DGS define normas para retoma de modalidades. Râguebi considerada de “alto risco”

A Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou hoje as normas para a retoma das competições de modalidades desportivas coletivas, incluindo o râguebi e os desportos de contacto no grupo de alto risco.

A atualização das normas permite a retoma de modalidades como o futebol não profissional, andebol, futsal, basquetebol, voleibol e hóquei em patins, encarregando as federações e os clubes de avaliarem o risco de contágio de covid-19 e de “elaborar um regulamento específico para a prática desportiva, em contexto de treino e em contexto competitivo, de acordo com a estratificação de risco da modalidade”.

Além do râguebi, estão incluídos no grupo de alto risco de contágio, os desportos de contacto, entre os quais o judo, e modalidades como o polo aquático e a ginástica acrobática.

As modalidades incluídas no grupo de alto risco devem, ao abrigo das normas da DGS, realizar testes até 48 horas antes da competição, dos quais estão dispensadas as modalidades do grupo de médio risco, sempre que se trate de treinos ou “competições entre equipas de zona(s) sem transmissão comunitária ativa”.

A DGS obriga a que as modalidades de médio risco realizam testes aleatórios até 48 horas antes da competição, sempre que as equipas compitam em zonas de transmissão comunitária ativa da doença.

As medidas hoje divulgadas preveem a elaboração de um plano de contingência próprio para a covid-19, no qual devem constar os locais de treino e competição, as suas condições de higiene e segurança e a identificação da área de isolamento para casos suspeitos da doença.

Segundo o documento, “não devem ser realizados treinos simultâneos com partilha de espaço por equipas diferentes, exceto jogos de preparação e treino pré-competições” e deve ser usada máscara sempre que não esteja comprometida a segurança do praticante.

A DGS aconselha funcionários, elementos das equipas técnicas e praticantes a efetuarem “a automonitorização diária de sinais e sintomas e abster-se de ir trabalhar, treinar ou competir, se surgir sintomatologia compatível com covid-19”.

As normas hoje divulgadas pressupõem que todos os praticantes e equipas técnicas assinem “um Código de Conduta/Termo de Responsabilidade, no qual é assumido o compromisso pelo cumprimento das medidas de prevenção e controlo da infeção por SARS-CoV-2, bem como o risco de contágio por SARS-CoV-2 durante a prática desportiva, quer em contexto de treinos quer em contexto de competições”.

Em 29 de maio último, a DGS já tinha dado autorização para a realização de atividade física em espaços fechados, mas de forma individual.

Râguebi acusa DGS de tratamento diferenciado

O presidente da Federação Portuguesa de Râguebi (FPR) acusou esta terça-feira a Direção-Geral da Saúde (DGS) de ter “tratamento diferenciado” para outras modalidades e de não responder às propostas do organismo para retomar a atividade durante a pandemia Covid-19.

Contactado pela Agência Lusa, Carlos Amado da Silva assumiu que o râguebi português “não tem capacidade” para cumprir as orientações para a retoma dos treinos e competições desportivas, divulgadas esta terça-feira pela DGS, e revelou que a FPR apresentou diversas propostas “credíveis e economicamente viáveis” para as quais não obteve qualquer resposta do governo.

“Têm cinco cartas nossas às quais nem responderam e agora, de forma antidemocrática, tomam decisões sem ter em conta nada do que propusemos. A DGS tem estado absolutamente muda, numa atitude de autismo em relação ao râguebi que não tem para as outras modalidades. É público que têm reunido com as modalidades de pavilhão, mas a nós nem nos respondem. Se não têm ideias, ao menos que respondam às nossas”, atirou Amado da Silva.

O dirigente alertou que não está em causa a classificação do râguebi como modalidade de risco elevado, mas sublinhou que o governo “tem de entender que há aqui desigualdades (entre as modalidades) que são inaceitáveis” e deve “criar condições” para que o râguebi possa retomar a atividade, até porque a modalidade “agiu antecipadamente com propostas concretas”, para as quais não terá obtido respostas.

“Compreenderia melhor que o governo assumisse que não pode haver competições, do que criarem condições que não são exequíveis. Se acham que o râguebi é perigoso, que não pode ser jogado porque vai morrer toda a gente, então que o assumam. Antes isso do que esta atitude, que é simplesmente uma desresponsabilização que eu não aceito”, criticou Amado da Silva.

A classificação do râguebi como modalidade de risco elevado nas orientações da DGS obriga a uma testagem de todos os agentes envolvidos na organização dos jogos oficiais até 48 horas antes do momento competitivo e, para os escalões de formação, impede mesmo o contacto físico em contexto de treino.

De acordo com Amando da Silva, a FPR propôs, nas várias missivas enviadas à DGS, que houvesse “uma análise inicial todos os dias” por parte dos médicos dos clubes, com “medição da temperatura corporal” e uma “certificação responsável da isenção de sintomas” para toda a gente envolvida no processo de treino ou competitivo.

Para os escalões de formação, o presidente da FPR admite fazer uma “adaptação momentânea das regras, como, por exemplo, suprimir as formações ordenadas”, mas voltou a lembrar que esse tipo de medidas “discutem-se, não se impõem”.

“Podem não estar de acordo com as nossas propostas, mas ao menos que nos digam porque não estão. Ou então que paguem! O governo tem de nos dar os materiais para podermos colocar de pé as suas normativas ou, no mínimo, responder às nossas propostas. É obrigação deles”, reforçou Amado da Silva.

Ainda segundo o dirigente, em função das orientações divulgadas esta terça-feira, o campeonato que estava previsto para começar no último fim de semana de setembro “está absolutamente comprometido” e isso tem implicações diretas nos compromissos da seleção nacional, que vai disputar o apuramento para o Mundial de 2023 a partir de fevereiro.

“Se os clubes não funcionam, as seleções não funcionam. Apesar de termos alguns atletas selecionáveis no estrangeiro, se não houver competição nacional, não pode haver seleção nacional e temos compromissos já em novembro”, lembrou Amado da Silva.

Questionado pela Lusa sobre a exequibilidade de criar condições apenas para um grupo de atletas selecionados, de forma a respeitar os compromissos internacionais das seleções, o dirigente não descartou totalmente a possibilidade, mas assumiu a defesa dos clubes.

“Não nego que a seleção nacional é o meu principal ‘clube’, mas esta não funciona se os clubes não funcionarem. Sou solidário com eles. A equipa nacional é uma seleção de jogadores dos clubes. A FPR é uma federação de clubes e não pode haver aqui uma distinção”, concluiu.

ZAP // Lusa

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