Espanhóis em Portugal ganham mais do dobro dos portugueses (os chineses menos de metade)

Giampaolo Squarcina / Flickr

A realidade salarial dos trabalhadores imigrantes em Portugal é muito diferente, em função dos seus países de origem. Assim, se espanhóis, holandeses e italianos ganham cerca de dois mil euros, paquistaneses, chineses, indianos e guineenses auferem pouco mais de 500 euros.

Estes dados constam do Relatório Estatístico Anual 2016, que foi apresentado na passada sexta-feira, em Lisboa, e cujas conclusões são divulgadas pelo Público.

O documento avalia “indicadores de integração de imigrantes”, nomeadamente as diferenças em termos salariais dos trabalhadores por conta de outrem.

Assim, o relatório constata que os trabalhadores estrangeiros em Portugal ganham, em média, 8% menos do que a generalidade dos trabalhadores portugueses. Mas é preciso ler estes dados em termos de nacionalidades para perceber que a realidade é bem diferente, conforme a proveniência dos imigrantes.

Trabalhadores de países como Espanha, Holanda e Itália ganhavam, em 2014, entre 1.918 a 2.064 euros, enquanto imigrantes oriundos do Paquistão, da China, da Índia, da Guiné e de São Tomé e Príncipe auferiam apenas entre 536 a 568 euros, conforme dados divulgados pelo Público.

De um lado surgem os imigrantes espanhóis, holandeses e italianos com ordenados de “mais do dobro (126%, 125% ou 124%) do que o total de trabalhadores registados nos quadros de pessoal” e do outro “os paquistaneses (menos 41%), os chineses (menos 39,7%), os indianos (menos 37%), os guineenses e os são-tomenses (menos 36%)” com realidades salariais muito diferentes, segundo constata o jornal.

Os trabalhadores imigrantes “continuam a estar associados aos empregos que os trabalhadores nacionais não querem fazer – essencialmente os trabalhos mais exigentes, mais arriscados, mais mal pagos e mais precários -, mesmo que esses trabalhos não traduzam necessariamente os seus níveis de qualificações”, afirma ao Público a coordenadora do Relatório, Catarina Reis de Oliveira.

Quanto aos “trabalhadores que as empresas vão buscar a outros países da Europa Ocidental ou à América do Norte são qualificados ou altamente qualificados“, repara Jorge Malheiros, do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, afirmando ao jornal que “não aceitariam ganhar menos do que nos seus países de origem”.

ZAP

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3 COMENTÁRIOS

  1. Não é a proveniência que se tem que ter conta mas as habilitações. Não comparem imigrantes de Àfrica com Europeus geralmente com cursos superiores e habilitações profissionais acima da média.
    Querem enganar quem?

  2. Enfim…a treta do costume. Até nisto o português lixa-se?!?!?!? Só temos de bom o sol, as paisagens e a água..o resto não tem emenda…e não se salva…infelizmente…
    Relativamente às competências e habilitacoes infelizmente isso é uma grande treta! Deveria ser assim, mas não é….infelizmente o que conta é a cunha…
    Uma pessoa que não quer estudar e, que não quer trabalhar e tiver uma boa cunha, tem um trabalho bem pago mas que nada faz de jeito é chamado de doutor sem o ser e, um desgracado que lutou e estudou mas que não tenha cunha está lixado! Este país está cheio de incompetentes e dos chamados Dr. Cunha..e assim vai o país…

  3. Gasta-se dinheiro a mandar declarações e a sustentar o INE para obter estas conclusões?

    Toda a gente sabe que na construção civil e outros sectores primários declara-se o salário minimo e paga-se o dobro ou mais, ninguem trabalha na construção civil, balcão, restaurantes, cafés, etc. pelo salário minimo.

    As estatisticas e base de dados (quadros de pessoal), valem o que valem, só grandes Empresas e Estado declara valores reais, e claro que as profissões mais qualificadas estão nessas emrpesas.

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