Eurogrupo prossegue sem Varoufakis e discute “consequências”

EU Council Eurozone / Flickr

Yanis Varoufakis, ministro das Finanças da Grécia (esq) com Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo (dir)

Yanis Varoufakis, ministro das Finanças da Grécia (esq) com Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo (dir)

Os ministros das Finanças da zona euro vão realizar este sábado uma segunda sessão de trabalho, sem o governo grego, para discutir as “consequências” de o programa de assistência à Grécia expirar na terça-feira sem acordo, anunciou o presidente do Eurogrupo.

Numa conferência de imprensa após cerca de três horas de reunião em Bruxelas, Jeroen Dijsselbloem confirmou que não foi concedida qualquer nova extensão do programa à Grécia, apontando que o Eurogrupo teve que “concluir, “lamentavelmente, que o programa vai expirar na terça-feira à noite” e “isso é absolutamente claro neste momento”.

Indicando que a proposta dos credores continua válida até terça-feira, o presidente do fórum dos ministros das Finanças da zona euro anunciou que o Eurogrupo adotou uma declaração a 18 – a delegação grega não a subscreveu – e a reunião vai prosseguir imediatamente após a conferência de imprensa, sem o governo grego, “para discutir consequências” e “preparar passos que seja necessário dar”, com o objetivo prioritário de “assegurar que a estabilidade da zona euro se mantém ao seu nível mais elevado”.

Yanis Varoufakis, por sua vez, advertiu que a recusa do Eurogrupo em prolongar por “alguns dias” a ajuda à Grécia pode provocar “danos permanentes” à zona euro, e acusou as instituições de também terem um problema de credibilidade.

Numa conferência de imprensa em Bruxelas após uma reunião de três horas dos ministros das Finanças da zona euro – que prossegue neste momento sem delegação grega na sala -, o ministro das Finanças grego lamentou que o Eurogrupo não tenha aprovado o pedido grego de uma curta extensão do atual programa de assistência, que expira na terça-feira, até que o povo grego se pronuncie no referendo que o governo grego agendou para 5 de julho.

“A recusa de hoje do Eurogrupo em aprovar uma extensão do programa por uns dias, para permitir ao povo grego dar o seu veredito sobre as propostas das instituições, vai certamente danificar a credibilidade do Eurogrupo enquanto uma união democrática, de Estados-membros parceiros, e receio muito que esse dano seja permanente“, declarou.

Apontando que teve hoje oportunidade de explicar aos seus homólogos as razões pelas quais o Governo grego rejeitou a última proposta colocada sobre a mesa pelas instituições – Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional -, Varoufakis indicou que também justificou perante o Eurogrupo a realização de uma consulta popular.

“Não tínhamos mandato para assinar uma proposta inviável e insustentável, (…) mas também achámos que não tínhamos mandato para rejeitar a proposta sem ouvir o povo grego”, disse.

De acordo com Varoufakis, se as instituições melhorassem a sua proposta, o Governo grego até poderia “mudar a sua recomendação”, ou seja, aconselhar o povo grego a votar “sim” à proposta das instituições, ao contrário da atual recomendação negativa que já anunciou que irá dar.

Por outro lado, admitiu, “até há uma grande probabilidade de que os gregos” rejeitem a recomendação do Governo de que faz parte, razão pela qual considera incompreensível que o Eurogrupo feche imediatamente todas as portas.

Questionado sobre as acusações, por parte das instituições, de falta de credibilidade do Governo grego de que faz parte, Varoufakis retorquiu que “as instituições e o Eurogrupo também não têm credibilidade num país como a Grécia”, onde houve austeridade durante cinco anos e mais ajustamento orçamental do que em qualquer outro país, tal como ditado pela `troika`, sem que todo esse esforço tenha produzido resultados.

/Lusa

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