O fóssil humano mais antigo da América foi encontrado nos escombros do Museu Nacional do Brasil

Gian Cornachini / Wikimedia

O crânio e ossos da coxa e da bacia de Luzia foram encontrados em 1975, no Município de Pedro Leopoldo, Minas Gerais.

O crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas, foi encontrado por investigadores nos escombros do Museu Nacional do Brasil, que foi assolado por um enorme incêndio no passado mês de setembro.

O fóssil humano, apesar de danificado, foi protegido por um armário que caiu sobre a caixa de vidro onde estava envolvido, acabando por o proteger, disse a vice-diretora do museu, Cristiana Serejo em declarações à agência Reuters. “Boas notícias, um milagre, depois de toda a tragédia”, acrescentou.

De acordo com a equipa de investigação, os ossos foram encontrados já há alguns dias nos escombros do edifício, que viu grande parte do seu acervo destruído por um incêndio de grandes proporções que deflagrou passado dia 2 de setembro. As chamas destruíram mais de 20 milhões de peças e documentos de valor histórico.

Os técnicos informaram que 80% dos ossos de Luzia encontrados já foram identificados. O crânio está em fragmentos, pois a cola que os unia derreteu com o calor do fogo. No entanto, a direção do Museu Nacional mostrou-se contente face às boas condições de preservação do fóssil.

“Hoje é um dia feliz, conseguimos recuperar o crânio de Luzia, e o dano foi menor do que aquele que esperávamos. Os pedaços foram encontrados há alguns dias, tendo sofrido alterações e danos, mas estamos muito otimistas com o achado e com tudo aquilo que este fóssil representa”, afirmou Cláudia Rodrigues, que faz parte da equipe de investigadores que analisa os escombros do Museu Nacional.

A investigadora disse ainda que os ossos fragmentados foram encontrados estavam no interior de um armário, num local estratégico do museu, pensado exatamente para preservar o fóssil de eventuais acidente.

Segundo os investigadores, foi encontrada a parte frontal e lateral do crânio e o fragmento de um fêrmur do esqueleto. Os restantes ossos de Luzia ainda não foram localizados. Os técnicos pretendem agora avançar para a reconstrução do fóssil.

O diretor do Museu Nacional do Brasil, Alexander Kellner, adiantou ainda que foram encontrados vários outros itens do acervo, ressalvando, contudo, que estes só serão divulgados quando estiverem totalmente identificados.

O crânio de Luzia, um fóssil com mais de 11 mil anos, retrata a mulher mais antiga da América até agora encontrado. O fóssil foi encontrado na década de 1970 em Minas Gerais, no Brasil, por uma equipa arqueológica francesa liderada por Annette Laming-Emperaire.

Luzia é uma das peças mais importantes da história natural da América, pois representou uma revolução nos estudos sobre a povoação do continente americano.

O crânio e ossos da coxa e da bacia de Luzia foram achados em 1975, no Município de Pedro Leopoldo, Minas Gerais. O esqueleto foi datado de há 11,5 mil anos, e ela deve ter morrido aos 25 anos.

O fóssil serviu ainda de base para o antropólogo Walter Neves, da Universidade de São Paulo, propor, no final da década de 1980, que os primeiros habitantes do continente tinham uma morfologia craniana diferente dos atuais habitantes da América. Foi também Neves  quem batizou carinhosamente o crânio da mulher mais antiga do Brasil.

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