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Espanha expulsa herdeiros de Franco do palácio de verão do ex-ditador

Esta quinta-feira, o Governo espanhol confiscou formalmente o palácio dos herdeiros de Francisco Franco numa cerimónia simples que culminou numa árdua luta legal para expropriar a propriedade.

Já se passaram mais de oito décadas desde que o ditador fascista espanhol, o general Francisco Franco, tomou posse do Pazo de Meirás durante a guerra civil que o levou ao poder.

Desde então, o palácio na região noroeste da Galiza tem servido como uma opulenta residência de verão – primeiro para o próprio ditador e depois para a sua família após a morte de Franco há cerca de 45 anos.

Agora, de acordo com a NPR, Espanha confiscou formalmente o palácio dos herdeiros de Franco. O momento foi um triunfo simbólico para o governo de esquerda da Espanha, que conquistou a posse do palácio numa decisão judicial em setembro e tem pressionado repetidamente para remover ou recuperar outros memoriais que glorificam o reinado de quase quatro décadas do ditador.

A transferência de propriedade é um crédito para “os milhares e milhares de homens e mulheres da Galiza e do resto da Espanha que tentaram fazer deste lugar um direito de nascença de todos“, disse a vice-primeira-ministra Carmen Calvo, em comunicado. “Este foi um objetivo louvável, que dignifica a democracia espanhola, que dignifica a todos nós e que foi impulsionado pelo ativismo de muitas pessoas”.

Calvo disse que o Governo planeia redefinir o propósito do palácio para educar o público sobre o lado negro do reinado de Franco e celebrar o legado de Emilia Pardo Bazán, a prolífica escritora cuja família era dona do solar.

Os partidários de Franco compraram o palácio e doaram-no em 1938. Os seus herdeiros dizem que Franco fez uma compra formal da propriedade em 1941.

Em setembro, a juíza Marta Canales considerou a venda de 1941 fraudulenta e afirmou que o palácio não foi dado a Franco, especificamente, mas sim ao chefe de estado espanhol.

O despejo do Pazo de Meirás não satisfez a Associação para o Resgate da Memória Histórica. O grupo, que se dedica a preservar a memória das violações dos direitos humanos de Franco, disse que a devolução do palácio “não pode terminar sem um processo judicial contra os que o ocuparam ilegalmente e encheram-no com o fruto de um grande saque do património do Estado.”

Há divergências sobre quantas pessoas foram vítimas do regime repressivo de Franco, embora se acredite que mais de 100 mil pessoas foram mortas ou desapareceram durante o seu Governo absoluto na Espanha, desde o fim da sangrenta guerra civil em 1939 até à sua morte em 1975.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, fez da campanha uma promessa de reavaliar a memória do ditador e como está marcada nos monumentos oficiais.

No ano passado, o Governo exumou os restos mortais de Franco do enorme mausoléu a noroeste de Madrid construído como seu memorial. Os restos mortais foram transportados de helicóptero para um cemitério perto da capital espanhola, onde foi reenterrado ao lado da sua esposa.

  ZAP //

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