É oficial: Dilma Rousseff destituída

Marcelo Camargo / Agência Brasil

A presidente afastada Dilma Rousseff faz a sua defesa diante dos Senadores durante sessão de julgamento do impeachment

A presidente afastada Dilma Rousseff faz a sua defesa diante dos Senadores durante sessão de julgamento do impeachment

Dilma Rousseff foi destituída do cargo de Presidente da República brasileira esta quarta-feira, com 61 votos contra 20.

O Senado brasileiro votou hoje o afastamento definitivo de Dilma Rousseff, pondo fim a um processo de nove meses que dividiu o país com argumentos jurídicos e políticos.

A sessão da votação do impeachment começou pouco depois das 11h (15h em Lisboa), liderada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que comanda os trabalhos do julgamento final, iniciado na passada quinta-feira.

Dilma Rousseff é acusada de editar créditos suplementares no ano passado e de usar dinheiro de bancos federais em programas do Tesouro, as chamadas “pedaladas fiscais“.

Ao ser considerada culpada por 61 dos 81 senadores, a primeira mulher Presidente do Brasil acaba de perder o mandato, e o Presidente interino, Michel Temer, ocupará a Presidência em pleno até às presidenciais de 2018.

Será feira, em seguida, a votação que decidirá o direito a ocupar cargos públicos eletivos durante oito anos.

Trata-se do primeiro impeachment da história do país em que o Presidente lutou até ao fim.

Em 1992, o impeachment de Fernando Collor de Mello foi concluído apesar de, horas antes do julgamento final, ele ter renunciado ao cargo.

“Golpe parlamentar”

Depois das audiências das testemunhas da acusação e da defesa durante três dias, a Presidente com mandato suspenso desde 12 de maio respondeu às perguntas dos senadores e da acusação durante cerca de 14 horas na segunda-feira.

Repetindo a ideia de que pode ser alvo de um “golpe parlamentar”, a Dilma pediu aos senadores que votem com “consciência”, alertando que tirar um Presidente sem ele ter cometido crimes de responsabilidade é um “ferimento que será muito difícil de ser curado”.

Em defesa do seu mandato, a Presidente reeleita em 2014 preferiu culpar a situação internacional e um “boicote” na Câmara dos Deputados (câmara baixa do Congresso), então liderada pelo seu opositor Eduardo Cunha, pela crise em que o Brasil se encontra.

Na terça-feira, foi a vez dos debates, com os argumentos da defesa e da acusação, bem como de dezenas de senadores que quiseram opinar sobre o caso ou antecipar o seu voto, justificando-o.

Esta quarta-feira, os 81 senadores foram chamados a responder, votando de forma nominal e por painel eletrónico, se Dilma Rousseff cometeu crimes de responsabilidade.

Na última votação, a 10 de agosto, os senadores aceitaram a denúncia por 59 votos contra 21.

ZAP / Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. A partir de hoje qualquer próximo presidente poderá cair se não autorizar a corrupção livre no parlamento e senado brasileiro.
    Dilma foi provavelmente a pior presidente do Brasil. Mas a forma como a elite a destituiu, deixa uma enorme mancha na democracia e no estado de direito do Brasil.
    A maioria dos parlamentares e senadores que se esforçaram para a derrubar, têm contas a saldar com o estado e estão implicados em processos de corrupção.

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