O que fazer quando a extrema-direita se torna parte do sistema? Na Suíça, a pandemia forçou uma abordagem incomum

Fabrice Coffrini / EFP

Ueli Maurer, conselheiro federal suíço, tem lutado para encontrar um lugar para o seu partido de direita

Os líderes e partidos de extrema-direita responderam de maneiras diferentes à pandemia de covid-19, dependendo se estavam ou não no poder. O Partido do Povo Suíço (SVP), que ocupa ambas as posições, optou por uma abordagem sinuosa e um tanto confusa.

O primeiro caso de covid-19 na Suíça foi identificado no dia 25 de fevereiro do ano passado e não demorou muito até o país registar taxas alarmantes da doença.

Cinco dias depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter declarado a covid-19 uma pandemia mundial, a Suíça declarou uma “situação extraordinária” sob a Lei de Epidemias, que permitiu ao Governo implementar as medidas necessárias para conter a propagação do vírus sem ser necessária a aprovação do Parlamento.

A Suíça tem um sistema político federal descentralizado. Uma grande coligação dos quatro maiores partidos forma o Governo, o que implica resolver conflitos políticos através de negociações e compromissos.

Neste contexto, a invocação de poder exclusivo do Governo federal foi controversa.

Adrian Favero, investigador do Departamento de Política e Estudos Internacionais da Universidade de Birmingham, assina um artigo no The Conversation no qual explica que a Suíça se tornou um caso de estudo para entender como uma crise de saúde global afeta a estabilidade de instituições democráticas bem estabelecidas e muda os debates políticos.

O caso do partido de extrema-direta SVP

O maior dos quatro principais partidos suíços no Governo, o Partido do Povo Suíço (SVP), é um dos partidos de extrema-direita mais fortes e bem-sucedidos da Europa.

Apesar de deter dois dos sete assentos no Governo federal da Confederação Suíça, o SVP continua a promover-se como oposição, um ato que se tornou desafiador durante a pandemia.

No início, os quatro partidos mantiveram-se unidos na implementação das restrições, mas a paz não durou muito tempo.

O SVP lamentou o impacto negativo que as medidas restritivas estavam a ter sobre a economia suíça e exigiu controlos mais rígidos nas fronteiras para evitar a propagação do vírus. Ao mesmo tempo, criticou a forma como o Governo lidava com a crise, visando o ministro federal da Saúde (do Partido Social-Democrata).

No final de outubro do ano passado, na mesma altura em que a Suíça confinou pela segunda vez, o ceticismo começou a proliferar na sociedade. Os cidadãos queriam mais controlo central sobre as decisões e, em resposta, o SVP intensificou as críticas e acusou o Governo federal de “introduzir uma ditadura“.

Esta acusação vinda do SVP é muito surpreendente, já que o partido tem dois representantes no Governo e a maioria das cadeiras no Parlamento.

O que esperava alcançar com esta estratégia continua a ser um mistério.

O investigador considera que é difícil concluir se esta abordagem beneficiou ou não o partido. Por um lado, permitiu ao SVP reforçar o seu perfil populista, ter visibilidade nos meios de comunicação e agir como defensor do interesse público e da economia nacional. Mas, por outro, a campanha contra o Governo fez o partido parecer um parceiro ineficaz.

Liliana Malainho Liliana Malainho, ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. São umas meias-lecas esses “partidos do povo” populistas radicais de direita. Só querem é fazer barulho para terem votos populistas, fazer algo pelo país ou ter estratégias de desenvolvimento lúcidas ZERO. Rua bandalhos, são piores que os que já la estão!

  2. As ideologias nao matam ninguem, as pessoas que ocupam o poder e que tomam as decisoes erradas.
    A suica e exemplo mas aplicacao das leis e que contam, respeitos pelas mesmas.
    Conta muito a educacao, a cultura, entendimento do pais real coisa que novos candidatos nao entendem e velhos ignoram os valores culturais do pais real.
    Ora politicos hoje sao individuos que nao entendem de politica muito menos dos problemas do pais…confundem politica com relacoes pessoas e familiares, amigos etc, de certa maneira nao endem que ir para politica nao deve ser visto como ficar la vida inteira, mas uma passagem, um acto de cidadania de servir o povo…

    • “Uma passagem. Um acto de cidadania para servir o povo”.

      Ora bem, totalmente de acordo. Isso sim é vida política. Para servir, e não para SE servir.

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