Sempre a um passo da rainha, Filipe é recordado pelo seu humor e vitalidade. Funeral deverá ser privado

Steve Punter / Wikimedia

O Príncipe Filipe de Inglaterra

Nos seus anos ativos, o consorte ajudou a definir um novo rumo para a monarquia sob uma jovem rainha, defendendo a Grã-Bretanha, bem como as causas ambientais, ciência e tecnologia. Foi o consorte mais antigo de qualquer monarca britânico.

Foi o casamento com Isabel, já na altura herdeira ao trono, que lhe deu uma família, uma casa, uma nação e uma nova religião, depois de ter tido uma infância marcada pela solidão.

A instabilidade na Grécia, seu país de origem, fizeram da sua juventude um verdadeiro tormento, sendo que a sua família foi obrigada a exilar-se. A isso juntaram-se acontecimentos catastróficos que obrigaram Filipe a ficar sozinho com apenas 10 anos de idade.



Ao cuidado dos tios, estudou em Inglaterra e, depois, na Alemanha, numa escola detida pelo marido de uma das irmãs. Menos de um ano depois, regressou ao Reino Unido e ingressou no internato Gordonstoun, na Escócia.

Aos 18 anos ingressou na Marinha Real, antes do rebentar da Segunda Guerra Mundial, e depressa distinguiu-se no mar. Foi precisamente durante esses anos marcados pelo conflito que conheceu a prima afastada, à data com 13 anos, que seria a sua futura mulher.

Em julho de 1947, o noivado entre o tenente Philip Mountbatten, de 26 anos, e a princesa Isabel, de 21, foi anunciado.

Após o casamento, Philip tentou mudar o apelido da casa real, mas sem sucesso. Contudo, Isabel II emitiu uma ordem, em 1960, declarando que os seus descendentes sem títulos títulos reais podiam usar o apelido Mountbatten-Windsor.

Enquanto Isabel II era a chefe de estado, Philip exerceu semelhante poder de influência no seio da família real, pois competia-lhe supervisionar o funcionamento da propriedades rurais reais e também os assuntos familiares.

Como não podia ingressar em atividades com conotações políticas, e sempre se manteve na sombra da mulher, Philip procurou o seu espaço na sociedade.

Em vida, foram outros os interesses e paixões que o distinguiram, tal como facto de ter começado a usar um carro elétrico na década de 1960.

Afastado dos deveres reais há quase quatro anos, a memória fica marcada pelos eventos em que participou. Entre inaugurações, visitas, discursos ou refeições, não é por acaso que chegou a descrever-se como “o melhor corta-fitas do mundo”.

Para a memória ficam gaffes como “as mulheres britânicas não sabem cozinhar”, “declaro esta coisa inaugurada, o que quer que seja” ou “eu iria para a cadeia se abrisse esse vestido”.

Em 2017, Isabel II e o duque celebraram 70 anos de casamento e este foi o enlace mais longo da monarquia britânica, recorda o Observador.

Operação “Forth Bridge”

A morte do príncipe Filipe desencadeia a Operação “Forth Bridge”, nome de código para os preparativos do funeral, que merece honras de Estado, mas que o duque de Edimburgo terá manifestado querer que fosse uma cerimónia discreta.

A página da Família Real, na qual foi anunciada a morte, encontra-se atualmente de luto, indicando que “novos anúncios serão feitos oportunamente”.

De acordo com a tradição, o Reino Unido, que inclui Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, entrará num período nacional de luto que se prolongará até o funeral.

As bandeiras serão hasteadas a meio mastro, o bastão cerimonial que está na Câmara dos Comuns, atualmente suspensa para férias, será envolto em preto ou adornado com um laço preto e os deputados deverão usar braçadeiras ou gravatas pretas.

Enquanto príncipe consorte, o príncipe Filipe tem direito a um funeral de Estado, que envolve ficar em câmara aberta e ser sepultado no Castelo de Windsor, mas, segundo a imprensa britânica, o duque de Edimburgo deixou instruções para se fazer um funeral privado.

Assim, de acordo com os seus desejos, que ainda não foram oficialmente revelados, apenas a sua família e amigos mais próximos deverão comparecer no funeral.

A cerimónia também deverá ser afetada pelas restrições da pandemia de covid-19, que limitam os ajuntamentos.

O príncipe, que ia completar 100 anos em 10 de junho, tinha saído recentemente do hospital, onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica a problemas cardíacos, e encontrava-se no Palácio de Windsor.

Harry e Meghan reagem à morte de Filipe

A viver nos Estados Unidos, o príncipe Harry fez uso do site Archewell, que lançou com Meghan Markle, para reagir à morte do avô, príncipe Filipe.

Os duques de Sussex deixaram uma breve nota de agradecimento que surge logo na abertura do site. “Em memória da sua alteza príncipe de Edimburgo. Obrigado pelo seu serviço… Fará muita falta”, pode ler-se.

Ao que tudo indica, o príncipe Harry estará a caminho de Inglaterra para se juntar à família real no último adeus ao duque de Edimburgo. Não se sabe se Meghan Markle e o filho de ambos, Archie, o acompanham na viagem.

Boris Johnson faz homenagem

O primeiro-ministro e o líder da oposição britânicos, Boris Johnson e Keir Starmer, homenagearam o príncipe Filipe e destacaram a sua dedicação à Rainha e à monarquia.

“Ele adotou uma ética de serviço que aplicou ao longo das mudanças sem precedentes do pós-guerra e, como o condutor exímio de carruagens que era, ajudou a guiar a família real e a monarquia”, afirmou Johnson, numa declaração no exterior da residência oficial de Downing Street.

Lembrando o seu heroísmo em combate durante a Segunda Guerra Mundial, a consciência ambientalista “antes de ser moda” e a criação de um popular programa de atividades dirigido aos jovens, o primeiro-ministro recordou também o apoio constante ao longo de mais de 70 anos de casamento à monarca britânica.

“É em Sua Majestade e na família que os pensamentos da nossa nação devem voltar-se hoje, porque eles perderam não apenas uma figura pública muito amada e altamente respeitada, mas um marido dedicado e um pai orgulhoso e amoroso, avô, e nos últimos anos, bisavô”, vincou.

Também Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, principal força da oposição, prestou homenagem ao serviço público de Filipe e destacou a “devoção à Rainha”.

Ana Isabel Moura, ZAP // Lusa

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