Esquemas de Wall Street alimentaram a crise de 2008. Está a voltar a acontecer

Sam Valadi / Flickr

“Charging Bull”, escultura de Arturo Di Modica

Bancos têm erroneamente relatado dados de rendimento inflacionados que comprometem a integridade dos valores imobiliários resultantes.

Foi há mais de 12 anos que foi anunciada a falência do Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimento dos Estados Unidos.

Este foi o marco da crise financeira de 2008, marcada pela desregulação financeira e pela bolha imobiliária, que rapidamente se alastrou à Europa. O elevado endividamento das famílias, empresas e Estados e a fragilidade bancária eram inevitáveis perante uma supervisão ineficaz.

A investigação do portal The Intercept revela que muitas instituições financeiras estão a arriscar-se mais uma vez, da mesma forma que aconteceu há mais de uma década. Tudo isto por causa de empréstimos semelhantes que podem levar a um desastre parecido.

Um analista descobriu esquemas de contabilidade numa escala surpreendente no mercado imobiliário comercial, de forma semelhante aos liar loans’ — “empréstimos mentirosos” — concedidos em meados dos anos 2000 para imóveis residenciais.

Como é que estes empréstimos funcionavam? Muitas vezes, sem informar os próprios mutuários, as empresas de empréstimos alegavam que a pessoa ganhava, por exemplo, 500 mil dólares por ano, permitindo que a pessoa pedisse dinheiro suficiente para comprar uma casa que não poderia pagar.

Assim, os bancos aceitavam os empréstimo, que na realidade nunca poderiam ser pagos com o rendimento real da pessoa. Os títulos eram depois vendidos a investidores como fundos de pensão, permanecendo valiosos enquanto os preços das casas aumentavam. Quando os preços pararam de subir, a bolha imobiliária rebentou.

Um recente estudo apoia a sua conclusão, descobrindo que bancos como Goldman Sachs e Citigroup têm erroneamente relatado dados de rendimento inflacionados que comprometem a integridade dos valores imobiliários resultantes.

O analista identificou ainda esquemas financeiros complexos de uma instituição financeira, que emite empréstimos e administra um fundo imobiliário, que pode ajudar um dos seus principais inquilinos — a cadeia de lojas Dollar General — a florescer e devastar os revendedores mais pequenos.

Desta vez, a questão não é uma bolha no mercado imobiliário, mas uma aparente inflação generalizada do valor dos negócios comerciais, nos quais os empréstimos são baseados.

Daniel Costa Daniel Costa, ZAP //

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