Outra vez: Espanha não se importou de perder num grande torneio (mas agora correu mal)

Friedemann Vogel/EPA

Seleccionadores Walid Regragui e Luis Enrique depois do Marrocos-Espanha

Derrota com o Japão parecia encaminhar a selecção espanhola rumo à final. Mas a “infestação marroquina” atingiu o país vizinho, desta vez. E recordemos uns Jogos Olímpicos recentes.

Alguns leitores do ZAP poderão achar exagerado o título deste artigo. Mas não estamos a dizer que a Espanha entrou no jogo com o Japão para perder, no fecho da fase de grupos do Mundial 2022.

Até porque uma derrota iria colocar os espanhóis fora do torneio, caso a Costa Rica vencesse a Alemanha (e esteve mesmo a vencer, durante uns minutos).

Mas há que ser realista: nos últimos minutos desse jogo com o Japão (1-2), e sabendo que a Alemanha estava a ganhar, muitos espanhóis ficaram satisfeitos com esse desfecho. Sim, com essa derrota.

Ficaram satisfeitos por três motivos. Primeiro, o mais óbvio: a Espanha apurou-se na mesma para os oitavos-de-final, ficando no segundo lugar do grupo.

Segundo: na teoria, ao ficar em segundo lugar, iriam prosseguir um caminho mais fácil rumo à final. Marrocos nos oitavos-de-final, Portugal ou Suíça nos quartos-de-final… E Brasil, talvez a selecção mais forte do torneio, só na final.

Terceiro: a Alemanha ficou fora.

Foquemo-nos no segundo motivo. Cruzar-se com Marrocos nos oitavos-de-final parecia muito positivo.

Mas os vizinhos venceram um grupo onde estavam as selecções medalhas de prata e bronze no Mundial 2018, respectivamente Croácia e Bélgica. As duas foram superadas por Marrocos na classificação.

A Espanha também foi superada por Marrocos. O aparente rumo facilitado até à final, o aparente bom segundo lugar no grupo… Tudo se foi logo no jogo seguinte. Assim, realmente evitaram jogar com o Brasil.

Jogos Olímpicos, Londres 2012

Esta selecção de futebol não é a primeira selecção espanhola a entrar neste processo, nos últimos anos.

Recuemos aos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Basquetebol masculino, Grupo B. A Espanha tinha ganhado os três primeiros jogos, tendo perdido depois frente à Rússia.

Chegou à última jornada já qualificada para os quartos-de-final. E chegou descontraída ao duelo com o Brasil (sim, outra vez o Brasil na conversa). Tão descontraída que – aí, sim – até terá jogado para perder.

As suspeitas multiplicaram-se na altura porque a Espanha sabia que, se perdesse com o Brasil, ficaria no terceiro lugar do grupo, atrás de Rússia e Brasil.

Vantagem? Só na final iriam encontrar os sempre favoritos EUA.

Até ao final do terceiro período, a Espanha controlou perfeitamente o encontro, estando então a vencer por 66-57. Para o quarto período surgiu uma história diferente: na maioria do tempo o seleccionador de Espanha, Sergio Scariolo, preferiu colocar em campo os habituais suplentes. E os que jogaram pouco se preocupavam com a aproximação da reviravolta no marcador.

O Brasil aproveitou e venceu por 88-82, com um parcial favorável de 31-16 no último período.

A Espanha perdeu e, nesse caso, resultou. Não deu para o ouro mas deu para uma medalha, a de prata. A Espanha dos irmãos Gasol, de Navarro, Calderón, Reyes, Rudy, Ibaka (…) chegou mesmo à final, quando perdeu – sim, contra os EUA.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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