Florida executou o primeiro branco condenado por matar um homem negro (com droga experimental)

@wjxt47 / Twitter

Mark Asay, o primeiro homem a ser executado por homicídio racista

O nome de Mark Asay vai ficar para a história por ser o primeiro homem branco a ser executado por matar um negro e um hispânico na Flórida. O supremacista branco foi executado com uma injeção experimental.

Mark Asay tinha sido condenado por dois homicídios motivados por ódio racial há 30 anos. Na quinta-feira foi executado, tendo sido utilizada uma injeção letal experimental. Mas essa não é a única novidade no caso. O supremacista branco foi o primeiro a ser condenado e executado na Flórida por crimes motivados pelo racismo e ódio racial.

Desde 1976, ano em que o estado norte-americano voltou a aplicar a pena de morte, 20 homens negros foram executados por assassinar vítimas brancas, de acordo com o Centro de Informações da Pena de Morte.

O etomidato foi a droga utilizada nesta injeção letal. Trata-se de um anestésico nunca antes utilizado para execuções nos EUA e que pretende substituir o midazolam, um fármaco que tem vindo a ser posto de parte, por suspeitas de causar sofrimento desnecessário aos condenados.

Segundo o Observador, os Estados Unidos entraram num debate sobre as drogas usadas nas execuções, quando veio a público a informação de que várias execuções estavam a causar sofrimento desnecessário.

Em tempos, a cadeira elétrica foi o meio mais utilizado para levar a cabo as execuções mas tem sido substituída pela injeção letal, que o governo acredita ser a opção mais humana e ética possível.

Os estados do Alabama, Flórida, Carolina do Sul, Kentucky, Tennessee e Virgínia ainda permitem o uso da cadeira elétrica. No Arizona, Califórnia, Mississippi, Missouri, Oklahoma e Wyoming ainda aplicam penas de morte em câmaras de gás.

E em Delaware, New Hampshire e Washington, o enforcamento também é uma opção. Apesar de permanecerem viáveis, a injeção letal é o método por defeito a ser aplicado em todos os estados onde a pena de morte ainda é legal.

No caso de Asay, foi aplicado um cocktail de etomidato, rocurónio e acetato de potássio. O supremacista apresentava tatuagens ligadas a gangues de supremacistas brancos, como o grupo KKK, e símbolos racistas.

O homem de 53 anos foi condenado em 1987 por dois homicídios levados a cabo em Jacksonville. As provas apresentadas pelos procuradores confirmaram que o supremacista matou Robert Lee Booker, um homem negro de 34 anos, e Robert McDowell, hispânico de 26 anos, a tiro na mesma noite.

Asay terá contratado McDowell, um prostituto que se vestia de mulher, e matou-o a tiro quando percebeu que se tratava de um homem. Após vários comentários racistas, encontrou Booker e matou-o também. Até ao fim, negou sempre ter matado Booker, mas admitiu ter sido o responsável pela morte de McDowell.

O jornal inglês Mirror avança que o duplo homicida demorou onze minutos a morrer com a nova injeção.

ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Realço a resposta do Miguel e saliento a parcialidade racista, contra os brancos, desta notícia. O regozijo da morte do condenado por ser branco é revoltante!

  2. N.d.E.:

    Há temas em que o ZAP optou, como orientação editorial, por ter uma posição neutra, ou não a ter.
    Mas há temas em que o ZAP assume, de forma clara, frontal e inegociável, que tem uma posição.
    Esses temas estão clarificados nos pontos 6 e 7 do nosso Estatuto Editorial.

    A pena de morte é um dos temas em que o ZAP assume que tem uma posição.
    O ZAP é contra a pena de morte.
    De uma forma clara, frontal e não negociável.

    Lamentamos que a redacção desta notícia possa ter transmitido a ideia de que o ZAP se regozija com a morte de uma pessoa. Não é esse o caso.

    Infelizmente, é esse o “tom” generalizado das fontes que o ZAP consultou para a redacção desta peça, que oscilam entre a satisfação com que a morte é noticiada, e a omissão de qualquer tom crítico nos meios que habitualmente rejeitam a pena de morte e contra ela mais lutam.
    Porque, para variar, morreu um branco condenado por matar um homem negro.

    Para que fique claro:
    O ZAP rejeita o racismo. Qualquer tipo de racismo.
    E o ZAP rejeita a pena de morte.

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