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Dinamarca vai criar “passaportes de vacinação”. Reino Unido testa mistura de diferentes vacinas

Stephanie Lecocq / EPA

A Dinamarca vai ser o primeiro país a desenvolver um passaporte digital que comprova a vacinação contra a covid-19. O Reino Unido decidiu avançar com uma experiência cujo intuito é vacinar um grupo de pessoas com diferentes vacinas na primeira e na segunda doses.

Morten Boedskov, ministro das Finanças dinamarquês, anunciou esta quarta-feira que “dentro de três ou quatro meses um passaporte digital covid-19 vai estar disponível para ser usado, por exemplo, em viagens de negócios”. A iniciativa visa facilitar o processo de viajar e aliviar a pressão das restrições à vida pública.

“É absolutamente crucial para nós que seja possível reiniciar a sociedade dinamarquesa, para que as empresas possam voltar ao normal. Muitas são empresas globais com o mundo inteiro como mercado”, acrescentou o governante durante uma conferência de imprensa.

A Renascença escreve que, antes do final de fevereiro, os cidadãos dinamarqueses podem começar a ver num site a confirmação oficial de que foram vacinados. “Será através deste passaporte extra, que estará disponível no telemóvel, que será possível documentar que foram vacinados”, disse Boedskov.

A Comissão Europeia tem vindo a ponderar propostas de emissão de certificados de vacinação, mas o braço executivo da UE afirmou que, por agora, tais certificados só seriam utilizados para fins médicos (para monitorizar os possíveis efeitos adversos das vacinas, por exemplo).

O governo dinamarquês adiantou ainda que decidirá posteriormente se o passaporte digital deve ser utilizado para outros fins que não viagens para ajudar a reabrir a vida pública.

Reino Unido testa mistura de diferentes vacinas

A BBC avança, esta quinta-feira, que o Reino Unido decidiu vacinar um grupo de pessoas com diferentes vacinas contra a covid-19 na primeira e na segunda doses. O objetivo é perceber se a técnica funciona e, em caso positivo, ter mais flexibilidade na vacinação.

Além disso, de acordo com a tese dos cientistas, a possibilidade da inoculação com dois tipos de vacinas distintos pode oferecer ainda maior proteção aos cidadãos. No entanto, estes testes não mudam, para já e até ao verão, o plano de vacinação em curso no país.

Alguns voluntários vão receber a vacina Oxford/AstraZeneca, seguida da vacina Pfizer/BioNTech, enquanto outros farão o processo inverso, sempre com quatro ou 12 semanas de intervalo. Há ainda a possibilidade de novas vacinas serem adicionadas a este estudo à medida que forem aprovadas pelos reguladores.

A investigação recebeu, segundo a emissora britânica, o investimento de sete milhões de libras (quase oito milhões de euros) por parte do Governo e deverá envolver mais de 800 voluntários com mais de 50 anos.

Sinovac solicita autorização na China

A farmacêutica chinesa Sinovac solicitou à Administração Nacional de Produtos Médicos da China “autorização comercial condicional” para a sua vacina contra a covid-19, designada CoronaVac, informou esta quinta-feira a empresa em comunicado.

Segundo a nota, o antígeno já foi fornecido a “dezenas de milhares de pessoas na China” como parte de um programa de uso de emergência, lançado em julho passado, e que visou grupos específicos com alto risco de infeção.

“Catorze dias após a vacinação das duas doses, a taxa de eficácia está de acordo com os padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS) e as diretrizes para avaliação clínica de vacinas preventivas para a covid-19 emitidas pela Administração Nacional de Produtos Médicos”, assegurou a Sinovac.

“A vacina candidata foi testada em ensaios clínicos da fase 3, realizados fora da China. Os resultados preliminares desses testes mostraram um bom perfil de segurança para a vacina”, acrescentou a empresa.

Os ensaios revelaram diferentes taxas de eficácia para a vacina da Sinovac: na Turquia, os testes revelaram uma eficácia de 91,25%, na Indonésia, de 65,3%, e no Brasil de 50,4%.

No mês passado, as autoridades chinesas autorizaram, pela primeira vez, o uso comercial de uma vacina contra a covid-19, desenvolvida pela farmacêutica Sinopharm e pela sua subsidiária, o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim.

Bruxelas tenta melhorar a cooperação com farmacêuticas

De acordo com o Expresso, a Comissão Europeia está a tentar melhorar a comunicação e a cooperação com as farmacêuticas e avançou com a criação de um grupo de trabalho liderado pelo comissário Thierry Breton.

“Há que garantir que os problemas são comunicados e depois vemos como podemos ajudar”, afirmou Breton, em entrevista a um grupo de correspondentes em Bruxelas.

O comissário garantiu que conseguirá articular-se com a indústria farmacêutica para ajudar a acelerar a produção de vacinas e garantir que as doses contratualizadas chegam aos 27 Estados Membros.

“Ninguém tem a experiência de aumentar a produção de forma tão rápida”, disse, referindo-se desde logo à BioNTech, Moderna e AstraZeneca, com quem a Comissão fechou contratos e cujas vacinas já têm autorização da Agência Europeia de Medicamentos.

  Liliana Malainho, ZAP // Lusa

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