“É falácia dizer que Amazónia é Património da Humanidade”, diz Bolsonaro na ONU

Justin Lane / EPA

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, na Assembleia-Geral da ONU

O Presidente do Brasil discursou na abertura do debate geral da 74.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU, que irá decorrer até 30 de setembro com a presença de cerca de 150 chefes de Estado e de Governo.

“Em primeiro lugar quero dar graças a Deus por estar vivo“, começou por dizer Jair Bolsonaro no discurso que marcou a abertura do debate geral da 74.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU. “Apresento-me perante vocês para mostrar um Brasil novo que renasceu do socialismo”, cita o Público.

O meu país esteve muito próximo do socialismo, que nos colocou numa situação de corrupção generalizada, grave recessão económica, altas taxas de criminalidade e de ataques ininterruptos aos valores familiares e religiosos que foram as nossas tradições”, afirmou Bolsonaro na abertura do debate geral da 74.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU, que irá decorrer até 30 de setembro.

Bolsonaro disse que em 2013 houve “um acordo entre o Governo ‘petista’ [liderado por Dilma Rousseff, do PT] e a ditadura cubana que trouxe ao Brasil dez mil médicos, sem nenhuma comprovação profissional”.

Estes médicos, segundo o Presidente brasileiro, foram “impedidos de trazer cônjuges e filhos, tiveram 75% dos seus salários confiscados pelo regime e foram impedidos de usufruir de direitos fundamentais como o de ir e vir, um verdadeiro trabalho escravo, respaldado por entidades de direitos humanos do Brasil e da ONU”.

E sublinhou que, antes de assumir a chefia do Governo, a 1 de janeiro deste ano, “quase 90%” destes médicos deixaram o Brasil “por ação unilateral do Governo cubano”.

Os que decidiram ficar terão de submeter-se “a qualificação médica para exercerem a sua profissão”, afirmou o Presidente brasileiro, dizendo que por causa disto o Governo “deixou de colaborar com a ditadura cubana”, deixando de enviar todos os anos 300 milhões de dólares (65 milhões de euros).

Bolsonaro pegou no exemplo dos médicos para recordar que “já nos anos 1960 agentes cubanos foram enviados a diversos países para colaborar com a implementação de ditaduras” e que há poucas décadas tentaram desta forma mudar o regime brasileiro e de outros países da América Latina, mas foram derrotados.

Agora, sustentou, também na Venezuela, há cerca de 60 mil agentes que começaram a ser levados pelo antigo Presidente venezuelano Hugo Chávez, a partir de Cuba, e que interferem em todas as áreas daqueles país e que o socialismo está a vencer naquele país.

“O Foro de São Paulo, organização criminosa criada em 1990 por Fidel Castro, Lula e Hugo Chávez para difundir e implementar o socialismo na América Latina, ainda continua vivo e tem que ser combatido”, acrescentou.

A delegação de Cuba terá abandonado a sala enquanto o Presidente brasileiro falava, avança o jornal Estado de São Paulo.

Os incêndios na Amazónia

“O meu Governo comprometeu-se com a defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. Somos um dos países que mais protege o ambiente. Os ataques sensacionalistas que sofremos devido aos incêndios da Amazónia instigaram o nosso sentimento patriota”, disse Bolsonaro, acrescentando, numa referência ao francês Emmanuel Macron, que um líder estrangeiro insultou o seu país.

É uma falácia dizer que a Amazónia é Património da Humanidade e é um equívoco dizer, como dizem os cientistas, que é o pulmão da Humanidade. Aqueles que nos atacam não estão preocupados com os indígenas como seres humanos, mas sim com as riquezas das reservas indígenas”, afirmou Bolsonaro, citado pelo Público.

“Vale ressaltar que há queimadas praticadas por índios e pessoas que moram na região. Problema qualquer país tem”, disse ainda, acrescentando que o que é preciso é um novo “modelo de desenvolvimento indígena” no Brasil.

Os índios estão a ser “usados como peças de manobra por interesses estrangeiros, usados por ONG que teimam em usar nossos índios para os manter como verdadeiros homens das cavernas. Índio não quer ser latifundiário pobre em cima de terra rica. Especialmente os Yanomani na reserva Raposa do Sol, onde existe diamantes, nióbio e outras riquezas, numa área enorme, de 20 mil quilómetros quadrados, o equivalente a Portugal, mas onde vivem apenas 15 mil índios. Esses interesses não estão preocupados com o ser humano índio mas com a biodiversidade e a riqueza nessas áreas”, acusou.

ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Se querem transformar o Brasil numa espécie de ‘zoológico ambiental’, vão ter que fazer o mesmo com todos os países amazônicos porque a parte brasileira corresponde a apenas 50% de toda a selva amazônica. Aqui a fácil se intrometer, porque já nos fazem de cobaias nas ‘relações humanas’, espécie de laboratório da ‘desumanização pacífica das pessoas’, para testar controle na manutenção da coexistência pacífica entre pessoas sem a componente familiar, ao menos sem a biológica, a fim de implantar na europa e no mundo sob controle “democrático”, eventuais constatações “positivas”, controláveis, dessa “pesquisa”. Só que antes, se tal intento não for a extinção humana, vão ter que criar uma forma de produzir gente de forma tecnológica, sem a intervenção biológica.

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