Sob risco de expulsão, Fidesz de Orbán deixa bancada do Partido Popular Europeu pelo próprio pé

eu2017ee / Flickr

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán

O partido Fidesz, liderado pelo primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, vai deixar a bancada do Partido Popular Europeu no Parlamento Europeu.

De acordo com a agência Reuters, o partido Fidesz, que governa a Hungria, anunciou esta quarta-feira que vai deixar o maior grupo político de centro-direita no Parlamento Europeu depois de a assembleia o ter decidido suspender num conflito sobre o histórico democrático do primeiro-ministro Viktor Orbán.

Ao longo da manhã, dois jornais do Governo húngaro, o Magyar Nemzet e o Origo, já tinham adiantado que a saída estava iminente e seria consumada após a reunião dos líderes do PPE.

“Venho por este meio informar que os eurodeputados do Fidesz renunciaram à sua adesão ao Grupo PPE”, escreveu Orbán numa carta datada de 3 de março ao chefe da fação, Manfred Weber, publicada no Twitter por Katalin Novak, vice-presidente do Fidesz.

A saída do Fidesz do grupo do Partido Popular Europeu (PPE) no parlamento provavelmente vai reduzir a influência de Orbán em Bruxelas.

A decisão surge depois de, na segunda-feira, Orbán ter ameaçado retirar o seu partido do PPE caso o grupo político europeu reformasse os estatutos para expulsar alguns membros. “Caso se venha a aprovar a proposta, o Fidesz abandona o grupo (PPE)”, disse o ultranacionalista húngaro em carta dirigida ao PPE e divulgada pelo governo de Budapeste.

Na carta, Orbán criticou os planos de reforma para que os partidos que constituem o PPE possam ser expulsos por uma votação de maioria simples – sobretudo no caso dos parceiros que já estão suspensos, como o Fidesz, desde 2019. Na altura, o PPE tomou a decisão por considerar que as políticas de Orbán violam os valores democráticos e europeus do grupo político europeu.

Os membros do PPE aprovaram as mudanças nos estatutos com uma maioria de 84,1% (148 a favor e 28 contra). A suspensão dos eurodeputados do partido teria sido votada dentro de algumas semanas, caso o Fidesz não se tivesse antecipado.

As relações degradaram-se ainda mais quando o governo húngaro acusou o então presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, de fazer parte de uma conspiração para deixar entrar no continente milhares de refugiados.

Desde essa altura, o PPE ameaçou várias vezes expulsar o Fidesz, sendo que Orbán vinha especulando várias vezes sobre a possibilidade de sair do grupo. Agora, parece que o partido vai sair pelo próprio pé.

Maria Campos, ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Este ainda é um resistente às ameaças externas, como vê a barba dos vizinhos a arder pretende salvar a tempo a sua, possivelmente o tempo irá dar-lhe razão, o povo europeu bem vai observando e sentindo na pele a balbúrdia que vai por esta Europa fora.

    • Sim, sim… se tiver tempo e oportunidade ainda se torna em mais uma marioneta do Putin e transforma a Hungria numa Bielorrússia!…
      A Polónia vai pelo mesmo caminho… e, lá o caso só não é pior porque polacos e russos fazem faísca…
      .
      Mas mau mesmo foi a atitude do PPE que andou este tempo todo a tentar tapar a realidade sobre o CHEGA da Hungria…
      Lindo (e esclarecedor) foi ver um desses muito católico “Ventura” da Hungria ser apanhado pela polícia belga numa festa gay durante o confinamento!…

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