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Encontradas etiquetas de identificação de crianças assassinadas por nazis na Polónia

Yoram Haimi / Autoridade de Antiguidades de Israel

Uma equipa de arqueólogos encontrou quatro etiquetas de identificação de crianças assassinadas durante a II Guerra Mundial no campo de extermínio de Sobibor, na Polónia. 

As peças encontradas são feitas de metal e estão gravadas com os nomes das crianças: Lea Judith De La Penha, Deddie Zak, Annie Kapper e David Juda Van der Velde, de seis, oito, doze e onze anos, respetivamente. As suas datas de nascimento e a sua cidade de residência- Amsterdão, nos Países Baixos – também constavam dos documentos.

De acordo com o jornal espanhol ABC, os investigadores acreditam que as etiquetas foram feitos pelos próprios pais para permitir a sua localização.

“Pelo que sabemos, etiquetas de identidade com nomes de crianças só foram encontrados em Sobibor e em nenhum outro lugar. Como são muito diferentes entre si, está claro que provavelmente não foi organizado”, disse Yoram Haimi, arqueólogo da Autoridade de Antiguidades de Israel. “Foram preparados pelos seus pais, que provavelmente estavam desesperados para garantir que as famílias das crianças pudessem encontrá-los durante o caos da II Guerra Mundial”.

Especialistas rastrearam as crianças, cujos nomes aparecem nas listas de vítimas nazis, a partir do Westerbork Camp Memorial Center, que foi usado como campo de trânsito do Holocausto para judeus deportados dos Países Baixos para a Europa Oriental.

De lá foram recebidas fotografias das crianças, para que pudessem identificar os seus rostos e reconstruir o seu testemunho. “A escavação arqueológica dá-nos a oportunidade de contar as histórias das vítimas e homenagear a sua memória”, disse Haimi.

Os menores viajaram para a Polónia de comboio juntamente com 1.255 outros judeus para o campo nazi. A maioria dos que entraram pelos portões do campo de extermínio de Sobibor foram enviados diretamente para as câmaras de gás, onde várias das etiquetas foram encontradas, e mortas à chegada.

Em 14 de outubro de 1943, ocorreu em Sobibor a maior e mais bem-sucedida fuga da II Guerra Mundial, protagonizada por quase todos os prisioneiros do campo que lideravam um plano que consistia em matar oficiais nas oficinas com ferramentas, facas e armas e atacar os vigilantes. Em menos de duas horas, mataram 11 oficiais da SS e vários guardas.

Quase 300 prisioneiros conseguiram escapar do campo, partindo o arame farpado, embora cerca de 80 prisioneiros tenham morrido na fuga e 180 tenham sido capturados e fuzilados. Outros 130 que não apoiaram o plano também foram baleados no dia seguinte.

Mais tarde, os nazis demoliram Sobibor para apagar todos os vestígios.

Estima-se que tenham sido assassinados 250 mil judeus entre abril de 1942 e outubro de 1943 no campo de extermínio de Sobibor, na Polónia.  Apenas 53 prisioneiros conseguiram ver o fim da guerra em 9 de maio de 1945.

  Maria Campos, ZAP //

 

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