Especialistas divididos quanto ao uso de máscara. Há quem defenda o plano britânico

Nuno Veiga / Lusa

Especialistas dividem-se quanto à obrigatoriedade do uso de máscara em espaços públicos em Portugal. No Reino Unido, os britânicos já circulam livremente.

No Reino Unido, a máscara caiu e os britânicos puderam voltar a circular livremente pelos espaços públicos como outrora. Em Portugal, as restrições mantêm-se numa tentativa de controlar a propagação do novo coronavírus. Os peritos não encontram consenso e dividem-se quanto à melhor forma de atuar.

O virologista Pedro Simas, por exemplo, considera que “Portugal tem todas as condições para pensar num desconfinamento” que inclua flexibilizar a obrigatoriedade do uso de máscara ao ar livre a partir do próximo mês. O especialista argumenta que isto torna-se possível graças à vacinação da maior parte da população.

“Alguém tem que dar o primeiro passo. Admito que se possa aliviar o uso da máscara nas praias, parques e espaços ao ar livre, enquanto mantemos o seu uso nos centros comerciais, nas salas de espetáculos, nos espaços fechados”, diz o investigador ao jornal Público. “O período de férias é o momento certo para progredir no desconfinamento. As crianças não estão nas escolas”.

Carla Nunes, professora catedrática da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Universidade Nova de Lisboa, sugere que “essa é uma decisão política, que tem que considerar os indicadores epidemiológicos entre outros”.

Na sua opinião, “devemos preparar-nos para manter o uso da máscara por mais tempo até porque poderá ser útil para melhor controlar o desafio outono e inverno associado às gripes e covid-19″.

Sendo que esta é a medida que os portugueses admitem que têm mais facilidade em cumprir, Carla Nunes defende que deve manter-se por mais tempo “nos locais ou em situações mais complexas”, podendo até mesmo “ser das últimas [medidas] a ser levantada”.

Em sentido contrário, Pedro Simas defende que “não se pode persistir nestas restrições que são prejudiciais”, reiterando a questão de Portugal estar com grande parte da população vacinada.

“Nós temos dados epidemiológicos que nos permitem pensar em desconfinar e rever a matriz de risco. Temos todas as condições para o fazer. Resolvemos o problema das mortes”, disse o virologista ao Público.

Daniel Costa, ZAP //

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23 COMENTÁRIOS

  1. “Carla Nunes (…) poderá ser útil para melhor controlar o desafio outono e inverno associado às gripes e covid-19″.”
    Agora, já começam a existir as outras doenças, a tal chamada de GRIPE sazonal, que tinha “posto férias” :/

  2. É mais importante para a retoma econômica levantar as restrições de circulação e de lotação
    O uso de máscaras tem um impacto econômico menor e já se tornou um hábito tolerável

  3. Não concordo com a opinião da Dra. Carla Nunes, sendo assim, passávamos a usar a máscara toda a vida, porque sempre houve vírus e continuará haver! Dado que há divergências na opinião pública, sugiro que o governo decrete o uso ou não da máscara fique a decisão para a pessoa.

  4. Fosse o nosso mal apenas ter de usar máscara. Concordo que devemos desconfinar por uma questão de economia, abrir definitivamente os restaurantes, a cultura, o desporto, à massas, mas se usar máscara possibilitar que a doença chegue a menos pessoas e permita minimizar problemas no SNS (incluindo os da gripe sazonal que as p´roprias máscaras ajudaram a também diminuir no ano passado), não me parece que seja um sacrifício hercúleo usarmos uma máscara por mais um ano (que seja), mesmo que a eficácia fosse de apenas os 30% a que se referem alguns negacionistas. Se tivermos de ir a uma discoteca, a um estádio ou a um espectáculo ao vivo utilizando máscara, será sempre melhor do que manter estes serviços (alguns deles irremediavelmente perdidos). Venha ela…

    • O problema é que as mascaras nunca foram usadas de uma forma tão intensiva a não ser na China e outros países asiáticos onde serve de proteção á extrema poluição.

