Ethiopian Airlines acedeu a registos de manutenção após queda fatal de Boeing

rickihuang / Flickr

Na denúncia de um ex-engenheiro chefe, é indicado um padrão de corrupção por parte da companhia que incluía a falsificação de documentos, a validação de reparações suspeitas e agressões a quem se opunha a estes métodos.

Um alto quadro da Ethiopian Airlines acusou a companhia aérea de aceder aos registos de manutenção do Boeing 737 Max um dia após a aeronave se ter despenhado, em março, avança a Associated Press (AP).

Na denúncia do ex-engenheiro chefe a agências internacionais de segurança aérea é indicado um padrão de corrupção por parte da companhia que incluía a falsificação de documentos, a validação de reparações suspeitas e agressões a quem se opunha a estes métodos.

Yonas Yeshanew, que se demitiu no verão e solicitou asilo nos Estados Unidos, disse que, embora não seja claro se algo nos registos foi alterado, a decisão de aceder a estes, quando deveriam ter sido selados, reflete uma política de gestão da companhia aérea com poucos limites e muito a esconder.

“O facto brutal será exposto (…) A Ethiopian Airlines está a seguir uma visão de expansão, crescimento e lucro, comprometendo a segurança”, sublinhou Yeshanew num relatório enviado em setembro à Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos e outras agências internacionais de segurança aérea, e entregue também à AP.

As críticas de Yeshanew às práticas de manutenção da Ethiopian Airlines, secundadas por outros três ex-funcionários entrevistados pela AP, fazem dele a última voz a pedir aos investigadores que analisem mais profundamente os possíveis fatores humanos na saga dos incidentes com os aviões 737 Max e que não se concentrem apenas no sistema de estabilização da Boeing, responsabilizado por dois acidentes em quatro meses.

Não é por acaso, acrescentou, que a Ethiopian Airlines viu um dos seus aviões Max cair quando muitas outras companhias aéreas não sofreram tal tragédia, apesar de também utilizarem o mesmo modelo.

A Ethiopian Airlines retratou Yeshanew como um ex-funcionário descontente e negou categoricamente as alegações, que representam um contraponto flagrante à perceção da companhia aérea como uma das empresas mais bem-sucedidas da África e uma fonte de orgulho nacional.

Yeshanew alegou no seu relatório e em entrevistas à AP que a companhia está a crescer muito rapidamente e a lutar para manter os aviões no ar, agora que transporta 11 milhões de passageiros por ano, quatro vezes o que acontecia há uma década.

O ex-engenheiro chefe indicou que os mecânicos estão sobrecarregados de trabalho e são pressionados a optarem por atalhos para que os aviões estejam prontos a descolar, enquanto os pilotos estão a voar sem o descanso ou treino suficientes.

O ex-funcionário apresentou ainda uma auditoria de há três anos, na qual se descobriu, entre dezenas de outros problemas, que quase todos os 82 mecânicos, inspetores e supervisores, cujos ficheiros foram analisados, que não possuíam os requisitos mínimos para desempenharem as suas funções.

Yeshanew incluiu e-mails mostrando que insistiu durante anos com os altos executivos para que colocassem fim a uma prática na companhia aérea de aprovar trabalhos de manutenção e reparo que, segundo ele, foram feitos de maneira incompleta, incorreta ou inexistente.

Por outro lado, afirmou ter intensificado esforços após o acidente de 29 de outubro de 2018 com um Boeing 737 Max da Lion Air, na Indonésia, que matou todas as 189 pessoas a bordo. Num e-mail enviado por Yeshanew ao administrador executivo da Tewolde Gebremariam pedia que “interviesse pessoalmente” para impedir os mecânicos de falsificarem os registos.

Esses pedidos foram ignorados, acrescentou. E, após o acidente de 10 de março de 2019, dia em que caiu um avião Boeing 737 Max etíope nos arredores de Addis Abeba, que matou todas as 157 pessoas a bordo, Yeshanew disse que estava claro que a mentalidade não havia mudado.

Yeshanew denunciou que, no dia seguinte ao acidente, o chefe de operações da Ethiopian Airlines, Mesfin Tasew, expressou abertamente o receio de que a companhia aérea poderia ser responsabilizada por causa dos seus “problemas” e “violações” ao nível da manutenção e ordenou que fossem verificados “erros” nos registos do avião Max que se despenhara.

ZAP // Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Motorista de autocarro em morte cerebral depois de agressões de passageiros em França

Um motorista de autocarro foi declarado em morte cerebral esta segunda-feira, em França, depois de ter sido agredido no domingo por passageiros a quem recusou a entrada no transporte público. No domingo à noite, um motorista …

Erro de laboratório origina 20 casos em dois clubes da Liga búlgara

Vinte pessoas estão infetadas com o novo coronavírus, após um futebolista com covid-19 ter participado no duelo entre o Cherno More e o Tsarko Selo, da Liga búlgara, devido ao erro de um laboratório, foi …

Soleimani foi assassinado de forma "ilegal e arbitrária", considera perita da ONU

A relatora especial da ONU, Agnes Callamard, considera que os Estados Unidos não apresentaram provas suficientes para justificar o ataque. Uma especialista da ONU concluiu que o general iraniano Qasem Soleimani, morto num raide norte-americano …

Bolsonaro infetado com covid-19

A imprensa brasileira confirmou, esta terça-feira, que o Presidente Jair Bolsonaro está infetado com covid-19. O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, testou positivo à covid-19. De acordo com a Globo, a informação foi avançada pelo próprio, …

Costa avisa que vem aí a "fase mais crítica" dos incêndios e pede prevenção

O primeiro-ministro participou numa reunião de acompanhamento e monitorização sobre prevenção e combate a fogos florestais e advertiu, esta terça-feira, que Portugal entra agora na fase mais crítica. Esta terça-feira, o primeiro-ministro advertiu que Portugal entra …

"Fracasso" no combate à covid-19. Diretora de Saúde de Israel demite-se

Siegal Sadetzki, diretora dos serviços públicos do Ministério da Saúde de Israel, denunciou o "fracasso" das autoridades em retardar a propagação da covid-19 no país, apresentando a sua demissão. Uma responsável do Ministério da Saúde de …

Quase 900 professores vão entrar nos quadros do Ministério da Educação

Quase 900 professores vão entrar nos quadros do Ministério da Educação, no âmbito do concurso externo imposto ao Estado pela União Europeia. Mais de 800 professores passaram a integrar os quadros do Ministério da Educação através …

Após saída do primeiro-ministro, Macron faz remodelação governamental e muda ministros-chave

O Presidente francês Emmanuel Macron aproveitou a mudança de primeiro-ministro para levar a cabo uma profunda remodelação do seu Governo. Anunciada na segunda-feira, a grande mudança é o novo ministro do Interior, Gérald Darmanin, até …

Marcelo promete ir todas as semanas ao Algarve para "puxar pelo turismo"

O Presidente da República disse esta segunda-feira, no Algarve, que é necessário “olhar para a frente e lutar” para o turismo na região superar as perdas causadas pela exclusão de Portugal do corredor aéreo com …

Portugal sabe a 27 de julho se entra nos corredores aéreos do Reino Unido

A reavaliação da lista de países isentos de quarentena nas chegadas ao Reino Unido, da qual Portugal foi excluído devido aos surtos de covid-19, vai ser feita a 27 de julho, revelou esta segunda-feira o …