Primeiros sinais sobre a gravidade da Ómicron são “encorajadores” (e o código genético também)

Mário Cruz / Lusa

Anthony Fauci considera que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas, mas não há provas que a Ómicron apresente “alto grau de gravidade”.

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O conselheiro da Casa Branca para a crise sanitária, Anthony Fauci, afirmou este domingo que os sinais vindos da África do Sul sobre a gravidade dos casos associados à variante Ómicron são “algo encorajadores”, mas sublinhou que são dados preliminares.

“Claramente, na África do Sul, a Ómicron está a propagar-se mais”, disse o epidemiologista em entrevista à CNN, numa alusão aos casos de covid-19 associados a esta nova variante.

“Mas, até agora, mesmo sendo muito cedo para tirar conclusões definitivas, não se pode dizer que apresente um alto grau de gravidade”, declarou. “Até ver, os sinais sobre a gravidade são algo encorajadores.”

Alguns médicos têm, no entanto, sublinhado nos últimos dias que a população sul-africana é relativamente jovem e que os casos mais graves podem vir nas próximas semanas.

Estão ainda a decorrer estudos laboratoriais para determinar se e em que medida esta nova variante, que apresenta muitas mutações, é mais transmissível, capaz de resistir à imunidade dada por uma infeção anterior ou uma vacina e de provocar casos mais graves da doença.

“Creio que há um risco real de vermos uma diminuição da eficácia das vacinas”, afirmou, em declarações à ABC, Stephen Hoge, presidente da farmacêutica Moderna, acrescentando, no entanto, que há ainda muitas incertezas.

A Moderna já iniciou os trabalhos para adaptar, se for necessário, a sua vacina contra a covid-19 e a Pfizer fez o mesmo.

Atualmente, a Ómicron já foi confirmada em vários estados norte-americanos e em 40 países em todo o mundo, depois de ter sido detetada na África do Sul.

Código genético: Semelhanças entre Ómicron e constipação comum

Um novo estudo, que carece ainda da revisão por pares, salienta que a variante Ómicron pode partilhar material genético com um vírus que causa a constipação comum, o que a torna mais transmissível mas menos virulenta do que outras variantes.

As conclusões do estudo, levado a cabo por investigadores de Cambridge, são ainda preliminares. Ainda assim, o The Washington Post salienta que a nova variante apresenta um fragmento de código genético que também está presente num vírus que pode provocar uma constipação.

A mutação pode ter sido causada por alguém simultaneamente infetado com o SARS-CoV-2 e o HCoV-229R, que pode causar a constipação comum.

Segundo os cientistas, este código genético partilhado ainda não foi detetado noutras variantes do coronavírus.

Venky Soundararajan, um dos autores do estudo, explicou que, com este fragmento específico, a Ómicron pode iludir o sistema imunitário e escapar do ataque do sistema imunológico humano. Por sua vez, isso pode significar que o vírus se transmite mais facilmente, causando uma doença mais leve ou assintomática.

O The Washington Post salienta que as células dos pulmões e o sistema gastrointestinal podem ser afetados pelo SARS-CoV-2 e outros coronavírus da constipação comum em simultâneo.

A co-infeção cria o cenário para uma recombinação viral, isto é, um processo no qual dois vírus diferentes na mesma célula hospedeira interagem enquanto fazem cópias de si mesmos. Este fenómeno produz novas cópias que possuem algum material genético de ambos.

O fim da covid-19?

O mundo está preocupado com a Ómicron, mas é possível que esta nova variante seja menos virulenta do que as anteriores.

Richard Friedland, CEO do Netcare Group, que opera a maior rede privada de cuidados de saúde da África do Sul, salienta que, ao contrário das três ondas anteriores, os aumentos na taxa de positividade não foram seguidos por aumentos igualmente preocupantes nas admissões hospitalares em toda a rede do Netcare.

“Penso que há aqui um lado positivo, e isto pode sinalizar o fim da covid-19, atenuando-se a doença tal ponto que é altamente contagiosa mas não causa doenças graves”, explicou à Bloomberg. “Foi isso que aconteceu com a gripe espanhola.”

“Estamos a assistir a infeções de pessoas que foram vacinadas, mas são muito leves ou moderadas. Para os profissionais de saúde que têm tido reforços, as reinfeções são, na sua maioria, leves. Penso que tudo isto tem sido mal comunicado”, acrescentou.

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Para já, há, no entanto, uma escassez de dados sólidos sobre a variante. Os cientistas estão a esforçar-se para chegar a conclusões sobre a sua transmissibilidade, severidade e capacidade de escapar às vacinas.

  ZAP // Lusa

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