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Dois adeptos ingleses detidos no Porto. “Vergonha em pleno combate à pandemia”

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Manuel Fernando Araujo / EPA

Um grupo de adeptos do Manchester City provocou, na noite deste sábado, alguns desacatos na zona da Ribeira do Porto. Dois adeptos ingleses foram detidos.

Dois adeptos ingleses foram detidos, este sábado, na baixa do Porto, por agressão a agentes da autoridade após a final da Liga dos Campeões de futebol, revelou à Lusa fonte do Comando Metropolitano do Porto da PSP.

Os dois adeptos, acrescentou a fonte da Polícia de Segurança Pública, foram conduzidos para a Esquadra do Infante, no Porto, enquanto um agente ferido foi conduzido ao Hospital Santo António para ser suturado na face.

Com a zona da Ribeira fechada pela PSP após o final do jogo que o Chelsea venceu por 1-0, adeptos do Manchester City rumaram para a Avenida dos Aliados, de onde começavam também a sair os adeptos adversários, acabando por ocorrer algumas escaramuças.

De acordo com o Público, por volta das 22h15, um grupo de adeptos do City, saído da fanzone situada na Alfândega do Porto, decidiu cortar o trânsito junto ao acesso à Ribeira e a polícia foi obrigada a intervir para os dispersar.

No meio da confusão, e dos confrontos com alguns adeptos ingleses, registou-se um ferido (na cabeça e no joelho), que foi posteriormente detido.

De madrugada, no Twitter, o líder do PSD, Rui Rio, voltou a atacar o Governo e a Câmara Municipal do Porto pela realização da final da Liga das Campeões no Porto.

Para o presidente social-democrata, os desacatos causados pelos adeptos ingleses são uma “vergonha em pleno combate à pandemia”. “O Governo e à Câmara Municipal do Porto deviam pedir desculpa aos portugueses.”

Os especialistas consultados pelo Expresso não descartam uma subida dos contágios e afirmam que a parte positiva é que a maioria dos adeptos esteve reunida ao ar livre.

“Pessoas aglomeradas, sem máscara, a cantar e a gritar, o que torna a transmissão de partículas maior, claro que pode ser perigoso. Felizmente é ao ar livre, o risco é menor. Mas existe”, disse ao semanário Manuel Carmo Gomes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e um dos peritos que já participou nas reuniões do Infarmed.

O epidemiologista disse ainda que existem dados que apontam para uma “quota de responsabilidade” dos festejos do Sporting no aumento dos contágios em Lisboa, que pode voltar a repetir-se, agora no Porto.

Além disso, há a questão da expansão da variante indiana, mais transmissível. “Obviamente que também há adeptos portugueses entre os britânicos. A variante indiana já representa 5% dos casos por cá e com a chegada de mais cidadãos do Reino Unido, onde a variante está em expansão, há maior risco”, explicou.

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“Até os britânicos – mais avançados na vacinação – estão preocupados. Boris Johnson não sabe por essa razão se dão o último passo no desconfinamento em junho”, acrescentou.

Ontem, em declarações aos jornalistas, também o Presidente da República se pronunciou sobre o assunto, deixando alguns reparos ao Executivo de António Costa sobre a forma como geriu o evento. “É uma questão de comunicação. Quando se diz que vêm em bolha, vêm em bolha. Se não, não se diz”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

“Quando se fixa um limite, se esse limite é um bocadinho superior ao que era para ser, tem de se explicar porquê”, comentou.

Contactado pelo Expresso, o Ministério de Mariana Vieira da Silva recusou comentar as declarações do Presidente da República.

O Governo mantém-se, assim, em silêncio após a polémica da Champions no Porto.

  ZAP // Lusa

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