EUA investigam se houve manipulação para substituir Lajes por base no Reino Unido

O Congresso dos Estados Unidos está a investigar se as forças armadas norte-americanas manipularam estudos para justificar a construção de um centro de informações no Reino Unido, em detrimento da base das Lajes, nos Açores.

Num artigo de opinião publicado na segunda-feira pela Bloomberg, agência de notícias financeiras norte-americana, o autor afirma ter obtido uma carta enviada por Jason Chaffetz, presidente da comissão Fiscalização e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes, ao secretário da Defesa, Ashton Carter, a pedir documentos, comunicações e análises usados para tomar a decisão de construir o novo centro de informações numa base aérea em Croughton, nos arredores de Londres.

Chaffetz quer saber porque razão as forças armadas norte-americanas não efetuaram uma análise mais rigorosa sobre a possível instalação do centro nas Lajes, na base aérea da ilha Terceira, Açores.

No domingo, Chaffetz afirmou ter sido informado por fontes do Pentágono de que a estimativa dos custos da operação, fornecida ao Congresso para justificar a construção no Reino Unido, foi baseada em dados incompletos e distorcidos, para tornar a opção Croughton mais barata em relação à construção nas Lajes.

A manipulação da informação é muito suspeita. Iremos investigar até conseguirmos a verdade”, disse Chaffetz ao autor do artigo.

O plano chamou a atenção de Devin Nunes, presidente da comissão de Informações da Câmara dos Representantes, e de outros deputados que consideram a base aérea das Lajes estrategicamente importante e com todas as condições para receber o novo centro de informações.

No início do ano, o Pentágono enviou para o Congresso o plano de consolidação de infraestruturas europeias, no qual propõe a construção do novo centro, para cerca de mil analistas de informações, anexado ao Comando europeu (EUCOM) e ao comando África (AFRICOM) das forças armadas norte-americanas e a um centro de informações da NATO.

csis_er / Flickr

O luso-descendente Devin Nunes (esq), presidente da comissão de Informações da Câmara dos Representantes

O luso-descendente Devin Nunes (esq), presidente da comissão de Informações da Câmara dos Representantes

Os Estados Unidos anunciaram em janeiro deste ano a intenção de retirar 500 militares da base militar das Lajes, no âmbito da reestruturação das forças norte-americanas na Europa.

Em junho, a Câmara dos Representantes aprovou um orçamento que suspende a redução na base das Lajes até ficar provado que a infaestrutura não tem condições para acolher o novo complexo, uma alínea introduzida por Devin Nunes.

“A Câmara dos Representantes já disse, de forma clara, que a base das Lajes deve ser reaproveitada. É alarmante que o Departamento de Defesa queira levar os contribuintes numa viagem louca, gastando centenas de milhões de dólares a construir em outros locais infraestruturas que já existem nas Lajes”, disse, na altura, o congressista lusodescendente.

/Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Convidar os chineses a montar qualquer coisa nem que seja venda de armas e estacionamento de aviões nas Lajes e convidar os americanos a sair irão ver que estes mudarão imediatamente de ideias em relação ás Lajes.

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