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O sistema imunitário de “Esperanza” livrou-se do VIH sem tratamento

Alexey Kashpersky

Conceito artístico do VIH criado pelo designer ucraniano Alexey Kashpersky

A “paciente Esperanza”, caso retratado num novo estudo científico, provou ter um sistema imunitário capaz de se livrar do VIH, o vírus causador da SIDA.

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O VIH é o vírus causador da SIDA, que ataca e destrói o sistema imunitário do nosso organismo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, estima-se que existam cerca de 36,9 milhões de pessoas infetadas, mas pouquíssimas são aquelas que não precisam de medicação para sobreviver.

Tão poucas que, até há pouco tempo, havia apenas um caso documentado: o de Loreen Willenberg. Agora, um novo estudo publicado na revista científica Annals of Internal Medicine descreve um novo caso. A “paciente Esperanza” provou ter um sistema imunitário capaz de se livrar do vírus.

“Esperanza” é o pseudónimo dado à paciente, uma vez que é também o nome da cidade onde vive, na Argentina. Os especialistas revelaram que a paciente, cujo ex-namorado morreu de SIDA, não tinha o vírus causador da doença.

Segundo a CNN, Esperanza não mostrou nenhuma evidência de HIV num grande número de células, sugerindo que pode ter alcançado naturalmente o que os investigadores descrevem como uma “cura esterilizador” da infeção pelo HIV.

Por sua vez, o caso de Loreen Willenberg, infetada há mais de 20 anos, foi retratado num artigo científico em 2020. A norte-americana, de 67 anos, apresentou remissão da doença nesse mesmo ano. O estudo foi levado a cabo pela mesma equipa de investigadores do MIT e da Universidade de Harvard.

“Estas descobertas, especialmente com a identificação de um segundo caso, indicam que pode haver um caminho para uma cura esterilizadora para pessoas que não são capazes de o fazer sozinhas”, resume Xu Yu, autora dos dois artigos, citada pelo Público.

Esperanza, de 30 anos, não precisou de tomar a medicação anti-retroviral para impedir a multiplicação do vírus. A paciente foi diagnosticada com HIV pela primeira vez em março de 2013. Não tomou qualquer tipo de medicação até 2019, quando ficou grávida e começou um tratamento durante seis meses. Depois de dar à luz um bebé saudável, sem SIDA, ela interrompeu o tratamento.

“Uma cura esterilizadora para o HIV só foi observada anteriormente em dois pacientes que receberam um transplante de medula óssea altamente tóxico. O nosso estudo mostra que essa cura também pode ser alcançada durante a infeção natural — na ausência de transplantes de medula óssea (ou de qualquer tipo de tratamento)”, acrescentou a cientista, em declarações ao canal de notícias norte-americano.

A autora acredita que possa existir uma resposta de linfócitos T comum às duas mulheres estudadas. “Pensamos que é uma combinação de diferentes mecanismos imunitários — as células T citotóxicas provavelmente estão envolvidas, o mecanismo imunitário inato também pode ter contribuído”, sublinhou.

“Se os mecanismos imunitários subjacentes a esta resposta puderem ser compreendidos pelos investigadores, estes poderão ser capazes de desenvolver tratamentos que ensinem os sistemas imunitários dos outros a imitar estas respostas em casos de infeção pelo VIH”, explica Xu Yu.

  Daniel Costa, ZAP //

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