      Isso significa que existem poucos estudos a nível de uso intensivo, é fácil mostrar (e até lógico) que as mascaras reduzem as doenças propagadas através da respiração (desconfio no entanto do resultado do ano passado) mas o que vai requerer muito tempo são estudos dos efeitos secundários das mascaras.

      Os poucos existentes, são com base a população da china e todos apontam de uma forma geral para que a mascara seja responsável pela debilitação do sistema imunitário, claro que estes estudos não tem base de comparação e sempre se coloca em causa se a poluição não também um papel nessa debilitação.

      Quanto aqui ao nosso cantinho, não temos estudos mas eu gostaria de que os meus filhos não sejam cobaias para esse estudo, sigo-me pela lógica e senso comum.
      Desde pequenos somos expostos a milhares de micro-organismos que nos infectam diariamente e os nossos corpos desde bebes foram criando defesas para essas infecções e para que elas não passem de infecção a doença ou sintomas. Se as mascaras protegem destes virus e micro-organismos, significa que os corpos não vão estar expostos e como tal perder resistência, na minha (não sendo cientista) a mascara pode ter o mesmo efeito que outras medidas, resolvem de um lado e criam um problema pior de outro, arriscámo-nos a daqui a 30 anos ter uma sociedade mais debil e enfraquecida com uma serie de alergias que hoje são um problema mínimo como por exemplo ao pólen.
      Um cidadão que fez a toda a sua vida nas cidades é mais intolerante ao pólen do que quem foi criado no campo.

  5. Já somos o quinto país com mais casos de infeção por Covid-19, da União Europeia. Portanto, entendo que queiram imitar os britânicos, porque não temos soluções nossas, é sempre preciso correr atrás do rabo dos outros e, neste caso, se for feito aquilo que os de Inglaterra fizeram, ainda teremos a quinta vaga, mais lá para a frente.

    • e qual é o problema da quinta vaga?
      fazia sentido evitar no Natal porque significava um numero grande de óbitos e um ataque massivo ao SNS.

      Mas hoje com a vacina! e ao ritmo que o almirante colocou toda a gente a ser picada, a verdade é que as medidas causam mais estragos e óbitos (doenças não diagnosticadas) do que o covid que na maioria das pessoas já é só mesmo uma inconveniência.

      Claro que temos de olhar para as medidas com base nos dados que temos e não ter medo de assumir que amanhã pode aparecer uma variante que seja mais resistente á vacina, nessa altura teríamos de rever a situação, mas viver com medo de uma variante que ainda não existe e manter as medidas porque ela pode aparecer, parece-me abusivo.
      Quase todos os Lisboetas sabem do terramoto de Lisboa e a o risco de voltar a acontecer, não é por isso que abandonaram a cidade … nem mesmo se colocaram medidas obrigatórias nas construções para minimizar o impacto de um novo terramoto!

  6. Veio muitas vacinas para Portugal, sim.
    Mas milhões são dadas a Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verdes, S.Tomé e Principe, país que têm gente muito rica, mas esquecem da miséria e fome.
    Deveriam sim eles as comprarem, porque Portugal, hoje não tem obrigação de as dar.
    E mais:
    A Vacina deveria ser obrigatória, se não a tomar, não poderiam tratar do que seja em serviços públicos e outros, porque deveriam apresentar documento que levaram as duas vacinas, se não, nada podem fazer ou tratar.

    • Será que acha que a morte foi inventada pelo Covid?
      Já vi que é um “pro-vacina” radical, todavia, pensa pouco…
      Neste mundo globalizado, a distribuição gratuita de vacinas aos países mais pobres destinadas aos mais vulneráveis (idosos ou doentes) devia ser a prioridade global, e devia para si fazer todo o sentido. Ou quererá ver toda a gente confinada ou “chipado” como um cão?
      Na verdade, o grande perigo é você (e outros como você) estarem totalmente confiantes (e até arrogantes) ao acreditarem no que estas vacinas podem alcançar e esquecer os perigos que ainda permanecem.

  7. Claro que em terras de inquisidores vão ser mais papista quer o papa…so um pseudo-intectual julga que mascaras de faciais param virus de 0.1microns mas para manter os bonus da negociata a cair vale tudo.

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