior floresta tropical do mundo vão, segundo as fontes, estar os principais pontos do jantar informal de hoje e da reunião sobre ambiente prevista para segunda-feira.

O Irão é outro dos temas difíceis na agenda, com Macron a querer desbloquear a crise desencadeada pela retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo nuclear de 2015, assinado entre o Irão e as potências do chamado grupo 5+1 (Alemanha, França, Reino Unido, Rússia e China e EUA).

Depois da decisão norte-americana, associada à imposição de fortes sanções, o Irão deixou de cumprir algumas das obrigações impostas pelo acordo, que limitava o seu programa nuclear em troca do levantamento das sanções económicas, e pede aos europeus, que querem preservar o pacto, medidas que permitam contornar as sanções norte-americanas.

A economia mundial, com sinais de uma possível recessão e com a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, será um dos temas mais importantes da reunião.

Adicionalmente, deverá ser discutida a reintegração da Rússia, voltando ao G8 que durou entre 1998 até 2014. Na altura, os restantes sete países fundadores decidiram suspender a Rússia do grupo após a intervenção militar na Crimeia. A posição dos russos em relação a este assunto parece manter-se, mas Vladimir Putin até abriu portas a uma possível cimeira para debaterem o conflito.

“É pertinente que, um dia, a Rússia possa regressar, mas a condição preliminar indispensável é que seja encontrada uma solução, em diálogo com a Ucrânia, com base nos acordos de Minsk, para resolver o assunto”, disse Macron.

De acordo com o Público, o presidente dos EUA, Donald Trump, diverge dos seus pares em duas questões fundamentais: alterações climáticas e comércio. Macron já disse que não vão haver tabus, por mais polémicos que sejam. O presidente francês disse ainda que é preferível “coligações de vontade” entre uma parte dos membros do G7 do que um documento final sem significado.

Para evitar uma repetição do que se passou na última cimeira, no Canadá, em que Trump recusou assinar o comunicado final com as conclusões com que tinha concordado, Emmanuel Macron decidiu eliminar o comunicado final, “esses comunicados que ninguém lê e que resultam de intermináveis conflitos burocráticos”.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Gostaria de os ver a discutir também os incêndios no Ártico mas acho que posso esperar sentado! Os incêndios no Ártico estão a produzir mais CO2 do que os da Amazónia.

  2. É verdade que o Ártico também arde e que quase não se fala disso, pelo menos por cá. Há que reconhecê-lo.
    Mas há uma grande diferença. É que esses fogos se devem às ondas de calor que se fazem sentir na região, enquanto os da Amazónia são resultando de fogos postos, ganância, e poder. E não só lançam fogo à região como têm sido cometidos assassinatos de indígenas que saem impunes. Aliás sentem-se tão à vontade que os expulsam das suas próprias terras pela força das armas quando a força da lei está do lado dos índios que sempre lá viveram. E se é verdade que não se pode fazer para já grande coisa em relação às ondas de calor no Ártico, já em relação à Amazónia, é possível pressionar o governo, boicotar os produtos que provêm dessa região e que enchem os bolsos aos fazendeiros e aos políticos que os acobertam e que tornam lucrativas estas acções.

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