Espanha enfrenta segunda vaga de covid-19 (e outros países europeus “estão por dias”)

Mário Oliveira / SEMCOM

Espanha já está a enfrentar uma “segunda vaga” da pandemia do novo coronavírus. É a conclusão de um estudo conhecido hoje, que foi desenvolvido por um hospital e uma universidade da Catalunha. O estudo alerta ainda que esta nova vaga pode chegar aos outros países europeus já nos próximos dias.

O estudo publicado a 2 de setembro, é assinado pelo Hospital Universitário Germas Trias i Pujol, de Badalona, em Barcelona, e pela Universidade Politécnica da Catalunha. Agora foi  enviado à Comissão Europeia.

Com o título “Análise e previsão da covid-19 para a União Europeia (UE) – Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA) – Reino Unido, na tradução em português”, o estudo tem como objetivo advertir as autoridades europeias de que este é o momento ideal para travar uma segunda vaga de covid-19 na Europa.

Os investigadores acreditam que se nada for feito no imediato, a Europa poderá regressar a uma situação semelhante à que esteve em março, altura em que eclodiu uma transmissão descontrolada do novo coronavírus.

No documento publicado na passada quinta-feira, os investigadores questionam-se por que razão Espanha está a liderar o número de novos casos da infeção nesta “segunda vaga”, uma vez que é um país onde predominam altas temperaturas, e com fortes costumes culturais que privilegiam as atividades ao ar livre.

Os centros de investigação da comunidade autónoma espanhola da Catalunha acreditam que “o efeito dos bares e dos restaurantes pode ter grandes repercussões na evolução das epidemias”. Isto porque nestes espaços as medidas de prevenção são menos respeitadas pelas pessoas do que em outras circunstâncias, sobretudo no que diz respeito ao distanciamento físico e à utilização de máscaras de proteção individual, diz o estudo.

O relatório indica que a taxa de contágio é 20 vezes mais baixa em espaços ao ar livre quando comparada com a incidência em espaços fechados.

Segundo os últimos dados oficiais, divulgados na sexta-feira pelo Ministério da Saúde espanhol, o país vizinho contabilizou nesse dia cerca de 10500 novos casos de covid-19. Um aumento de quase 1500 em relação a quinta-feira, elevando assim o número para 498989 de infetados desde o início da pandemia.

Para os investigadores, a chave para compreender a atual situação em Espanha passa pelo facto de o país ter levantado as restrições à mobilidade, especialmente entre províncias, antes dos outros países da UE, numa altura em que “a taxa de casos positivos podia ser três vezes superior ao que estava a ser efetivamente detetado”. Esta situação aumentou a atividade social no país o que agora pode justificar estes números.

Com perto de meio milhão de casos de infeção confirmados desde o início da pandemia, Espanha segue distanciada em relação a outros países europeus. De acordo com os dados mais recentes, Itália conta agora com mais de 277 mil casos, em França são cerca de 325 mil casos, o Reino Unido ronda os 350 mil casos de infeção, e Portugal mantém-se com 60 mil casos.

Os números citados pela agência espanhola EFE, e referenciados no estudo, indicam que Espanha também se distancia de outros países europeus quando analisada a incidência de novos casos nos últimos 14 dias por cada 100 mil habitantes, com 216,8 infeções, à frente de França (98,2), da Roménia (69,9), da Ucrânia (65,7), da Bélgica (49,2) e dos Países Baixos (40,4).

A 1 de setembro, Espanha também liderava o parâmetro da incidência total acumulada por cem mil habitantes na Europa, com 1002 infetados, seguida da Suécia (837), Bélgica (737), Portugal (571), Roménia (461), Itália (447), França (438), Países Baixos (415) e Alemanha (292), de acordo com o mesmo estudo.

O alerta dado no estudo tem já tradução em vários países europeus que estão a testemunhar um aumento do número de infetados à medida que a sociedade reabre após o confinamento, e que existe uma maior circulação de pessoas.

No caso de França, foram registados, passada sexta-feira, 8975 novos casos de covid-19. O que se traduz num recorde absoluto desde o início da pandemia no país. Já hoje, as autoridades do Reino Unido anunciaram 2988 novas infeções pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, o maior número diário de novos casos desde 23 de maio.

No sábado, Portugal registou mais 486 casos novos de covid-19, um número que não era tão alto desde o início do desconfinamento.

A pandemia da doença covid-19 já provocou pelo menos 880396 mortos e infetou mais de  26,9 milhões de pessoas em todo o mundo desde dezembro, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

ZAP // Lusa

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