Época do Benfica à lupa de Lage: 120 milhões para garantir o miúdo, os cavalos de corrida e Herrera

Sedat Suna / EPA

O técnico do Benfica Bruno Laje revelou esta quinta-feira que quando soube que iria substituir Rui Vitória, colocar João Félix na equipa foi a “primeira coisa” que pensou fazer. Num Open Talk no Caixa Futebol Campus, no Seixal, o treinador elegeu ainda o portista Herrera como melhor jogador que defrontou esta época.

“Foi a primeira ideia que me veio à cabeça: meter o ‘miúdo’. Pensei logo que, pela forma como [o João Félix] se movimenta na procura dos espaços à frente da defesa, e como o Seferovic o faz nas costas, ligariam muito bem”, assinalou o técnico.

Lage nunca escondeu a importância que o jovem avançado benfiquista, de 19 anos, teve na conquista do 37.º título de campeão nacional e disse mesmo que pagaria 120 milhões para o jovem avançado continuar a jogar pelos encarnados.

“O João tem quatro ou cinco meses de Benfica, pelo que deveria ter a oportunidade de consolidar esta meia época fantástica, conquistar o seu lugar na seleção portuguesa e depois, já com outra maturidade, lançar-se com passos mais sólidos”, aconselhou.

Lage lembrou palavras recentes do avançado internacional argentino Nico Gaitán, que assumiu ter sido “um passo atrás” ter trocado o Benfica pelo Atlético de Madrid. “É uma afirmação interessante. Acredito que não seja fácil para um jovem de 19 ou 20 anos sair para o desconhecido, trocar de clube e ao chegar lá ter de provar toda a sua qualidade, tal como fez aqui”, analisou o técnico ‘encarnado’.

Sem esquecer todos os outros elementos do plantel, Bruno Lage encontrou, também, uma característica comum a vários jogadores da equipa e assumiu que foi em redor desse ponto comum que montou a estratégia vencedora.

“Quando se tem estes ‘cavalos de corrida’, perdoem-me a expressão, temos de potenciar ao máximo as suas características. Com jogadores como Rafa, Pizzi, Seferovic e Félix a estratégia passa por fazer uma pressão muito forte à saída do adversário e ter uma transição defensiva muito forte”, explicou.

Ainda no plano da sua ascensão ao cargo de treinador principal do clube, Lage admitiu que, quando aconteceu, em meados janeiro, “já não estava à espera”, depois de se ter gorado essa possibilidade no mês anterior e levantou o ‘véu’ quanto às premissas da reorganização que promoveu no grupo.

“Primeiro, quem não estava feliz tinha de ir à procura da felicidade, como foi o caso do Ferreyra, Catillo e Lema. Depois, trazer dois ou três elementos da equipa B que eu sentia que estavam preparados para dar este passo e formar um grupo reduzido, em que cada um tivesse importância de alguma forma”, Lage.

E foi também nos miúdos da equipa B que encontrou a decisão mais difícil. De acordo com Bruno Lage, a decisão que mais lhe custou durante a meia temporada que fez pelo Benfica foi deixar lobin e Yuri Ribeiro fora da convocatória para o último jogo frente ao Santa Clara, e não dar minutos aos dois jogadores, que acabaram por não jogar da edição da Primeira Liga que terminou no fim de semana passado.

“Achei que se os pusesse e tirasse outros dava a ideia de que já estava feito. E não queria dar a ideia de que já estava feito. Mas custou”, garantiu o treinador.

Quanto aos adversários que defrontou, Lage aponta desatacou as capacidades do internacional mexicano Herrera pela “dimensão que dá ao jogo” do FC Porto. “Gosto muito de médios e o Herrera faz tudo. Constrói, marca golos, pressiona e corre os 90 minutos”.

Lage defendeu ainda que o FC Porto fez uma “época à FC Porto”, parafraseando Sérgio Conceição, e de negar qualquer demérito dos dragões na conquista do campeonato.

Em tom de conclusão, o treinador voltou a explicar o seu discurso que muito vezes tem sido rotulado como pedagógico, voltando ao episódio das amolgadelas do carro.

“Se calhar até é bom explicar uma história, uma mensagem, que não ficou muito bem explicada. Eu em jeito de brincadeira falei nas amolgadelas no carro. E ao longo dos anos estas histórias foram aparecendo. Quando se ganha, destrói-se um balneário, destrói-se ali, destrói-se acolá. Se nós abrirmos essa porta, ‘ah e tal ele ganhou o prémio, partam-lhe o carro que ele tem dinheiro para comprar outro’…é essa pedagogia que temos de fazer”.

“Se eu a ganhar permitir tudo, quando perder também vêm cá partir tudo. Tem que existir equilíbrio. Quer no futebol, quer na sociedade. São esses exageros que temos de evitar”, concluiu Bruno Lage.

ZAP // Lusa

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